O LEAL DE D. DUARTE

Numária cunhada desde D. Afonso Henriques até D. Pedro, o Prí­ncipe Regente.
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LeandroM
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Re: O LEAL DE D. DUARTE

Mensagem por LeandroM » 24 fev 15 0:08:34

Boa noite a todos,

Rui, bem vindo!

Em relação aos "U" ´s... obrigado pelos exemplos e por ir buscar a outros reinados exemplares... mas... eu peço que olhem para a minha última apresentação no ínicio do tópico referente a esta letra (no fim)...

Será que eu estou a ver assim tão mal e aqueles dois caracteres são dois "V" 's?
Para mim a diferença não é água|vinho... é água|ácido sulfúrico... :shock:



Rui
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Re: O LEAL DE D. DUARTE

Mensagem por Rui » 24 fev 15 0:40:25

Pegando nas últimas palavras do Leandro:

Imagem

Não tenho dúvidas que existiu um grande mestre abridor no século XIX responsável por algumas das maiores invenções, no entanto não creio que tenha chegado tão longe. Hoje com o computador parece mais fácil.
Não estou a ver essas letras serem inventadas, para mim encaixam numa progressão estilística e têm paralelo nas emissões de cobre. Em relação à coroa, o Leandro demonstrou um selo pendente do mesmo reinado com coroa idêntica. Volto ao princípio e digo que o que me faz mais confusão é apenas a legenda "Cristes Salva nos crus"...

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Re: O LEAL DE D. DUARTE

Mensagem por petercoin » 24 fev 15 2:00:57

petercoin Escreveu:Ok, Sempre há U's!
Faço minhas as minhas palavras! :)

Mas pergunto eu, é isso que valida o Leal? Continuam 10 argumentos na mesa, sendo que o último a ser lançado para mim é o argumento final, pois deita a baixo a ligação do Leal de D. Duarte com a numária de Afonso V que era, a meu ver, o único argumento a manter o Leal vivo!! :)

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Re: O LEAL DE D. DUARTE

Mensagem por petercoin » 24 fev 15 19:28:07

Boas
Rui Escreveu: Em relação à coroa, o Leandro demonstrou um selo pendente do mesmo reinado com coroa idêntica.
O selo de que falas não tem os florões laterais completos!!! Isso foi um efeito estranho que o aumentar da imagem teve!!! Fica aqui o mesmo selo com um tratamento de aumento de definição e de contraste de modo a que se possa analisar a coisa em condições!


Imagem

Pela análise da foto confirma-se portanto que não há prova alguma de que antes de meados do reinado de Afonso V uma coroa tenha apresentado florões laterais completos, mantendo-se de pé o argumento estilístico que o selo apresentado pelo Leandro tinha posto em causa.

Para quem lê não ficar refém dos tratamentos de imagem de quem posta fica aqui o link para o documento da Torre do Tombo:

http://digitarq.dgarq.gov.pt/viewer?id=4251161" onclick="window.open(this.href);return false;

Cumprimentos

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Re: O LEAL DE D. DUARTE

Mensagem por Rui » 24 fev 15 20:25:22

Na História Genealógica aparece este selo pendente que servirá mais para as letras, visto a coroa ser a conhecida.
Imagem

Sigillium Domini Eduardi daei gratiaei Regis Portugalie & Algarbii Domini Ceptae

O ano ao certo em que ocorreu a transição da coroa é complicadíssimo de averiguar...Para já estamos seguros pelo real preto pequeno que tal se demonstrou por volta de 1440.

Para mim tudo encaixa numa progressão da numária de João I para a numária de Afonso V.

De notar também o seguinte, no reinado de Duarte, o grande dano trazido ao reino pela moeda estrangeira seria feito pela dobra de la banda de João II de Castela, tanto que supostamente começa-se a cunhagem dos escudos de ouro para travar esse efeito.
O paralelismo entre a nossa numária e a de Castela, Leão e Aragão é sempre uma boa ajuda. Nesta época (do Leal de Duarte) as legendas monetárias de Castela eram muito centradas no Rei em si, sendo escassas as moedas com legendas religiosas. Também as cunhagens de prata eram escassas, estando aquele reino profundamente dedicado ao lavramento de ouro.
Ao invés Henrique III e Henrique IV bateram abundantemente moeda de prata, sendo a legenda mais comum, XPS Vincit XPS Regnat XPS Imperat, também nos reinos de França e por grande parte da Europa, a partir de 1440 esta passou a ser a legenda padrão para uma grande parte das emissões.
A legenda Cristes Salva nos Crus, é para mim como já referido o único ponto complexo de entender e explicar, no entanto caberá sempre na lógica de algum experimentalismo em comparação com as emissões dos nossos vizinhos.
João II de Castela, mais ou menos ao mesmo tempo chega a emitir moedas em homenagem ao cordeiro de S. João, o Agnus Dei, com outra legenda exógena do tipo +Cata Mundi Miserere (Agnus Dei, qui tollis peccata mundi, miserere nobis)

Exceptuando os 2 que como se provou são coisa recente...se todos os Leais forem forjados, fará sentido tamanha multiplicidade de cunhos, mantento estilo idêntico não tendo em vista a produção industrial, mas meramente o desejo de enganar coleccionadores?

Acho altamente improvável que todos os Leais de Duarte sejam invenções, ainda por mais pelo paralelismo epigráfico, pela multiplicidade de cunhos, pelo estilo que considero medieval, será um estilo transitivo e recorrerá a algum experimentalismo.
Respeito a tese do Pedro, caso encontre provas que a sustentem infinitamente, concerteza a apoiarei.

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Re: O LEAL DE D. DUARTE

Mensagem por LeandroM » 24 fev 15 21:22:07

Viva Pedro,

Os "tratamentos" de imagem que eu faço só têm a ver com a composição gráfica - nunca com a adulteração da imagem no sentido formal!
Nunca altero nada nesse "campo" a não ser, por vezes (tento evitar o mais possível), dar mais ou menos saturação para melhor se visualizar os detalhes (a cor não altera a forma).

No caso do selo, foi isso mesmo que aconteceu... parece ali haver alguma coisa no florão mas é só ilusão do aumento....
Até porque se eu visse que a coroa tinha o florão saído dizia logo como é óbvio!

Como se pode ver no grafismo tenho a imagem original da torre do tombo e ao lado, sem adulteração formal ALGUMA o selo aumentado e mais claro (como se pode ver visualiza-se muito melhor).

Não ando aqui a inventar nada!

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Re: O LEAL DE D. DUARTE

Mensagem por petercoin » 24 fev 15 21:45:02

Boas
Rui Escreveu:Para mim tudo encaixa numa progressão da numária de João I para a numária de Afonso V.
Cada um tem direito às suas opiniões e às suas fés, mas eu só não consigo perceber é como éque o Rui depois do post que colocou com a evolução tipológica em Afonso V pode defender que o Leal encaixa numa progressão tipológica de João I para Afonso V!!
É que a ser assim andamos para trás e para frente!! Dizer ainda que o que se passa nos reais é demonstrável também nos Leais e nos Escudos de Ouro!
Rui Escreveu:O ano ao certo em que ocorreu a transição da coroa é complicadíssimo de averiguar...Para já estamos seguros pelo real preto pequeno que tal se demonstrou por volta de 1440.
De onde é que aparece a data de a 1440?
Os reais pretos foram pela lógica cunhados durante 19 anos, desde 1438 até à primeira grande alteração em 1457 e tiveram várias levadas, mas como é que se sabe que uma delas, e em específico aquela em que se deu a alteração, foi em 1440? Mesmo que tenham morrido aquando do aparecimento dos ceitis seria por volta de 1449, por isso todas as cunhagens estariam entre essas datas, pode estar a escapar-me alguma coisa, mas não consigo entender a certeza do ano de 1440..
Rui Escreveu:Acho altamente improvável que todos os Leais de Duarte sejam invenções, ainda por mais pelo paralelismo epigráfico, pela multiplicidade de cunhos, pelo estilo que considero medieval, será um estilo transitivo e recorrerá a algum experimentalismo.
Cada um com as suas opiniões, mas todos os argumentos vão no sentido da moeda ser desadequada da época e não encaixar no reinado em causa, mas se aceitamos tudo o que é diferente como experimentalismo então tenho a certeza que tudo é válido a partir desse momento.
Rui Escreveu:Respeito a tese do Pedro, caso encontre provas que a sustentem infinitamente, concerteza a apoiarei
Ok! Para encontrar provas maiores que todos os argumentos que já apresentei só se me meter numa máquina do tempo!!!
Que aceitem ou não a tese não depende de mim, eu estou cá para debater argumentos lógicos. No fim fica ao critério de cada um..

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Re: O LEAL DE D. DUARTE

Mensagem por Rui » 24 fev 15 21:47:21

Só uma achega paralela à discussão.

Quando eu andava dedicado às "teses da conspiração" :mrgreen: , o que me chegaram a dizer é que era tudo muito engraçado mas se não for exposto por exemplo num congresso, não conta para nada. Quando andava dedicado a isso nunca tive oportunidade de frequentar um congresso numismático. Felizmente este ano vai haver um e aberto aos foristas do Numismatas, acho que era muito bom se o Pedro apresentasse aos congressistas a sua tese!

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Re: O LEAL DE D. DUARTE

Mensagem por petercoin » 24 fev 15 21:49:08

LeandroM Escreveu:Viva Pedro,

Os "tratamentos" de imagem que eu faço só têm a ver com a composição gráfica - nunca com a adulteração da imagem no sentido formal!
Nunca altero nada nesse "campo" a não ser, por vezes (tento evitar o mais possível), dar mais ou menos saturação para melhor se visualizar os detalhes (a cor não altera a forma).

No caso do selo, foi isso mesmo que aconteceu... parece ali haver alguma coisa no florão mas é só ilusão do aumento....
Até porque se eu visse que a coroa tinha o florão saído dizia logo como é óbvio!

Como se pode ver no grafismo tenho a imagem original da torre do tombo e ao lado, sem adulteração formal ALGUMA o selo aumentado e mais claro (como se pode ver visualiza-se muito melhor).

Não ando aqui a inventar nada!
Foi o que pensei e o que disse.. Que com o aumento da imagem tinha existido alguma alteração.. Nunca me passou pela cabeça que andasse a adulterar imagens para provar ideias! Nem quis deixar essa imagem. Deixei o link porque a minha imagem foi trabalhada e assim qualquer pessoa que vê pode confirmar no original..

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Re: O LEAL DE D. DUARTE

Mensagem por petercoin » 24 fev 15 21:56:42

Rui Escreveu:Só uma achega paralela à discussão.

Quando eu andava dedicado às "teses da conspiração" :mrgreen: , o que me chegaram a dizer é que era tudo muito engraçado mas se não for exposto por exemplo num congresso, não conta para nada. Quando andava dedicado a isso nunca tive oportunidade de frequentar um congresso numismático. Felizmente este ano vai haver um e aberto aos foristas do Numismatas, acho que era muito bom se o Pedro apresentasse aos congressistas a sua tese!
Nos próximos tempos será complicado ausentar-me e uma apresentação desse género implica uma preparação grande de grafismos e de estudo. Não sei se nestes próximos tempos conseguirei dedicar-me o suficiente a isto. Em todo o caso está a teoria apresentada e acessível, cabe agora a cada um tirar as suas conclusões. O ser num congresso ou não só pode aumentar o número de ouvintes, mas acredito que de boca em boca a ideia passará! :)

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Re: O LEAL DE D. DUARTE

Mensagem por LeandroM » 25 fev 15 0:31:53

Certo Pedro, não disse por mal... era só para não deixar dúvidas a quem "pegasse" na conversa a meio... :)

Inclusive, quer com letras, quer com elementos, eu faço questão de apresentar sempre o original das moedas e o desenho para visualizar-mos os dois lado a lado e ver que uma coisa sai / diz respeito à outra... :)

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Re: O LEAL DE D. DUARTE

Mensagem por petercoin » 28 fev 15 15:58:13

Boas

O Rui alertou-me noutro espaço para uma coisa que me tinha escapado quando analisei o conto de contar de D. Duarte, que é o facto deste parecer apresentar os florões laterais na coroa sobre o escudo. Como a foto está muito má se alguém tiver uma a cores que possa postar era importante para validar esta excepção à regra.
Nos entretantos fica a foto possível que parece validar a possibilidade de já neste reinado existir um exemplar com a coroa de florões completos.

Imagem



Em todo o caso não penso que este exemplar venha validar o Leal, pois acredito que ainda assim ainda existirão muitos argumentos
contra a validação destes exemplares.

Cumprimentos

Rui
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Re: O LEAL DE D. DUARTE

Mensagem por Rui » 28 fev 15 16:50:37

Imagem
in AG96

+DOMINI :. EDUA[...] RX :.PORTU

- U uncial
- Separadores em forma de trifólio triangular com pontos
- Coroa nova

Este conto é muito escasso e tem um detalhe interessante, é um conto híbrido, no reverso a legenda refere o motto de João I, Por ben, por ben, por ben em letra macarrónica estrangeira.
Na minha opinião, dada a qualidade, o cunho do anverso poderá ser mesmo de um Leal ou de um Escudo. Dada a associação entre anverso e reverso e a letra descuidada do reverso ao estilo estrangeiro semi-analfabeto, creio que não há dúvidas de que o conto é válido.

Se existem Leais do século XIX e se existem Leais "fresquinhos", para mim sim, um par deles no entanto na minha opinião são do século XV, assim como o conto.

-----------------------
Ainda em relação ao problema da legenda, as orações para curar a peste começam mais ou menos assim:

Salve crux Christi, Salva nos quod de praesenti augustia, pestilentiae salvatrix nostra es. Salve Crux Christi, Salva nos.

Para mim, o problema é que toda a gente leu a legenda mal, a leitura da legenda do Leal é Crus Cristes Salva nos (Crux Christi Salva Nos), o latim aportuguesado é normal à época.
Que praga assolava o país nesta época? De que morreu a mãe de D. Duarte? De que morreu D. Duarte? Não seria pertinente fazer tudo por tudo, inclusivamente pedir a Cristo nas moedas de prata?

Referências:
https://books.google.pt/books?id=icmUBg ... &q&f=false" onclick="window.open(this.href);return false;

https://books.google.pt/books?id=dVkJAA ... &q&f=false" onclick="window.open(this.href);return false;

https://books.google.pt/books?id=y2hCQM ... &q&f=false" onclick="window.open(this.href);return false;

Curiosamente a colocação da legenda na posição correcta aparece precisamente no exemplar que menos se espera:
Imagem

A legenda é só uma reza para que a peste negra acabe no reino, há necessidade e há motivo, à boa maneira árabe reza-se numa emissão monetária, daí o facto ser extraordinário. A coisa melhorou...a legenda mudou para os parâmetros europeus.
O Leal de Duarte será uma moeda semi-votiva.

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Re: O LEAL DE D. DUARTE

Mensagem por petercoin » 28 fev 15 19:21:35

Boas
Rui Escreveu:Se existem Leais do século XIX e se existem Leais "fresquinhos", para mim sim, um par deles no entanto na minha opinião são do século XV, assim como o conto
Quais?
RuiFB Escreveu:É só mais uma possibilidade dada a qualidade da gravação do anverso...no sítio onde devia estar a letra monetária tem um defeito, também não sabemos o diâmetro do escudo, nem propriamente do conto, só fiando que a imagem do AG está em tamanho real. Existem contos de fabrico estrangeiro com legenda macarrónica e outros com legenda melhor do que as moedas de cá. Também esta associação é espectacular, tal como nos contos híbridos João II/Afonso V, mas nos contos tentar explicar as coisas acho que é 100x pior do que nas moedas
Como te disse antes, é preciso perceber se o conto foi ou não cunhado em Portugal, é preciso saber se existe um, dois ou mais exemplares e perceber quando e em que circunstâncias ele apareceu. Depois podemos tirar conclusões finais e é isso que estou a tentar fazer.
RuiFB Escreveu:Ainda em relação ao problema da legenda, as orações para curar a peste começam mais ou menos assim:

Salve crux Christi, Salva nos quod de praesenti augustia, pestilentiae salvatrix nostra es. Salve Crux Christi, Salva nos.

Para mim, o problema é que toda a gente leu a legenda mal, a leitura da legenda do Leal é Crus Cristes Salva nos (Crux Christi Salva Nos), o latim aportuguesado é normal à época.
Nunca antes nem depois se utilizou este tipo de legenda mesmo em períodos de peste e a legenda continua a estar errada no latim e não podes alterar a legenda para ela encaixar na literatura que encontraste, pois a legenda tem um sinal de abertura bem definido, se fosse um ponto ainda podia começar às nove, mas a cruz de abertura define o local de início de leitura.
Se CHRISTE seria aceitável, CRISTES não só não existe na sua forma, como lhe falta o H que é está sempre presente na palavra cristo. CRUS é outra parvoíce...

Em relação ao exemplar do Porto o que eu defendi na tese é que ele é uma correcção do latim e um pouco do estilo de modo a encaixar melhor no que seria esperado. Não é nada de novo que o latim está melhor neste exemplar. Mas será que só no Porto é sabiam latim? Em Lisboa não? :)
RuiFB Escreveu:Que praga assolava o país nesta época? De que morreu a mãe de D. Duarte? De que morreu D. Duarte? Não seria pertinente fazer tudo por tudo, inclusivamente pedir a Cristo nas moedas de prata?
A morte de D. Duarte não é importante pois quando as moedas foram cunhadas ele estava vivo! E a mãe morreu 20 anos antes!
A peste era um flagelo, mas daí a vir uma prece nas moedas é um passo muito grande e duvido que nenhuma da literatura descritiva da época não referenciasse que a peste foi tão grave que até as preces vinham nas moedas! Parece-me muito improvável... Além de que tenho a ideia de que a maior epidemia de peste foi muito antes e apesar de existir recorrência não tenho ideia de nesta altura ter existido um assolo tão grande que levasse a pontos tão extremos.
RuiFB Escreveu:A legenda é só uma reza para que a peste negra acabe no reino, há necessidade e há motivo, à boa maneira árabe reza-se numa emissão monetária, daí o facto ser extraordinário. A coisa melhorou...a legenda mudou para os parâmetros europeus.
O Leal de Duarte será uma moeda semi-votiva.
OK! Se fosse na primeira dinastia eu ainda aceitava a boa maneira árabe, mas 200 anos depois admitir influências árabes na numária é rebuscado. Além de que não é normal alterar-se uma legenda de um reinado para o outro nos mesmos exemplares..

Cumprimentos

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Re: O LEAL DE D. DUARTE

Mensagem por LeandroM » 01 mar 15 2:35:50

Boa noite,

NOVIDADES NO INÍCIO DO TÓPICO (parte final da primeira postagem)

Aproveitando os novos "ingredientes" que têm sido inseridos nos últimos comentários pelo Rui e pelo Pedro e com o trabalho realizado em equipa fora do fórum, as novidades concretas e factuais neste momento, para mim, são: (respondendo um pouco aos itens que o Pedro tem alegado contra o Leal).

coroa - é novidade neste reinado os florões não cortados nas laterais - SIM - mas o Leal não é caso único: exemplo - conto de contar e real branco; O Pedro pode alegar que as imagens não são as melhores (e não) mas, mesmo o desenho não estando "perfeito" devido exactamente a esse facto, para mim é CERTO: os florões estão completos (de frente). Há arestas que saem na horizontal e diagonal a partir do centro que não enganam. caso os florões estivessem cortados nunca poderiam ter essa continuidade e direcção.

separadores - os "estranhos" separadores analetes em triângulo não estão só nos leais mas no conto de contar;

letras - "super-serifadas" ou floreadas demais até este reinado mas além do Leal outros exemplares apresentam a mesma tipologia incluindo o conto de contar recentemente apresentado; são poucos exemplares? - SÃO. Mas fazem com que o Leal não seja o tal caso único;

O Pedro diz: "Cada um com as suas opiniões, mas todos os argumentos vão no sentido da moeda ser desadequada da época e não encaixar no reinado em causa, mas se aceitamos tudo o que é diferente como experimentalismo então tenho a certeza que tudo é válido a partir desse momento" - peço que olhe para os últimos grafismos: se me disser que as letras do leal não têm nada a ver com o conto de contar do mesmo reinado e com o real de D. Afonso V então não digo mais nada :razz: .

Pedro, como é lógico não se aceita todo o "experimentalismo", apenas o fundamentado, explicável, coerente, etc: penso que disse isso na brincadeira. :)

não haver paralelismo com o reinado de d afonso V - na minha opinião existe sim uma linha contínua de evolução que começa precisamente no reinado de D. Duarte (ou até antes)... coroa, letras,... (ver a semelhança estupenda na última "folha" da postagem inicial - é factual não há volta a dar);
(ainda não percebi porque é que alegam que não poderá ter começado neste reinado o aparecimento dessas "novidades)

Volto a perguntar: a coroa com florões laterais completos, segundo o Pedro, apareceu no reinado de D. Afonso V. Pergunto: São as moedas deste reinado - com esta coroa - falsas por aparecer pela primeira vez? Por ser um experimentalismo, como diz?

E agora pergunto: Porque é que no reinado anterior (D. Duarte) não se poderá ter começado a colocar esta coroa, mesmo que de uma forma contida? (veja a lógica da continuidade - para mim faz mais sentido do que aparecer de repente em D. Afonso V)

legenda - letra "U" - existe no Leal e em outros exemplares do reinado;

Posto isto, falta o latim supostamente errado. Digo supostamente porque não faço ideia. (está-se a trabalhar nessa matéria com pessoas exteriores ao fórum)
Não estou a dizer Pedro que as palavras estão escritas correctamente - ao que parece estão mesmo mal escritas - mas a questão é se é possível que esses erros tenham explicação e que tenha acontecido mais vezes na época, quer em moedas quer em outros documentos.

Contudo gosto da exposição sobre este item do Rui - para mim tem toda a probabilidade de ter acontecido dessa forma. Aliás, é precisamente deste modo que as "línguas" evoluíram ao longo dos séculos.

Abraço
Última edição por LeandroM em 01 mar 15 12:06:59, editado 1 vez no total.

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Re: O LEAL DE D. DUARTE

Mensagem por palves » 01 mar 15 12:06:11

Meus caros, já li este tópico várias vezes.
Sugiro aos autores que se juntem e escrevam um artigo que apresente os dois pontos de vista. "Leal de D. Duarte - Um debate sobre a sua existência" ou algo do género. Não precisa de haver um vencedor as visões críticas e os respetivos fundamentos apresentam um excelente suporte científico às conclusões que cada parte tira.

Muito bom!
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Re: O LEAL DE D. DUARTE

Mensagem por Fórum Numismatas » 01 mar 15 14:52:17

Bandadolopes Escreveu:Não sei o que diga a não ser que todos estes trabalhos do Leandro merecem a memória futura.
palves Escreveu:Sugiro aos autores que se juntem e escrevam um artigo que apresente os dois pontos de vista. "Leal de D. Duarte - Um debate sobre a sua existência" ou algo do género.

O Fórum está sempre disponível a colaborar, dentro das suas possibilidades, para editar documentos numismáticos e/ou fazer a sua divulgação junto de uma publicação numismática. Se os textos e imagens que entenderem para esse efeito, nos forem disponibilizados, poderemos fazer a sua composição.
#SãoOutros500


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Re: O LEAL DE D. DUARTE

Mensagem por Rui » 01 mar 15 14:58:58

A minha participação e de outros confrades foi singela mas concordo, principalmente pelo trabalho do Pedro e do Leandro. A dúvida que coloco prende-se com as imagens. Não sei bem o que diz a lei, se for um artigo sem isbn só com citações talvez seja possível.

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Re: O LEAL DE D. DUARTE

Mensagem por palves » 01 mar 15 16:20:54

Rui Escreveu:A minha participação e de outros confrades foi singela mas concordo, principalmente pelo trabalho do Pedro e do Leandro. A dúvida que coloco prende-se com as imagens. Não sei bem o que diz a lei, se for um artigo sem isbn só com citações talvez seja possível.

Se as mesmas forem públicas basta colocar a referência ao site onde estão as mesmas. Não estão protegidas por copyright.
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Re: O LEAL DE D. DUARTE

Mensagem por Rui » 01 mar 15 16:56:30

Referia-me mais concretamente a imagens de livros como o AG e ao site do Besnumismatica, creio que estão protegidos. Talvez seja preciso autorização.

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