http://pt.wikipedia.org/wiki/Jo%C3%A3o_das_Regras" onclick="window.open(this.href);return false;teve uma acção importante no levantamento de Lisboa que alçou o mestre de Avis por regedor e defensor do Reino. Conselheiro e chanceler do mestre, a sua acção na crise de 1383-1385 culminou na inteligente argumentação em que, omitindo o nome do mestre, negou validade às pretensões dos outros candidatos ao trono.
* A D. Beatriz, filha do falecido rei de Portugal, nega o dr. João das Regras quaisquer direitos por nulidade do casamento de D. Fernando com Leonor Teles, que era já casada com João Lourenço da Cunha quando o rei a desposou; por incerteza quanto paternidade de D. Fernando, dado o comportamento irregular de Leonor Teles; por haver contraído um casamento com o rei D. João I de Castela, seu parente (a mãe do rei de Castela era tia-avó de D. Beatriz) sem a dispensa do papa legítimo Urbano IV, em vez do antipapa Clemente VII;
* Ao rei de Castela, por ser herege, refuta João das Regras o direito a ser rei de Portugal pois reconhecera o antipapa e fora excomungado pelo legítimo papa; porque o seu parentesco com o rei D. Fernando se dava pela linha feminina (as suas mães eram irmãs), o que pelo direito consuetudinário hispânico não dava direitos de sucessão.
* Os infantes D. Dinis e D. João, filhos de el-rei D. Pedro I e de Inês de Castro, portanto, irmãos de D. Fernando, não podiam ter direito ao trono porque eram ilegítimos: D. Pedro nunca casara com Inês de Castro; além disso fizeram guerra contra Portugal aliados a Henrique II e a D. João I de Castela.
Inteligentemente, a sua estratégia demonstrara que o trono estava vago pois nenhum dos pretendentes tinha direito ele. Pertencia assim às cortes escolher livremente um novo rei, sendo o mestre, «per unida concordança de todolos grandes e comum poboo» aclamado rei de Portugal.
D. JOAO I - Esboço de respostas difíceis
- marreta
- MBC
- Mensagens: 369
- Registado: 06 ago 08 0:02:21
Re: Perguntas fáceis para respostas difíceis
Falta aí nessa estória um personagem importante da história. O Dr. João das Regras, o tal que venceu não as batalhas no campo mas as batalhas das cortes:
-
JCardoso
- BELA
- Mensagens: 579
- Registado: 17 mai 08 10:42:27
- Localização: Montijo
Re: Perguntas fáceis para respostas difíceis
Olá
Fica a minha humilde contribuição.
Este é o resumo que faço de D.João I
Interregno
(1383 – 1385)
Regência de D.Leonor Teles
Morte do Conde Andeiro - 1383
Defensão do reino - 1383
Batalha dos Atoleiros: Cerco de Lisboa - Abril de 1384
Cortes de Coimbra - Abril de 1385
D.João I
(1385 – 1433)
Condestável do Reino
Batalha de Aljubarrota - Agosto de 1385
Padeira de Aljubarrota
Batalha de Valverde - Outubro de 1385
Tratado da Paz - 1441
Aliança Inglesa - 1386
Os filhos de D.João I
Fundação da casa de Bragança
Conquista de Ceuta - Agosto de1415
Fundação da Escola Náutica de Sagres
Primeiros Descobrimentos – Ilha de Porto Santo 1418, Madeira 1419 e ilha de Santa maria 1431
Era de Cristo
Frei Nuno de Santa Maria -1423
Mosteiro da Batalha
Há vários capítulos que ainda não se falou na biografia do Rei.
Fica a minha humilde contribuição.
Este é o resumo que faço de D.João I
Interregno
(1383 – 1385)
Regência de D.Leonor Teles
Morte do Conde Andeiro - 1383
Defensão do reino - 1383
Batalha dos Atoleiros: Cerco de Lisboa - Abril de 1384
Cortes de Coimbra - Abril de 1385
D.João I
(1385 – 1433)
Condestável do Reino
Batalha de Aljubarrota - Agosto de 1385
Padeira de Aljubarrota
Batalha de Valverde - Outubro de 1385
Tratado da Paz - 1441
Aliança Inglesa - 1386
Os filhos de D.João I
Fundação da casa de Bragança
Conquista de Ceuta - Agosto de1415
Fundação da Escola Náutica de Sagres
Primeiros Descobrimentos – Ilha de Porto Santo 1418, Madeira 1419 e ilha de Santa maria 1431
Era de Cristo
Frei Nuno de Santa Maria -1423
Mosteiro da Batalha
Há vários capítulos que ainda não se falou na biografia do Rei.
- Avelino Nascimento
- Fundador
- Mensagens: 4673
- Registado: 30 abr 08 19:19:49
- Colecção Preferencial: Numismatica Classica
- Nº Sócio SPN: 0
- Nº Sócio ANP: 1868
- Localização: Lisboa
Re: Perguntas fáceis para respostas difíceis
Olá Cardoso 
Claro que sim, plenamente de acordo, não è numa folha que se conta a vida de uma pessoa que viveu 76 anos, grande parte deles, cheios de guerra e aventuras.
Por isso é que se pede a colaboração de todos os interessados que, por gosto, possam acrescentar, retirar e trocar ideias, enfim, fazer o que queira com o texto e,quando todos acharem que está completo, que não é preciso acrescentar mais nada, o texto é editado no post principal e continua-se o trabalho para a fase seguinte.
Pelo menos, penso que foi essa a ideia do projecto do nosso Laulo.
Peguem no texto editem-no, acrescentem-no, retirem o que não interessa e apresentem-no para apreciação.
Fortes abraços,
Claro que sim, plenamente de acordo, não è numa folha que se conta a vida de uma pessoa que viveu 76 anos, grande parte deles, cheios de guerra e aventuras.
Por isso é que se pede a colaboração de todos os interessados que, por gosto, possam acrescentar, retirar e trocar ideias, enfim, fazer o que queira com o texto e,quando todos acharem que está completo, que não é preciso acrescentar mais nada, o texto é editado no post principal e continua-se o trabalho para a fase seguinte.
Pelo menos, penso que foi essa a ideia do projecto do nosso Laulo.
Peguem no texto editem-no, acrescentem-no, retirem o que não interessa e apresentem-no para apreciação.
Fortes abraços,
Cumprimentos,
Avelino Nascimento
Avelino Nascimento
-
LauloBaptista
- Flor de Cunho
- Mensagens: 1430
- Registado: 21 ago 08 17:59:30
- Colecção Preferencial: Marteladaportuguesa
Re: Perguntas fáceis para respostas difíceis
Caros colegas já li o que colocaram para dar início ao trabalho numismático , normalmente à sempre um apontamento relacionado com a vida do rei , ou dos reis como entrada - até aqui já se chegou visto que o Avelino já pesquisou o essencial da vida reinante do D. João I e a respectiva Família - se , está o indispensável há que avançar para a história de como aparecem cunhadas as primeiras moedas do seu reinado , como já foi dito .
Há tanta coisa que se pode avançar , mas tudo na sua ordem , tais como :
Como foi que fez O Regente e Defensor do Reino face à falta de metal para a cunhagem de moeda , já que D. Fernando tinha desbaratado todo o tesouro que os seus antecedentes lhe deixaram.
As despesas que teve com a guerra contra Castela .
Como D. João conseguiu arranjar metal precioso ( a prata) para a liga das moedas
Os motivos que posteriomente o levaram a alterar a primitiva moeda de prata em boa liga .
O que faz com que D. João I , passe a vida a alterar as moedas , cada vez com menos peso , menos diâmetro , menos prata .
O que o faz elevar o valor da moeda (desvalorizando-a) com frequência .
Porque é que as moedas tinham o mesmo valor e assim circulavam simultâneamente , umas com 3 , outras com 1 1/2 e outras só com 1 dinheiro de prata e muito cobre.
Porque é que o Real preto tinha em 1415 o mesmo valor 3 1/2 £ (70 Soldos ) do seu antecessor que em 1408 tinha sido mandado quebrar .
Porque é que o Real de 10 Reais foi conhecido pelo Real Branco que valia o mesmo que o anterior 700 Soldos.
Porque é que aparecem moedas com legendas arábicas como sendo Ceitis e não não são Ceitis .
Porque é que aparecem os Reais da Rosa ou Rosa e que reais afinal são .
Porque é que aparecem 1/4 de Real Cruzado , vários anos antes do 1/2 Real Cruzado , e não aparece o Real Cruzado
O que faz com que aparecem diversos meios reais atípicos sem a unidade correspondente.
Que moeda circulava entre 1398 e 1415 .
Isto são tópicos que temos de tentar explorar .
Há tanta coisa que se pode avançar , mas tudo na sua ordem , tais como :
Como foi que fez O Regente e Defensor do Reino face à falta de metal para a cunhagem de moeda , já que D. Fernando tinha desbaratado todo o tesouro que os seus antecedentes lhe deixaram.
As despesas que teve com a guerra contra Castela .
Como D. João conseguiu arranjar metal precioso ( a prata) para a liga das moedas
Os motivos que posteriomente o levaram a alterar a primitiva moeda de prata em boa liga .
O que faz com que D. João I , passe a vida a alterar as moedas , cada vez com menos peso , menos diâmetro , menos prata .
O que o faz elevar o valor da moeda (desvalorizando-a) com frequência .
Porque é que as moedas tinham o mesmo valor e assim circulavam simultâneamente , umas com 3 , outras com 1 1/2 e outras só com 1 dinheiro de prata e muito cobre.
Porque é que o Real preto tinha em 1415 o mesmo valor 3 1/2 £ (70 Soldos ) do seu antecessor que em 1408 tinha sido mandado quebrar .
Porque é que o Real de 10 Reais foi conhecido pelo Real Branco que valia o mesmo que o anterior 700 Soldos.
Porque é que aparecem moedas com legendas arábicas como sendo Ceitis e não não são Ceitis .
Porque é que aparecem os Reais da Rosa ou Rosa e que reais afinal são .
Porque é que aparecem 1/4 de Real Cruzado , vários anos antes do 1/2 Real Cruzado , e não aparece o Real Cruzado
O que faz com que aparecem diversos meios reais atípicos sem a unidade correspondente.
Que moeda circulava entre 1398 e 1415 .
Isto são tópicos que temos de tentar explorar .
- Avelino Nascimento
- Fundador
- Mensagens: 4673
- Registado: 30 abr 08 19:19:49
- Colecção Preferencial: Numismatica Classica
- Nº Sócio SPN: 0
- Nº Sócio ANP: 1868
- Localização: Lisboa
Re: Perguntas fáceis para respostas difíceis
Olá 
Caríssimo Amigo Laulo,
Vamos elaborar uma ordem de trabalhos, bem ordenada.
Assim nestes termos:
1º - Capa
2º - Biografia
3º - A economia em Portugal nessa época
4º -
Siga a ordem com o que o amigo tem em ideia, s.f.f..
Obrigado e um forte abraço,
Caríssimo Amigo Laulo,
Vamos elaborar uma ordem de trabalhos, bem ordenada.
Assim nestes termos:
1º - Capa
2º - Biografia
3º - A economia em Portugal nessa época
4º -
Siga a ordem com o que o amigo tem em ideia, s.f.f..
Obrigado e um forte abraço,
Cumprimentos,
Avelino Nascimento
Avelino Nascimento
-
LauloBaptista
- Flor de Cunho
- Mensagens: 1430
- Registado: 21 ago 08 17:59:30
- Colecção Preferencial: Marteladaportuguesa
Re: Perguntas fáceis para respostas difíceis
A seguir à Biografia podíamos avançar com um conteúdo mais ou menos assim.
Como a cidade de Lisboa deu um serviço ao Mestre para ajuda de fazer moeda
Crónica d’ El-Rei D. João I por Fernão Lopes 1380-1460
CAPÍTULO XLIX
“Já vistes no recado d’el-rei D. Pedro quanto os reis de Portugal fizeram por ajuntar thesouros e haver riqueza por ter largamente que despender, quando lhe acontecesse de defender seus reinos ou mover outra guerra se vissem se lhe cumpria. E quanto eles trabalharam que aquele thesouro não viesse a tal mingoa porque em tais misteres conviesse lançar peita ao povo, tanto trabalhou el-rei D. Fernando de o gastar sem necessidade por vãs guerras e sem proveito e não sómente gastando todos os thesouros que lhe dos outros reis ficaram, mas lançou novamente sizas e mudou moedas em grande damno que o Mestre tomou cargo de regedor e defensor dos reinos não tinha nenhuma coisa com que manter a guerra, nem de que fizesse bem e mercê a aquelles”
Hoje, poderemos compreender as grande dificuldades que tiveram os nossos antepassados que escreveram sobre estas e outras moedas da 1ª.e 2ª.Dinastia, ao ponto de atribuírem numismas a Reis que as não cunharam ,em especial nos reinados de Afonso IV, D. Dinis , D.Pedro I , D Fernando , D. João I , D. Duarte e mesmo Afonso V, quanta documentação lemos nesse sentido, que ainda nos deixaram mais confusos para este trabalho porque, se não tivéssemos hoje boas obras à mão e a imagem das próprias moedas, incorreríamos nos mesmos erros, se é que o não estamos também a fazer involuntariamente.
Ao pegarmos na numária de D.João I , é nossa intenção , tentar-mos compreendê-la e chegar mais longe, deixando-a um pouco mais transparente e acessível a outros para que corrijam este trabalho ou o completem ; vamos deixar algumas expressões curiosas que retirámos de vários escritos medievais e contemporâneos , para que se possa perceber as dificuldades que se nos colocam para conhecermos bem as moedas deste reinado .
“ Inextricável labyrinto “ ; Revolução monetária ; Desordem no sistema monetário português ; variação e confusão ; mais recentemente , autêntica bagunça ” ; até tenho medo de abrir a boca ; a confusão volta a reinar e é um grande problema , palavras escritas e ditas por alguém que se referiu à moedas do Senhor de Ceuta ou mesmo do seu antecessor o Rei D. Fernando
A “Evolução ou Revolução monetária “ do reinado de D. Fernando, fez-se por necessidade de fazer nova moeda para suportar as despesas da guerra desastrosa que empreendeu contra Henrique II de Castela , sem o respectivo cabedal preciso para isso ,como alguém escreveu , empobrecendo e esvaziando o Tesouro que vinha dos seus antecessores e estava guardado na torre do castelo de Lisboa ; assim se cunhou o primeiro Real de Prata , o Real Branco , numa tentativa de criar uma moeda forte , e cunharam-se moedas de ouro, Dobras e Gentis e de outras denominações, de boa liga que só tinha acontecido nos reinados de Sancho I , Afonso II , e Sancho II ,com o Morabitino de ouro em substituição dos Maravedis mouriscos.
Como a cidade de Lisboa deu um serviço ao Mestre para ajuda de fazer moeda
Crónica d’ El-Rei D. João I por Fernão Lopes 1380-1460
CAPÍTULO XLIX
“Já vistes no recado d’el-rei D. Pedro quanto os reis de Portugal fizeram por ajuntar thesouros e haver riqueza por ter largamente que despender, quando lhe acontecesse de defender seus reinos ou mover outra guerra se vissem se lhe cumpria. E quanto eles trabalharam que aquele thesouro não viesse a tal mingoa porque em tais misteres conviesse lançar peita ao povo, tanto trabalhou el-rei D. Fernando de o gastar sem necessidade por vãs guerras e sem proveito e não sómente gastando todos os thesouros que lhe dos outros reis ficaram, mas lançou novamente sizas e mudou moedas em grande damno que o Mestre tomou cargo de regedor e defensor dos reinos não tinha nenhuma coisa com que manter a guerra, nem de que fizesse bem e mercê a aquelles”
Hoje, poderemos compreender as grande dificuldades que tiveram os nossos antepassados que escreveram sobre estas e outras moedas da 1ª.e 2ª.Dinastia, ao ponto de atribuírem numismas a Reis que as não cunharam ,em especial nos reinados de Afonso IV, D. Dinis , D.Pedro I , D Fernando , D. João I , D. Duarte e mesmo Afonso V, quanta documentação lemos nesse sentido, que ainda nos deixaram mais confusos para este trabalho porque, se não tivéssemos hoje boas obras à mão e a imagem das próprias moedas, incorreríamos nos mesmos erros, se é que o não estamos também a fazer involuntariamente.
Ao pegarmos na numária de D.João I , é nossa intenção , tentar-mos compreendê-la e chegar mais longe, deixando-a um pouco mais transparente e acessível a outros para que corrijam este trabalho ou o completem ; vamos deixar algumas expressões curiosas que retirámos de vários escritos medievais e contemporâneos , para que se possa perceber as dificuldades que se nos colocam para conhecermos bem as moedas deste reinado .
“ Inextricável labyrinto “ ; Revolução monetária ; Desordem no sistema monetário português ; variação e confusão ; mais recentemente , autêntica bagunça ” ; até tenho medo de abrir a boca ; a confusão volta a reinar e é um grande problema , palavras escritas e ditas por alguém que se referiu à moedas do Senhor de Ceuta ou mesmo do seu antecessor o Rei D. Fernando
A “Evolução ou Revolução monetária “ do reinado de D. Fernando, fez-se por necessidade de fazer nova moeda para suportar as despesas da guerra desastrosa que empreendeu contra Henrique II de Castela , sem o respectivo cabedal preciso para isso ,como alguém escreveu , empobrecendo e esvaziando o Tesouro que vinha dos seus antecessores e estava guardado na torre do castelo de Lisboa ; assim se cunhou o primeiro Real de Prata , o Real Branco , numa tentativa de criar uma moeda forte , e cunharam-se moedas de ouro, Dobras e Gentis e de outras denominações, de boa liga que só tinha acontecido nos reinados de Sancho I , Afonso II , e Sancho II ,com o Morabitino de ouro em substituição dos Maravedis mouriscos.
- Avelino Nascimento
- Fundador
- Mensagens: 4673
- Registado: 30 abr 08 19:19:49
- Colecção Preferencial: Numismatica Classica
- Nº Sócio SPN: 0
- Nº Sócio ANP: 1868
- Localização: Lisboa
Re: Perguntas fáceis para respostas difíceis
Amigo Laulo 
Eu peço-lhe uma coisa e o caro manda-me já um trabalho feito
Temos que ter um inicio, meio e fim, por muito que a distância entre o inicio e o fim seja enorme, é que não vejo um trabalho histórico/monetário deste rei em meia dúzia de páginas.
Isto parece mais complicado do que é, basta ter-mos calma e toda a gente perceber a ideia, então temos a Capa que o amigo idealizou e bem, para este nosso projecto e foi aceite por todos, pronto, foi movida para a prateleira do trabalho realizado e diferido por todos.
A seguir temos a biografia do monarca, que ainda não se decidiu por todos se está bem ou não se falta alguma coisa ou se alguma coisa está a mais...
Depois, concordámos discutir a economia de Portugal nessa época que, acho, é onde se pode encaixar já esse seu trabalho.
Vamos concluir a biografia do Rei, vamos esperar que mais alguém exponha alguma coisa e então concluímos a biografia
Abraços,
Eu peço-lhe uma coisa e o caro manda-me já um trabalho feito
Temos que ter um inicio, meio e fim, por muito que a distância entre o inicio e o fim seja enorme, é que não vejo um trabalho histórico/monetário deste rei em meia dúzia de páginas.
Isto parece mais complicado do que é, basta ter-mos calma e toda a gente perceber a ideia, então temos a Capa que o amigo idealizou e bem, para este nosso projecto e foi aceite por todos, pronto, foi movida para a prateleira do trabalho realizado e diferido por todos.
A seguir temos a biografia do monarca, que ainda não se decidiu por todos se está bem ou não se falta alguma coisa ou se alguma coisa está a mais...
Depois, concordámos discutir a economia de Portugal nessa época que, acho, é onde se pode encaixar já esse seu trabalho.
Vamos concluir a biografia do Rei, vamos esperar que mais alguém exponha alguma coisa e então concluímos a biografia
Abraços,
Cumprimentos,
Avelino Nascimento
Avelino Nascimento
-
LauloBaptista
- Flor de Cunho
- Mensagens: 1430
- Registado: 21 ago 08 17:59:30
- Colecção Preferencial: Marteladaportuguesa
Re: Perguntas fáceis para respostas difíceis
Avelino - Para mim a Biografia que colocastes está muito bem , porque se cada um for a um historiador , terá a mesma Biografia descrita de outro modo , para no fim dizer o mesmo , se esperamos um tempo imprevisto para que saiamos deste ponto , bem podemos esperar sentados , talvez por eu me ter entusiamado demasiado e ter um pouco mais de tempo do que aqueles que ocupam o seu tempo com o trabaho profissional me levem a estar desejoso de saber coisas que não sei , tenho um livro com o Título " Os Itinerários de D. João I " Existe outro com a " Lei Mental " etc . etc. O que nos move são as moedas e o seu caminho e é por elas que nos temos bater .
Avelino , quando penso em iniciar qualquer trabalho , faço-o com muitas limitações e para meu uso pessoal e por ter muitas dúvidas e ainda mais uma coisa , é que estou diàriamente a corrigir coisas que no dia anterior julgava que estavam correctas e afinal não era bem assim e sinto que não estou em condições de poder apresentar algo de que me orgulho , tenho vindo a lêr o Teixeira de Aragão , sobre a numária do D. João I , e enontram-se algumas coisas que hoje estão mais correctas do que quando ele as descreveu na sua grande obra , se quizerem eu indico-as.
Afinal quem é que sabe tudo ? Todos
Tudo é projecto muito rudimentar , razão porque ao colocar o Tema no fórum foi minha intenção colaborar e aprender com a sabedoria dos outros .
Como atrás referi , tenho um pequeno projecto de trabalho elaborado com os respectivos capítulos do que pretendo e , a minha visão da numismática é sempre polémica e sinto que colide por vezes com a visão dos outros e com a realidade , dou um exemplo o caso das Mealhas , foram cunhadas , não foram cunhadas ?, se foram quem as mandou cunhar ? teriam sido cortadas dos dinheiros, à dentada ? cortadas com uma tisoira no século XII ?
Vamos aguardar para ver o que dizem os colegas.
Laulo Baptista.
Avelino , quando penso em iniciar qualquer trabalho , faço-o com muitas limitações e para meu uso pessoal e por ter muitas dúvidas e ainda mais uma coisa , é que estou diàriamente a corrigir coisas que no dia anterior julgava que estavam correctas e afinal não era bem assim e sinto que não estou em condições de poder apresentar algo de que me orgulho , tenho vindo a lêr o Teixeira de Aragão , sobre a numária do D. João I , e enontram-se algumas coisas que hoje estão mais correctas do que quando ele as descreveu na sua grande obra , se quizerem eu indico-as.
Afinal quem é que sabe tudo ? Todos
Tudo é projecto muito rudimentar , razão porque ao colocar o Tema no fórum foi minha intenção colaborar e aprender com a sabedoria dos outros .
Como atrás referi , tenho um pequeno projecto de trabalho elaborado com os respectivos capítulos do que pretendo e , a minha visão da numismática é sempre polémica e sinto que colide por vezes com a visão dos outros e com a realidade , dou um exemplo o caso das Mealhas , foram cunhadas , não foram cunhadas ?, se foram quem as mandou cunhar ? teriam sido cortadas dos dinheiros, à dentada ? cortadas com uma tisoira no século XII ?
Vamos aguardar para ver o que dizem os colegas.
Laulo Baptista.
- Bandadolopes
- Administrador
- Mensagens: 16137
- Registado: 01 mai 08 2:02:47
- Colecção Preferencial: Moeda Monarquia PT
- Nº Sócio SPN: 3572
- Nº Sócio ANP: 2070
- Localização: Vilamoura / Espinho
- Contacto:
Re: Perguntas fáceis para respostas difíceis
LauloBaptista Escreveu:Vamos aguardar para ver o que dizem os colegas.
Bem, isto para mim não é tema fácil. Não sei onde poderei ajudar.
Pensei que talvez usando a bibliografia que tenho, se acharem por bem, possa criar um capítulo que se poderia chamar:
A Numária de D. João I nas grandes colecções de Portugal
Poderia fazer uma descrição pormenorizada (incluindo imagens) dos exemplares que constam em algumas das importantes acervos numismáticos portugueses, como o do BES, do Museu Numismático Português e do Gabinete de Numismática da C. M. do Porto (pelo menos).
Cumprimentos,
Alberto Praça
Alberto Praça
- Avelino Nascimento
- Fundador
- Mensagens: 4673
- Registado: 30 abr 08 19:19:49
- Colecção Preferencial: Numismatica Classica
- Nº Sócio SPN: 0
- Nº Sócio ANP: 1868
- Localização: Lisboa
Re: Perguntas fáceis para respostas difíceis
Olá 
Ontem falei no nosso chat sobre esta ideia do Alberto, penso ser uma boa ideia para ser aplicada na conclusão deste projecto.
Portanto, no fim, teremos um apanhado das moedas deste monarca das colecções citadas, pelo menos.
Dei por concluida a biografia, dei-lhe uns pequenos retoques na pontuação e gramatica (dentro das minhas pobres capacidades, claro), e moveu-se para a respectiva pasta dos documentos terminados (nada está terminado, se ainda houver coisas a editar de alguém com mais informação, é só expor).
Vamos passar para a fase seguinte que será a parte:
3 - A economia em Portugal nessa época.
Podemos trabalhar a partir do que o nosso Laulo já expôs:
Fortes abraços,
Ontem falei no nosso chat sobre esta ideia do Alberto, penso ser uma boa ideia para ser aplicada na conclusão deste projecto.
Portanto, no fim, teremos um apanhado das moedas deste monarca das colecções citadas, pelo menos.
Dei por concluida a biografia, dei-lhe uns pequenos retoques na pontuação e gramatica (dentro das minhas pobres capacidades, claro), e moveu-se para a respectiva pasta dos documentos terminados (nada está terminado, se ainda houver coisas a editar de alguém com mais informação, é só expor).
Vamos passar para a fase seguinte que será a parte:
3 - A economia em Portugal nessa época.
Podemos trabalhar a partir do que o nosso Laulo já expôs:
Vamos a isso?LauloBaptista Escreveu:Como a cidade de Lisboa deu um serviço ao Mestre para ajuda de fazer moeda
Crónica d’ El-Rei D. João I por Fernão Lopes 1380-1460
CAPÍTULO XLIX
“Já vistes no recado d’el-rei D. Pedro quanto os reis de Portugal fizeram por ajuntar thesouros e haver riqueza por ter largamente que despender, quando lhe acontecesse de defender seus reinos ou mover outra guerra se vissem se lhe cumpria. E quanto eles trabalharam que aquele thesouro não viesse a tal mingoa porque em tais misteres conviesse lançar peita ao povo, tanto trabalhou el-rei D. Fernando de o gastar sem necessidade por vãs guerras e sem proveito e não sómente gastando todos os thesouros que lhe dos outros reis ficaram, mas lançou novamente sizas e mudou moedas em grande damno que o Mestre tomou cargo de regedor e defensor dos reinos não tinha nenhuma coisa com que manter a guerra, nem de que fizesse bem e mercê a aquelles”
Hoje, poderemos compreender as grande dificuldades que tiveram os nossos antepassados que escreveram sobre estas e outras moedas da 1ª.e 2ª.Dinastia, ao ponto de atribuírem numismas a Reis que as não cunharam, em especial nos reinados de Afonso IV, D. Dinis, D. Pedro I, D. Fernando, D. João I, D. Duarte e mesmo D. Afonso V, quanta documentação lemos nesse sentido, que ainda nos deixaram mais confusos para este trabalho porque, se não tivéssemos hoje boas obras à mão e a imagem das próprias moedas, incorreríamos nos mesmos erros, se é que o não estamos também a fazer involuntariamente.
Ao pegarmos na numária de D.João I, é nossa intenção, tentar-mos compreendê-la e chegar mais longe, deixando-a um pouco mais transparente e acessível a outros para que corrijam este trabalho ou o completem; vamos deixar algumas expressões curiosas que retirámos de vários escritos medievais e contemporâneos, para que se possa perceber as dificuldades que se nos colocam para conhecermos bem as moedas deste reinado.
“Inextricável labirinto; Revolução monetária; Desordem no sistema monetário português; variação e confusão; mais recentemente, autêntica bagunça”; até tenho medo de abrir a boca; a confusão volta a reinar e é um grande problema, palavras escritas e ditas por alguém que se referiu às moedas do Senhor de Ceuta ou mesmo do seu antecessor o Rei D. Fernando.
Fortes abraços,
Cumprimentos,
Avelino Nascimento
Avelino Nascimento
- sagh
- Moderador Global
- Mensagens: 3938
- Registado: 01 mai 08 19:30:09
- Colecção Preferencial: Moedas medievais
- Localização: Monchique/Lagos/Algarve
Re: Perguntas fáceis para respostas difíceis
E das nossas colecções...Avelino Nascimento Escreveu:Portanto, no fim, teremos um apanhado das moedas deste monarca das colecções citadas, pelo menos.
que podem não ser famosas mas que também são boas!
Paulo Carreira ... mais conhecido por sagh
Heráldica em Pins
Lista de moedas - actualizada em 28-2-2010 - AGORA COM NOTAS
Heráldica em Pins
Lista de moedas - actualizada em 28-2-2010 - AGORA COM NOTAS
- marreta
- MBC
- Mensagens: 369
- Registado: 06 ago 08 0:02:21
Re: Perguntas fáceis para respostas difíceis
Como parece que estão todos à espera que passe a caminete
, aqui vai mais uma achega.
O reinado de D. João, coicide com um periodo de crise generalizada na europa.
A escassez de prata motivada por
- baixa na produção mineira europeia
- guerras entre estados
- falta de mão de obra
- crescimento do comércio e consequente necessidade crescente de numerário
- drenagem da prata para os mercados orientais, principalmente através dos venezianos e mundo árabe.
Todos estes factores levam a um aumento do valor da prata em relação ao ouro. Existe uma tendência dos paises europeus em baixar o valor interínseco das suas moedas por forma a "captar" a prata dos reinos vizinhos.
Em Portugal estes factores são ainda agravados pelo depauperado estado do tesouro real herdado do mau governo de D. Fernando, quando surge a crise sucessória de 1383.
D. João, com os cofres vazios e tendo que custear guerras sucessivas com Castela, lança mão do estratagema da desvalorização constante da moeda nacional. Fá-lo pela redução do teor de prata em cada nova emissão e, quando esta já não é possivel, pela introdução de novos tipos de maior valor facial.
Esta situação leva a uma inflação de proporções nunca antes vistas no reino e que, apesar das muitas crises que o país atravessou, não voltou a ser atingida até aos nossos dias.
- marreta
- MBC
- Mensagens: 369
- Registado: 06 ago 08 0:02:21
Re: Perguntas fáceis para respostas difíceis
Gráficos da evolução do poder de compra durante as duas primeiras dinastias portuguesas:
fonte: 850 anos de história de inflação em Portugal, Pedro Vasconcelos
fonte: 850 anos de história de inflação em Portugal, Pedro Vasconcelos
-
LauloBaptista
- Flor de Cunho
- Mensagens: 1430
- Registado: 21 ago 08 17:59:30
- Colecção Preferencial: Marteladaportuguesa
Re: Perguntas fáceis para respostas difíceis
Porque os escassos elementos que estão a aparecer para o trabalho já iniciado e que já foi seleccionado! E porque é difícil alguém entrar em trabalhos que outros já elaboraram, caso do meu, como introdutivo daquilo que me apercebi do que foi o princípio que historiadores e autores descreveram na cunhagem das moedas de D. João I, perdi ultimamente um pouco mais de tempo e dei seguimento ao que já tinha feito.
Por isso, o que vou apresentar é uma sequência do que já apresentei e entendi, bem ou mal, o que deveria ser um ponto de partida para posteriormente se fazer um estudo histórico de cada uma das moedas que se foram cunhando, ordenando-as sequencialmente, começando pelo Real de 10 Soldos de 9 dinheiros e por aí fora até à últimas cunhadas depois de 1415.
Corrijam ortograficamente ou morfologicamente, alterem, acrescentem, façam, critiquem porque por agora a minha contribuição está dada e se entenderem descrevam e historiem as moedas cunhadas entre 1383-1385, os Reais de 10 Soldos de prata e os meios Reais de 10 Soldos também em prata, porque é este o ponto que eu acho correcto para se dar seguimento mas a minha opinião não faz lei e cada cabeça cada sentença.
Os primeiros Reais do Mestre de Avis
D. João Mestre de Avis, tentou imitar as moedas de prata do seu irmão, com a cunhagem do Real de Prata de 10 Soldos de 9 dinheiros, e os Meios-Reais, valendo 5 Soldos enquanto Defensor e Regedor do Reino, cunhados nas oficinas de Lisboa e do Porto, com algumas semelhanças na tipologia, pequenas correcções nas legendas e no monograma, Fernão Lopes, escreveu na Crónica, que D. João Mestre de Avis, recebeu o grande serviço de Mil dobras que Lisboa lhe "apromptou" e 287 Marcos de prata em cruzes, cálices e outras peças que a Sé e outras 20 igrejas de Lisboa lhe emprestou (não falando no ouro e prata que por todo o país se juntou), em troca de privilégios que concedeu; a motivação era muita em ajudar o Mestre, com a intenção deste em criar uma moeda nacional que fosse forte, pura, o Real, que substituísse o sistema (LSD) – Libra, Soldo e Dinheiro, que estava implantado também nos outros países, usado desde o Séc. IX integrado no sistema carolíngio, que mostrasse a soberania e independência de Portugal perante Castela; e também por necessidade de uso interno e que fosse credível e aceite nas transacções comerciais com as outras nações estrangeiras; porque a alteração dos sistemas monetários já estavam a acontecer por toda a Europa.
Para essa realização, imitou as Blancas e os Reais, com monogramas e tipologias de Moedas que em Leão e Castela, D. Juan I (1379–1390), casado com D. Beatriz filha de D. Fernando e Leonor Teles, pretendente ao trono português, já tinham cunhado e circularam em Lisboa no interregno entre 1383-1385, nas imagens que apresentamos a seguir poderemos observar a grande semelhança dos numismas no seguimento daquilo que todos os nossos monarcas da 1ª. Dinastia já tinham feito.
O Real de 10 Soldos onde entravam 9 dinheiros de prata (750g), bem pesantes, fortes, machos ou puros na liga ou na Lei, como se dizia nos Séc.XVIII/XIX, D. João, ainda Regente, cunhou-o numa sequência da numária de D. Fernando I com o aparecimento pela primeira vez o Real de prata; D. João aproveitando a revolução monetária que o seu antecessor tinha efectuado nas moedas portuguesas, com a introdução no sistema de muita moeda com liga de Prata; contribui para a cunhagem destes Reais, a quebra das moedas como os Pilartes, Graves, Barbudas, Meias Barbudas, Tornezes, os Meios Tornezes, que o Mestre aproveitou para fundi-las logo que tomou as rédeas do Reino após as Cortes de Coimbra; já Rei, a partir de 1385 até 1398 continuaram a ser cunhados Reais de 10 Soldos e os seus divisionários em liga cada vez mais reduzida, bem como nos pesos e diâmetros, agora também na Casa da Moeda de Évora, cunhou outros Reais, Meios Reais e Quartos de real, com variadas ligas e variantes atípicas na sua tipologia, no escudo e no seu monograma, com a inclusão da cruz equilateral; atendemos no escudo amendoado do Meios Reais atípicos de Évora, com alguma semelhança com o escudo usado nos dinheiros dos nossos primeiros monarcas
Todas estas mutações nas moedas do Mestre de Avis, são justificadas devido à degradação das condições de vida que o povo português vinha passando e também o europeu “a crise monetária que a guerra dos Cem Anos (1337-1453), provocou e que atravessou 2/3 do Séc. XIV e mais de metade do Séc XV, ajudou a aumentar a pobreza e se acrescentarmos as fomes, como a de 1315; a peste negra (1347-1350), mortandade de "48", a "grande pestenença", como ficou conhecida, que dizimou 1/3 da população europeia e em Portugal fez "graúdo morticínio", como escreveu Joel Serrão, a Guerra com Castela (1369-1382) a quebra demográfica, falta de mão de obra rural, diminuição da produção agrícola com a fuga das populações para as zonas urbanas, D. Fernando criou a "Lei das Sesmarias", para que, quem não cultivasse as terras, lhes fossem retiradas; a diminuição da existência no mercado dos metais preciosos por falta de maquinaria apropriada à sua extracção, as minas de ouro e prata estavam inactivas e praticamente esgotadas, tudo isto contribui para a grande crise 1383-1385, para além da sucessão ao trono de Portugal.
O cobre, aparece pela primeira vez no estado puro na cunhagem de algumas moedas que o Povo as distinguia bem, por serem de cor escura (Real de 3½ £-Preto) em oposição ao Real branco, que alguns autores medievais atribuem o seu nome à moeda de nome Ceitil; o preço do cobre que inicialmente tinha sido cotado a um valor, repentinamente passou a custar o dobro e a faltar nos mercados europeus, dos metais preciosos, uma das consequências para a procura de ouro e prata, juntamente com os cereais noutras zonas do Globo, pretextos suficientes para se justificar o início dos grandes descobrimentos portugueses, com a conquista de Ceuta em 1415.
No reinado de D. João I, entre 1383-1408, com o recurso à quebra da moeda deu-se a grande desvalorização, 1 Real Branco era igual ao poder de compra de 1 Soldo antes da crise 1383/1385; o mesmo Real Branco valia 700 Soldos em 1423, o Rei ia alterando as moedas em consequência da depreciação da libra de 1/12 o Marco em Afonso III, 1/14 em D. Dinis, 1/18 em D. Afonso IV e para 1/19 com D. Pedro I chegando no seu tempo a 1/35 a Libra, ia-se cunhando moeda com o mesmo valor mas retirando-lhe peso deixando-a menos pesante em relação à liga de prata, conhecida por moeda febre, por isso a nobreza e o clero protestaram pela menor valia da moeda, que atingia os seus bens, e consequentemente diminuição nas rendas pelos contractos e escrituras de aforamentos e arrendamentos, a subida de impostos e o reino a ficar com menos entesouramento, e o Povo? Este tinha as maiores dificuldades no acesso aos bens essenciais para se alimentar e passava fome, com o agravamento constante do custo acelerado da vida, do preço dos bens, escassez do trigo em toda a Europa, contribuía bastante para isso; as terras mantinham-se por cultivar.
“Imediatamente após as primeiras cunhagens das moedas surgiram queixas sobre a sua constante saída para o estrangeiro, o que levou à recolha dos primeiros Reais, mais ricos em prata, para serem fundidos e de novo colocados no mercado com muito menos metal precioso”.
«Entre 1383 e 1408 o recurso à quebra de moeda como financiamento dos avultados encargos com a defesa nacional, originou uma desvalorização da moeda de conta (libra) estimada em 50.000 por cento ou 500 vezes».
(A. Gomes in “Moedas Portuguesas na Época dos Descobrimentos 1385-1580”)
«Sobre o que Manoel Severim de Faria tinha escrito dois séculos antes, “IN NOTÍCIAS DE PORTUGAL”, e o que escreveu Fernão Lopes na Crónica de El-rei D. João I.
"E com tudo isto o povo, com amor a El-rei, respeitou tanto esta moeda, ainda que cheia de tanta liga, que muitos traziam estes Reais de Prata ao pescoço como couza santa, affirmando que lhe valia contra enfermidades. Estas eram as moedas de Reais de 10 Soldos que o Mestre tinha mandado cunhar enquanto Regente, em que entravam 9 dinheiros na liga"».
(António Caetano de Sousa “In História Genealógica da Casa Real Portuguesa no Tomo IV”)
A grande desvalorização e depreciação do Real, levou os Nobres e o Clero, principalmente estes a reclamarem ao rei; os contractos haviam sido feitos quando o Marco estava cotado por um valor muito superior, é fácil compreender como D. João I teve que enfrentar as classes dominantes para ultrapassar esta crise.
«No tempo del-Rey D. João I, teve o Clero de Braga um pleito com o mesmo Rey, que refere D. Rodrigo da Cunha na Hist. De Braga Cap. 20§29 com estas palavras; Item. "O dito Senhor mudou muitas vezes as Moedas in quantitati & valor pondo certas estimações às Moedas antigas, nas quais eram feitos os contratos; e aonde havia quatro marcos de prata de Moeda antiga por as ditas estimações das Moedas Novas se torna o marco e meyo de prata, e ficaõ defraudadas em dous marcos e meyo"»
(In Genealogia da Casa Real Portuguesa , Tomo IV - António Caetano Sousa)
Com toda esta variação na moeda, D. João I "não fez mais do que já tinham feito os Romanos e d’El-Rey D. Henrique de Castella, o Nobre" e assim foi engordando o Real Erário para bem da Coroa e da Nação, foi com isto, que o Reino foi ganhando dinheiro para suportar as despesas das guerras e do inicio das expedições ao norte de África.
Real de prata de 10 soldos da libra que foram cunhados entre 1385-1398, logo no início do seu reinado e que circularam durante 14 anos, D. João I, através de Carta Régia, determinou que a moeda de prata não circulasse mais no reino e mandou quebrá-la e em sua substituição, em 1398 mandou cunhar o Real de 3½ £, com menos toque.
Por isso, o que vou apresentar é uma sequência do que já apresentei e entendi, bem ou mal, o que deveria ser um ponto de partida para posteriormente se fazer um estudo histórico de cada uma das moedas que se foram cunhando, ordenando-as sequencialmente, começando pelo Real de 10 Soldos de 9 dinheiros e por aí fora até à últimas cunhadas depois de 1415.
Corrijam ortograficamente ou morfologicamente, alterem, acrescentem, façam, critiquem porque por agora a minha contribuição está dada e se entenderem descrevam e historiem as moedas cunhadas entre 1383-1385, os Reais de 10 Soldos de prata e os meios Reais de 10 Soldos também em prata, porque é este o ponto que eu acho correcto para se dar seguimento mas a minha opinião não faz lei e cada cabeça cada sentença.
Os primeiros Reais do Mestre de Avis
D. João Mestre de Avis, tentou imitar as moedas de prata do seu irmão, com a cunhagem do Real de Prata de 10 Soldos de 9 dinheiros, e os Meios-Reais, valendo 5 Soldos enquanto Defensor e Regedor do Reino, cunhados nas oficinas de Lisboa e do Porto, com algumas semelhanças na tipologia, pequenas correcções nas legendas e no monograma, Fernão Lopes, escreveu na Crónica, que D. João Mestre de Avis, recebeu o grande serviço de Mil dobras que Lisboa lhe "apromptou" e 287 Marcos de prata em cruzes, cálices e outras peças que a Sé e outras 20 igrejas de Lisboa lhe emprestou (não falando no ouro e prata que por todo o país se juntou), em troca de privilégios que concedeu; a motivação era muita em ajudar o Mestre, com a intenção deste em criar uma moeda nacional que fosse forte, pura, o Real, que substituísse o sistema (LSD) – Libra, Soldo e Dinheiro, que estava implantado também nos outros países, usado desde o Séc. IX integrado no sistema carolíngio, que mostrasse a soberania e independência de Portugal perante Castela; e também por necessidade de uso interno e que fosse credível e aceite nas transacções comerciais com as outras nações estrangeiras; porque a alteração dos sistemas monetários já estavam a acontecer por toda a Europa.
Para essa realização, imitou as Blancas e os Reais, com monogramas e tipologias de Moedas que em Leão e Castela, D. Juan I (1379–1390), casado com D. Beatriz filha de D. Fernando e Leonor Teles, pretendente ao trono português, já tinham cunhado e circularam em Lisboa no interregno entre 1383-1385, nas imagens que apresentamos a seguir poderemos observar a grande semelhança dos numismas no seguimento daquilo que todos os nossos monarcas da 1ª. Dinastia já tinham feito.
O Real de 10 Soldos onde entravam 9 dinheiros de prata (750g), bem pesantes, fortes, machos ou puros na liga ou na Lei, como se dizia nos Séc.XVIII/XIX, D. João, ainda Regente, cunhou-o numa sequência da numária de D. Fernando I com o aparecimento pela primeira vez o Real de prata; D. João aproveitando a revolução monetária que o seu antecessor tinha efectuado nas moedas portuguesas, com a introdução no sistema de muita moeda com liga de Prata; contribui para a cunhagem destes Reais, a quebra das moedas como os Pilartes, Graves, Barbudas, Meias Barbudas, Tornezes, os Meios Tornezes, que o Mestre aproveitou para fundi-las logo que tomou as rédeas do Reino após as Cortes de Coimbra; já Rei, a partir de 1385 até 1398 continuaram a ser cunhados Reais de 10 Soldos e os seus divisionários em liga cada vez mais reduzida, bem como nos pesos e diâmetros, agora também na Casa da Moeda de Évora, cunhou outros Reais, Meios Reais e Quartos de real, com variadas ligas e variantes atípicas na sua tipologia, no escudo e no seu monograma, com a inclusão da cruz equilateral; atendemos no escudo amendoado do Meios Reais atípicos de Évora, com alguma semelhança com o escudo usado nos dinheiros dos nossos primeiros monarcas
Todas estas mutações nas moedas do Mestre de Avis, são justificadas devido à degradação das condições de vida que o povo português vinha passando e também o europeu “a crise monetária que a guerra dos Cem Anos (1337-1453), provocou e que atravessou 2/3 do Séc. XIV e mais de metade do Séc XV, ajudou a aumentar a pobreza e se acrescentarmos as fomes, como a de 1315; a peste negra (1347-1350), mortandade de "48", a "grande pestenença", como ficou conhecida, que dizimou 1/3 da população europeia e em Portugal fez "graúdo morticínio", como escreveu Joel Serrão, a Guerra com Castela (1369-1382) a quebra demográfica, falta de mão de obra rural, diminuição da produção agrícola com a fuga das populações para as zonas urbanas, D. Fernando criou a "Lei das Sesmarias", para que, quem não cultivasse as terras, lhes fossem retiradas; a diminuição da existência no mercado dos metais preciosos por falta de maquinaria apropriada à sua extracção, as minas de ouro e prata estavam inactivas e praticamente esgotadas, tudo isto contribui para a grande crise 1383-1385, para além da sucessão ao trono de Portugal.
O cobre, aparece pela primeira vez no estado puro na cunhagem de algumas moedas que o Povo as distinguia bem, por serem de cor escura (Real de 3½ £-Preto) em oposição ao Real branco, que alguns autores medievais atribuem o seu nome à moeda de nome Ceitil; o preço do cobre que inicialmente tinha sido cotado a um valor, repentinamente passou a custar o dobro e a faltar nos mercados europeus, dos metais preciosos, uma das consequências para a procura de ouro e prata, juntamente com os cereais noutras zonas do Globo, pretextos suficientes para se justificar o início dos grandes descobrimentos portugueses, com a conquista de Ceuta em 1415.
No reinado de D. João I, entre 1383-1408, com o recurso à quebra da moeda deu-se a grande desvalorização, 1 Real Branco era igual ao poder de compra de 1 Soldo antes da crise 1383/1385; o mesmo Real Branco valia 700 Soldos em 1423, o Rei ia alterando as moedas em consequência da depreciação da libra de 1/12 o Marco em Afonso III, 1/14 em D. Dinis, 1/18 em D. Afonso IV e para 1/19 com D. Pedro I chegando no seu tempo a 1/35 a Libra, ia-se cunhando moeda com o mesmo valor mas retirando-lhe peso deixando-a menos pesante em relação à liga de prata, conhecida por moeda febre, por isso a nobreza e o clero protestaram pela menor valia da moeda, que atingia os seus bens, e consequentemente diminuição nas rendas pelos contractos e escrituras de aforamentos e arrendamentos, a subida de impostos e o reino a ficar com menos entesouramento, e o Povo? Este tinha as maiores dificuldades no acesso aos bens essenciais para se alimentar e passava fome, com o agravamento constante do custo acelerado da vida, do preço dos bens, escassez do trigo em toda a Europa, contribuía bastante para isso; as terras mantinham-se por cultivar.
“Imediatamente após as primeiras cunhagens das moedas surgiram queixas sobre a sua constante saída para o estrangeiro, o que levou à recolha dos primeiros Reais, mais ricos em prata, para serem fundidos e de novo colocados no mercado com muito menos metal precioso”.
«Entre 1383 e 1408 o recurso à quebra de moeda como financiamento dos avultados encargos com a defesa nacional, originou uma desvalorização da moeda de conta (libra) estimada em 50.000 por cento ou 500 vezes».
(A. Gomes in “Moedas Portuguesas na Época dos Descobrimentos 1385-1580”)
«Sobre o que Manoel Severim de Faria tinha escrito dois séculos antes, “IN NOTÍCIAS DE PORTUGAL”, e o que escreveu Fernão Lopes na Crónica de El-rei D. João I.
"E com tudo isto o povo, com amor a El-rei, respeitou tanto esta moeda, ainda que cheia de tanta liga, que muitos traziam estes Reais de Prata ao pescoço como couza santa, affirmando que lhe valia contra enfermidades. Estas eram as moedas de Reais de 10 Soldos que o Mestre tinha mandado cunhar enquanto Regente, em que entravam 9 dinheiros na liga"».
(António Caetano de Sousa “In História Genealógica da Casa Real Portuguesa no Tomo IV”)
A grande desvalorização e depreciação do Real, levou os Nobres e o Clero, principalmente estes a reclamarem ao rei; os contractos haviam sido feitos quando o Marco estava cotado por um valor muito superior, é fácil compreender como D. João I teve que enfrentar as classes dominantes para ultrapassar esta crise.
«No tempo del-Rey D. João I, teve o Clero de Braga um pleito com o mesmo Rey, que refere D. Rodrigo da Cunha na Hist. De Braga Cap. 20§29 com estas palavras; Item. "O dito Senhor mudou muitas vezes as Moedas in quantitati & valor pondo certas estimações às Moedas antigas, nas quais eram feitos os contratos; e aonde havia quatro marcos de prata de Moeda antiga por as ditas estimações das Moedas Novas se torna o marco e meyo de prata, e ficaõ defraudadas em dous marcos e meyo"»
(In Genealogia da Casa Real Portuguesa , Tomo IV - António Caetano Sousa)
Com toda esta variação na moeda, D. João I "não fez mais do que já tinham feito os Romanos e d’El-Rey D. Henrique de Castella, o Nobre" e assim foi engordando o Real Erário para bem da Coroa e da Nação, foi com isto, que o Reino foi ganhando dinheiro para suportar as despesas das guerras e do inicio das expedições ao norte de África.
Real de prata de 10 soldos da libra que foram cunhados entre 1385-1398, logo no início do seu reinado e que circularam durante 14 anos, D. João I, através de Carta Régia, determinou que a moeda de prata não circulasse mais no reino e mandou quebrá-la e em sua substituição, em 1398 mandou cunhar o Real de 3½ £, com menos toque.
- Avelino Nascimento
- Fundador
- Mensagens: 4673
- Registado: 30 abr 08 19:19:49
- Colecção Preferencial: Numismatica Classica
- Nº Sócio SPN: 0
- Nº Sócio ANP: 1868
- Localização: Lisboa
Re: Perguntas fáceis para respostas difíceis
Olá 
E o trabalho que está lá para trás, está bem assim?
Forte abraço,
Caríssimo Amigo Laulo, não estou a entender aquelas 750 gr, poderá explicar melhor?LauloBaptista Escreveu:(...)
O Real de 10 Soldos onde entravam 9 dinheiros de prata (750 gr), bem pesantes, fortes, machos ou puros na liga ou na Lei, como se dizia nos Séc.XVIII/XIX, D. João, ainda Regente, cunhou-o numa sequência da numária de D. Fernando I com o aparecimento pela primeira vez o Real de prata;(...)
E o trabalho que está lá para trás, está bem assim?
Forte abraço,
Cumprimentos,
Avelino Nascimento
Avelino Nascimento
-
LauloBaptista
- Flor de Cunho
- Mensagens: 1430
- Registado: 21 ago 08 17:59:30
- Colecção Preferencial: Marteladaportuguesa
Re: Perguntas fáceis para respostas difíceis
Avelino – A unidade da prata pura corresponde a 1.000 = 12 dinheiros
1000g/12 = 83,3g............................. 1 dinheiro
9 dinheiros X 83,3 = 750g ..................... 9 dinheiros
2 dinheiros de prata 83.3 = 166,3
3 dinheiros ......................... 250g
etc.
Obs: O máximo com que se cunham ou cunhavam as moedas de prata correspondia a 11 dinheiros 916.6 + ou –, porque os restantes 83,3 eram cobre, visto que se cunhassem moedas em prata pura = 1000g. Os desgastes eram maior e a moeda devido à sua maleabilidade face (metal /prata); para lhe dar resistência entrava na talha o restante em cobre.
A maior parte dos nossos autores que escreveram sobre as moedas brancas, diziam que a liga era de estanho e cobre, e que o estanho é que as fazia brancas.
Por exemplo as moedas de 10 Soldos e a Branca de 10 Reais, a primeira de 9 dinheiros e as segundas de 10 dinheiros, correram ou circularam pelo mesmo valor das que só tinha entrado um dinheiro de prata (83,3g) na liga, razão porque eram levadas pelos mercadores para os seus países, e por cá o Povo, guardava-as ou vendias, dada a quantidade de prata de que eram feitas.
Obs.: Estes valores entravam proporcionalmente na liga que era feita para a cunhagem das moedas e por cada Marco (229,5g) de prata correspondia tantas moedas com o peso de
.......................
Exemplo:
Talha/Marco, para se saber o custo de produção de cada moeda, sabendo que o Marco (229,5g) de prata custava no Séc. XV 2.028 Réis e entravam 54 moedas no Marco, cada moeda custava ao Erário do Reino 37,555 (38 Reis), depois tinha a Senhoriagem ou Braçagem a acrescentar ao valor intrínseco (do metal) e daria o valor da moeda a colocar em circulação.
Peças – Moedas/Marco – O peso do Marco eram + ou – 229,5g, como a talha eram 54 em Marco, é fácil fazer as contas – O peso de cada moeda seriam 4,25g, cada.
Resumindo: 4,25 gramas cada moeda se entravam 9 dinheiros (0,750g de prata por unidade).................... prata.................. 3,1875g ....... 9 dinheiros.......... 750‰
Cobre.................. 1,0625g ................................. 250‰
Para o OURO é em quilates – 916,66g .............................. 22 quilates
1000g/12 = 83,3g............................. 1 dinheiro
9 dinheiros X 83,3 = 750g ..................... 9 dinheiros
2 dinheiros de prata 83.3 = 166,3
3 dinheiros ......................... 250g
etc.
Obs: O máximo com que se cunham ou cunhavam as moedas de prata correspondia a 11 dinheiros 916.6 + ou –, porque os restantes 83,3 eram cobre, visto que se cunhassem moedas em prata pura = 1000g. Os desgastes eram maior e a moeda devido à sua maleabilidade face (metal /prata); para lhe dar resistência entrava na talha o restante em cobre.
A maior parte dos nossos autores que escreveram sobre as moedas brancas, diziam que a liga era de estanho e cobre, e que o estanho é que as fazia brancas.
Por exemplo as moedas de 10 Soldos e a Branca de 10 Reais, a primeira de 9 dinheiros e as segundas de 10 dinheiros, correram ou circularam pelo mesmo valor das que só tinha entrado um dinheiro de prata (83,3g) na liga, razão porque eram levadas pelos mercadores para os seus países, e por cá o Povo, guardava-as ou vendias, dada a quantidade de prata de que eram feitas.
Obs.: Estes valores entravam proporcionalmente na liga que era feita para a cunhagem das moedas e por cada Marco (229,5g) de prata correspondia tantas moedas com o peso de
.......................
Exemplo:
Talha/Marco, para se saber o custo de produção de cada moeda, sabendo que o Marco (229,5g) de prata custava no Séc. XV 2.028 Réis e entravam 54 moedas no Marco, cada moeda custava ao Erário do Reino 37,555 (38 Reis), depois tinha a Senhoriagem ou Braçagem a acrescentar ao valor intrínseco (do metal) e daria o valor da moeda a colocar em circulação.
Peças – Moedas/Marco – O peso do Marco eram + ou – 229,5g, como a talha eram 54 em Marco, é fácil fazer as contas – O peso de cada moeda seriam 4,25g, cada.
Resumindo: 4,25 gramas cada moeda se entravam 9 dinheiros (0,750g de prata por unidade).................... prata.................. 3,1875g ....... 9 dinheiros.......... 750‰
Cobre.................. 1,0625g ................................. 250‰
Para o OURO é em quilates – 916,66g .............................. 22 quilates
- Destrans
- Administrador
- Mensagens: 33347
- Registado: 07 mai 08 12:55:13
- Colecção Preferencial: Monarquia
- Nº Sócio SPN: 3626
- Nº Sócio ANP: 2013
- Localização: Aldeia RB
- Contacto:
Re: Perguntas fáceis para respostas difíceis
Adorei ler este texto
Só uma pergunta, que provavelmente não vai ajudar a este tópico (se calhar até abro um novo):
O que aconteceu em Portugal? Porque não se entrou nesta moda de retratar os monarcas de perfil senão no tempo de D. João V?
Só uma pergunta, que provavelmente não vai ajudar a este tópico (se calhar até abro um novo):
Já em 1350, Pedro I de Castela cunhava as Doblas de 35 maravedis com o seu busto gravado à moda dos testões franceses.Para essa realização, imitou as Blancas e os Reais, com monogramas e tipologias de Moedas que em Leão e Castela, D. Juan I (1379–1390), ...
no seguimento daquilo que todos os nossos monarcas da 1ª. Dinastia já tinham feito.
O que aconteceu em Portugal? Porque não se entrou nesta moda de retratar os monarcas de perfil senão no tempo de D. João V?
- marreta
- MBC
- Mensagens: 369
- Registado: 06 ago 08 0:02:21
Re: Perguntas fáceis para respostas difíceis
A dúvida do Avelino, penso que tem a ver com o facto do Laulo estar a usar o símbolo "gr" erradamente nalgumas partes do texto. Se se refere a gramas (peso) então deverá ser só "g". p. ex: 1Kg = 1000g.
"gr" é para outra medida de peso, o grão. Também é usado frequentemente em literatura numismática.
Já para o toque do metal, actualmente usa-se o símbolo "‰" que significa permilagem ou "partes por mil".
fazendo a correspondência ao sistema tradicional (para a prata):
conversão permilagem => dinheiros (toque da Prata)
Para o Ouro, 24K (quilates) são 1000‰. O resto é só fazer as contas ... 
"gr" é para outra medida de peso, o grão. Também é usado frequentemente em literatura numismática.
Já para o toque do metal, actualmente usa-se o símbolo "‰" que significa permilagem ou "partes por mil".
fazendo a correspondência ao sistema tradicional (para a prata):
conversão permilagem => dinheiros (toque da Prata)
Código: Selecionar todos
1000‰ = 12 dinheiros
916,7‰ = 11 dinheiros
833,3‰ = 10 dinheiros
750,0‰ = 9 dinheiros
666,7‰ = 8 dinheiros
583,3‰ = 7 dinheiros
500‰ = 6 dinheiros
416,7‰ = 5 dinheiros
333,3‰ = 4 dinheiros
250‰ = 3 dinheiros
166,7‰ = 2 dinheiros
83,3‰ = 1 dinheiro
- Avelino Nascimento
- Fundador
- Mensagens: 4673
- Registado: 30 abr 08 19:19:49
- Colecção Preferencial: Numismatica Classica
- Nº Sócio SPN: 0
- Nº Sócio ANP: 1868
- Localização: Lisboa
Re: Perguntas fáceis para respostas difíceis
Olá 
Caríssimo Amigo Laulo, muito obrigado pela explicação.
"marreta"
calculei que o nosso amigo Laulo estivesse a dar a permilagem embora com o calculo em gramas, só que consultei o AG para ver que referência do D. João teria essas 750‰ na prata e nada, só vejo nos nominados Reais de 10 Reais os tais 10 dinheiros, os tais 833,3‰ na prata.
Mas também já vi que o Real de 9 soldos nem consta nesta edição, lá está a tal coisa…
Muito obrigado aos dois, mais uma vez, penso que temos aqui muito produto para este nosso projecto.
Agora precisava era da vossa ajuda para ordenar o melhor possível o vosso grande contributo desta fase. O que devo fazer, ordenar e como?
Fortes abraços,
Caríssimo Amigo Laulo, muito obrigado pela explicação.
"marreta"
Mas também já vi que o Real de 9 soldos nem consta nesta edição, lá está a tal coisa…
Muito obrigado aos dois, mais uma vez, penso que temos aqui muito produto para este nosso projecto.
Agora precisava era da vossa ajuda para ordenar o melhor possível o vosso grande contributo desta fase. O que devo fazer, ordenar e como?
Fortes abraços,
Cumprimentos,
Avelino Nascimento
Avelino Nascimento
-
LauloBaptista
- Flor de Cunho
- Mensagens: 1430
- Registado: 21 ago 08 17:59:30
- Colecção Preferencial: Marteladaportuguesa
Re: Perguntas fáceis para respostas difíceis
Seia bom arranjar um informático que fosse bom compositor de textos , se é assim que se diz .
Depois paginar com conteúdos para os tamanhos A4 ou A5 , ao critério de como se deve no final apresentar o trabalho
Dar títulos tentando separar o texto por temas , para no final se descriminar um indice
Se entenderem que eu altere a cor do texto para preto e branco , é o que uso quando faço alguma coisa , é só dizerem , só aqui é que usei o azul , sem qualquer intenção .
Observação : Eu costumo usar a permilagem e estou à vontade nesse campo , até dei o exemplo nas permilagens dos metais que entravam na liga , em relação às gramas , não as entendo muito bem , porque são descritas não seguindo o sistema decimal que sempre aprendemos na escola , em que um quilo são 1000 gr. - 100 gramas são 0,100 gr
10 gramas são 0,010 gr. - na numismática aparece ag 125 ; 666,6 . As gramas só mencionam 2,3 ; 3,4 - nem se referem às miléssimas nem às gramas - torna-se confuso
no peso das moedas é preciso ter a noção da grandeza das coisas para se não confundir , porque haverá pessoal que não terá a noção da diferença de 3,4 para 34 ,0.
Tenho um trabalho ´que alguem escreveu e no título colocou " Quanto pesa o peso" , simplesmente curioso.
O Grão para mim são 0,00004980 kg - na numismática é apresentado como se a unidade fosse a grama 0,0498 g , e o Marco são 229,5 g baralha um pouco.
Depois paginar com conteúdos para os tamanhos A4 ou A5 , ao critério de como se deve no final apresentar o trabalho
Dar títulos tentando separar o texto por temas , para no final se descriminar um indice
Se entenderem que eu altere a cor do texto para preto e branco , é o que uso quando faço alguma coisa , é só dizerem , só aqui é que usei o azul , sem qualquer intenção .
Observação : Eu costumo usar a permilagem e estou à vontade nesse campo , até dei o exemplo nas permilagens dos metais que entravam na liga , em relação às gramas , não as entendo muito bem , porque são descritas não seguindo o sistema decimal que sempre aprendemos na escola , em que um quilo são 1000 gr. - 100 gramas são 0,100 gr
10 gramas são 0,010 gr. - na numismática aparece ag 125 ; 666,6 . As gramas só mencionam 2,3 ; 3,4 - nem se referem às miléssimas nem às gramas - torna-se confuso
no peso das moedas é preciso ter a noção da grandeza das coisas para se não confundir , porque haverá pessoal que não terá a noção da diferença de 3,4 para 34 ,0.
Tenho um trabalho ´que alguem escreveu e no título colocou " Quanto pesa o peso" , simplesmente curioso.
O Grão para mim são 0,00004980 kg - na numismática é apresentado como se a unidade fosse a grama 0,0498 g , e o Marco são 229,5 g baralha um pouco.

