Justo do Porto

Numária cunhada desde D. Afonso Henriques até D. Pedro, o Prí­ncipe Regente.
Rui
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Re: Justo do Porto

Mensagem por Rui » 26 set 14 20:37:51

A divisão que fiz anteriormente teve apenas por base o tipo de letra e a legenda IOANES vs IOHANES, quando a mesma é idêntica, coloquei primeiro o "2º" depois o "II" tendo em conta o "SICVT" estar completo, que para mim é sinal de maior antiguidade.
Por outro lado a sua divisão também faz todo sentido e as diferenças são poucas, diferencia claramente uma época para o "2º" e outra para o "II

Quanto à solução para o "DNSQ" altamente artístico, creio ser da maior importância, até agora não encontrei resposta, "DNSOB" em nexo poderá não ser plausível, é só uma proposta, para isso seria necessário um documento que referisse o rei como tal.
A resposta para esta questão ao contrário do que pensava acho que também não se encontra no ceitis.
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Vinténs do Porto:
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A vermelho as duas coisas mais coerentes, a azul as mais incoerentes comparativamente com os vinténs do Porto.



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EngTrig
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Re: Justo do Porto

Mensagem por EngTrig » 28 set 14 20:42:43

Boa noite amigo Rui e outros foristas,

Antes de voltar ao assunto que nos ocupa (e que espero possa ser muito em breve), quero deixar apenas umas poucas notas.
1.ª - Não consigo identificar a proveniência do Justo Gomes 22.02 (ed. de 1996, não figura na ed. anterior), rebordo largo, descentrado na metade direita do anverso, com legendagem semelhante ao ex. Numisma 86; 2ª - Idem para o 22.03 a.
Os outros são: 22.01 - MNP, 4880; 22.03 - CCosta BES; 22.04 - MNP 4881; 22.05 - MNP 13095
Existe um Justo no Banco de Portugal, da colecção Couvreur, que eu vi ainda em casa do filho. Não tenho qq. referências dele, será que alguém tem?

Antes de se avançar nos pormenores, julgo que temos que finalizar a catalogação dos ex. conhecidos e mesmo dos desconhecidos (como acima), que neste momento se encontra assim:

Colecções Portuguesas (ex. de Lisboa, salvo indicação em contrário)
1 - MNP, IOHANES II, inv.º 4880: 30 mm, 6,01 g, Torre de Belém 368
2 - MNP, inv.º 4881: 30 mm, 5,96 g, Torre de Belém 231
3 - MNP, inv.º 13095: 31 mm, 6,02 g, Casa dos Bicos 214
4 - BESNumis, ex-Sotheby´s Geneve, 1986, lt. 23; ex-Sotheby´s Londres 1996 lt 37, IOANS 2.º/FBOREBIT: 30 mm, 5,96 g. É o exemplar depois leiloado pela Numisma 39 em 1999, proveio da col. Carvalho Monteiro, Schulman 1925.
5 - BESNumis, IOHANES II: 30 mm,5,92 g. Figura no Relatório da Lusitania Seguros, de 1991.
6 - Numisma leilão 86, ex-LEU 55, Zurique, 1992, lt11, IOHANES II: 31 mm, 6,06 g
7 - Numisma leilão 100, ex-Meili lt 182, IOHANES II: 30 mm, 5,88 g
8 - Numisma leilão 100, ex-Meili lt 183, PORTO(?), ex- Meili 1910; ex-C Monteiro 1925; ex-Shore 1945; F Vaz J2.186 com desenho e foto (do mesmo exemplar): IOANES II:30 mm, 5,90 g
9 - Millenium BCP, ex-UBP, IOHANES II: 31 mm, 5,90 g
10 - Lusitania, ex-Numisart Geneve 1995, lt 83, IOAIIS 2.º: 28 mm, 6,12 g. Ex-Shore 1945, lt. 13
11 - Casa do Infante, achado nas escavações(?): onde está?
12 – BdPortugal, colecção Couvreur, IOHANES II: 30,8 mm; 5,99 g
13 - BdPortugal, ex-Numisart leilão Geneve, 1995, lt. 84, IOHANES II: 32mm, 5,87 g, com 3 furos tapados, mau estado
14 – Gomes 22.03ª: ?? legenda

Colecções estrangeiras (ex. de Lisboa)
15 - MHN do Rio de Janeiro, IOHANES II: 31,6 mm, 6,07 g
16 - Banco Central da Holanda, ex-universidade de Leyden: 31 mm, 6,02 g, Jerónimos 392
17 - Fitzwilliam Museum, Cambridge,col. Grierson, ex-Shore 1945 lt. 24, ex-Lockett III 1956, lt. 258: 31 mm, 6,05 g.
18 – Col. Cyro Augusto de Carvalho, Schulman, 1905, lt. 109: + IOANS 2.º : R : PORTVGALIE : ALGAR : DNS : C : GVIE // + IVSTVS : VT : PALMA : FLOREBIT. Sem indicações metrológicas. Estado quase BC (paradeiro desconhecido)

Existem outras grandes colecções que também os devem ter, é só preciso tempo e paciência para procurar...Alguns poderão ser repetidos, disso se dará conta logo na catalogação (com pesos e medidas)

Até breve,
A Trigueiros

Corrigido a 01OUT2014
Última edição por EngTrig em 01 out 14 15:14:56, editado 3 vezes no total.

Rui
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Re: Justo do Porto

Mensagem por Rui » 30 set 14 15:49:50

EngTrig Escreveu:11 - Casa do Infante, achado nas escavações(?): onde está?


Conforme consta nos créditos da imagem, a informação relativamente a este Justo, foi retirada daqui:
https://repositorium.sdum.uminho.pt/bit ... interp.pdf" onclick="window.open(this.href);return false;

------------
Peço imensa desculpa, principalmente ao Trigueiros, mas vou abandonar esta discussão, fiz alguma recolha de dados, leitura de legendas e imagens mas não vou colocar aqui.

Abandono este estudo, porque não concordo com hierarquias nem lideranças quando se trata de ciência, não concordo com parcerias público-privadas nem consórcios dentro de fóruns. Para mim estão a ver curto e a regredir na missão de um fórum virtual, desejo que tudo corra bem, no fim estarei cá para me deliciar com as vossas conclusões. :brinde:

Sem ressentimentos, continuarei com mais força, dedicado a outros assuntos que envolvam discussão pública :brinde:

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Re: Justo do Porto

Mensagem por Bandadolopes » 30 set 14 18:43:06

Esta é a ajuda que posso, para já, dar:
EngTrig Escreveu:11 - Casa do Infante, achado nas escavações(?): onde está?
Embora não o localize, adianto apenas que não consta no inventário do Gabinete Numismático da Câmara Municipal do Porto.

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EngTrig Escreveu:12 – BdPortugal, colecção Couvreur: ??
Do Banco de Portugal, encontro referencia a 2 exemplares (vidé "Moedas com História", edição BdP)


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Ainda não desfolhei as Numisma. Logo que possível farei.
Cumprimentos,

Alberto Praça

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Re: Justo do Porto

Mensagem por EngTrig » 01 out 14 12:42:23

Boa tarde, amigo Alberto e obrigado pela ajuda, que permite identificar mais duas moedas: a primeira do BdP é o exemplar da col. Couvreur, n.º 12 na listagem acima; a segunda, pelo estado e pelos furos que apresenta, será a moeda leiloada em Genéve, n.º 18 da listagem corrigida e actualizada. Excelente!

Abraço,
A Trigueiros

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Re: Justo do Porto

Mensagem por EngTrig » 02 out 14 15:00:14

Só para dizer que este tópico não está esquecido. Espero continuar o bom trabalho feito pelo Rui e poder em breve apresentar o inventário dos exemplares conhecidos.
Segue-se o seu estudo, análise e... será que se vai conseguir apliacr ao Justo do Porto o meu Axioma Numismático? Veremos.
A Trigueiros

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Re: Justo do Porto

Mensagem por JotaAMF » 11 out 14 14:38:47

Na continuação deste interessante trabalho, também ficava bem aqui notícias deste exemplar agora leiloado. Foi vendido? Por quanto?

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Re: Justo do Porto

Mensagem por Mmatos » 11 out 14 15:31:08

Noutro tópico do Fórum está a resposta ( http://www.numismatas.com/phpBB3/viewto ... 0&start=20" onclick="window.open(this.href);return false; )
Bandadolopes Escreveu:
MS Escreveu:Tenho ideia do justo do Porto ter saído por 205.000€ de martelo.
Confere pela informação da Numisma.

Será Justo?
A minha participação no Museu da Moeda:
https://sites.google.com/site/numismati ... a_moeda/mm

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Re: Justo do Porto

Mensagem por EngTrig » 11 out 14 23:50:41

Boa noite,
Agora que já passou o leilão, vou apresentar o estudo e as conclusões sobre o Justo dito do Porto, com base na metodologia que desenvolvi para a análise de moedas de autenticidade duvidosa, a qual tem sempre como objectivo último, a construção de uma base de dados estatísticos, que possa ser usada como ferramenta de estudo comparativo.

Essa base de dados é, no fundo, constituída pela inventariação e catalogação do maior número de exemplares conhecidos. No caso do Justo de D. João II, é a que segue (as fotos estão mais acima neste tópico). No final estão as minhas conclusões.

Cumprimentos,
A Trigueiros

Inventário coleccionista e museólogo dos Justos de D. João II


A numeração apresenta-se dividida em três tipos principais, respectivamente: tipo IVS 1 – Numeral do monarca como 2º; tipo IVS 2 – Híbrido: anverso com legenda tipo 1, numeral do monarca tipo 3; tipo 3 – Numeral do monarca como II. Com excepção do híbrido agora identificado, esta numeração segue a tradicional divisão introduzida por Teixeira de Aragão.
Para se evitar repetições desnecessárias, apresenta-se uma descrição genérica de cada um dos três tipos principais, relegando-se para a catalogação e inventariação dos exemplares registados a indicação das variantes secundárias.
Especial cuidado foi posto na indicação dos cunhos do anverso e do reverso que serviram em várias amoedações, bem como, dos exemplares que sairam do mesmo par de cunhos

Tipo IVS 1 – Numeral do monarca como 2º (Secvndvs)


Descrição genérica deste tipo IVS 1
Anv. + IO¯ΛИS : 2º : R : PORTVG¯ΛLIE : ¯ΛLG¯ΛR : DИSQ? GVIИE, na orla circular, entre cercaduras granulada e linear (letras ¯Λ e И; corpo das letras direito sem serifas, de recorte biselado) . Ao centro, o escudo coroado das armas reais (com os 2 florões laterais e o central da coroa, em campo liso, interrompendo a cercadura interior, diadema tracejado, castelos de 3 torres, com recorte central e porta), ladeado por ornatos lisos curvilíneos com remoinhos simétricos que se prolongam do bico do escudo até aos dois florões laterais da coroa.
Rev. + IVSTVS : VT : PΛLMΛ : FLOREBIT :, inscrito em cartela circular, limitada por cercadura granulada exterior. Legenda com as letras direitas sem serifa, de recorte biselado (com¯Λ ou Λ). Ao centro, a figura de D. João II, de corpo inteiro, coroado e couraçado (revestido de armadura inteira, composta por peitoral, braços e avambraços, manoplas, coxotes, joelheiras e grevas, tendo o peitoral revestido de tecido de veludo terminado em recortes em bico), com manto preso ao pescoço, que se prolonga até aos pés e enrola junto à cercadura), armado de uma espada ao alto na mão direita (espada de guarda rectiforme recta, de pomo circular com protuberâncias), cuja ponta se prolonga pelo remate do espaldar, sentado numa cadeira gótica, com espaldar alto entalhado, rematado por 5 flores de lis, com ou sem guardas laterais e com os apoios de braços projectados em perspectiva, rematados por pomos. A cartela dobra-se para baixo junto ao espaldar da cadeira, prolongando-se pelo campo interior, com as extermidades enroladas junto aos apoios dos braços da cadeira.

Características comuns dos cunhos do anverso deste tipo IVS 1:
legenda – Letras direitas sem serifa, de recorte biselado, com algumas letras de estilo gótico tardio (letras AA sem travessão central, como¯Λ; letras PP de Portvgalie como DD interrompidos em baixo; letras DD, de DNS, interrompidas em cima; letras NN invertidas como ИИ, ou sem traço de união, como II). Numeral do monarca como 2º. Legenda “Dominus” com letras adicionais não identificadas, interpretadas por vários autores como DИSQB, ou DИSD (invertido), ou DИSCB, DИSOB, ou DИSO₃.
cercaduras – exterior granulada, interior lisa circundando o escudo
escudo – castelos com três torres, traço transversal central e porta; quinas em aspa em campo liso. Ornatos lineares curvilíneos no campo lateral, com remoinhos perfeitamente simétricos à direita e à esquerda. Diferentes sentidos de rotação em cunhos diferentes (IVS 1.05 – para fora, para dentro, para fora; e IVS 1.06 – para dentro, para fora, para dentro).
coroa – com o diadema largo envolvendo o chefe do escudo, com amplo espaço intercalar tracejado, da direita para a esquerda ou vice-versa. Cinco florões em campo liso, sendo os dois laterais e o central do tipo cruz “patonce pattée”, e os dois florões interiores do tipo “cruz de besantes”, intercalados por quatro pedúnculos simples com ponto.
Características comuns dos cunhos do reverso deste tipo IVS 1:
cercaduras – exterior granulada. Não existe cercadura lisa interior.
cartela - a delimitação do campo central é feita pela cartela onde está inscrita a legenda, cujas dobras superiores tocam as guardas laterais do espaldar da cadeira
cadeira – espaldar alto entalhado, rematado por cinco flores de lis, com os apoios dos braços rematados por pomos.
Principais variantes do anverso: legenda com IO¯ΛNS, IO¯ΛИES, IOH¯ΛИES ou IOI⁺I¯ΛИES; legenda sem cruz inicial; legenda ¯ΛLGR ou ¯ΛLG¯ΛR; terminação em GVIE (não confirmado), GVIEE, GVIИ, GVIИE, GVIИEE ou GVIIIEE
Principais variantes do reverso: legenda com cruz inicial e sem os três pontos finais; legenda VT ou SICVT; PΛLMΛ ou P¯ΛLM¯Λ. Cadeira com espaldar entalhado, reticulado ou hexagonal; sem ou com guardas laterais rematadas por pomos, com pilastras que se prolongam até ao apoio dos braços; pilastras entalhadas em pináculos (em dois exemplares)
Peso médio inventariado – 6,02 g (de cinco exemplares)

IVS 1.01 – Museu Numismático Português, inv.º 13095, Aragão 4 (121 grãos = 6,026 g), Casa dos Bicos 214, Lisboa: 31 mm; 6,02 g
Anv. + IO¯ΛIIS : 2º : R PORTVG¯ΛLIE ¯ΛLG¯ΛR : DИSQ: GVIEE. Sem pontos depois do Rex
Rev. + IVSTVS : VT : PΛLMΛ : FLOREBIT (sem pontos), na cartela, cujas extermidades dobram-se por baixo dos apoios dos braços da cadeira. Espaldar entalhado reticulado. Guardas laterais com pomos, prolongando-se até aos apoios dos braços, junto aos pomos. Ponta da espada junto da segunda flor de lis. Remate da cadeira com cinco flores de lis de recorte pontuado.

IVS 1.02 – Col. Cyro Augusto de Carvalho, leilão Schulman de Setembro 1905, lt. 109: sem fotografia nem indicações metrológicas. Estado BC, paradeiro desconhecido
Anv. + IO¯ΛNS 2º : R : PORTVGALIE : ALGAR : DNS : C : GVIE (?)
Rev. + IVSTVS : VT : PALMA : FLOREBIT

IVS 1.03 – Lusitania Seguros, ex-leilão Numisart da col. António Marrocos, Geneva, Junho 1995, lt 83, B Reis 4: 28 mm; 6,12 g (um pouco cerceado)
Anv. + IO¯ΛIIES : 2º : R : PORTVG¯ΛLIE : ¯ΛLG¯ΛR : DИSQ: GVIИE. Nota: este cunho do anverso serviu também para amoedar o exemplar IVS 1.07 (BES)
Rev. (sem cruz) IVSTVS : VT : P¯ΛLM¯Λ : FLOREBIT (sem pontos), na cartela, cujas extermidades dobram-se por cima dos pomos dos apoios dos braços da cadeira, que não possui guardas laterais, nem pilastras nos remates da flores de lis. Espaldar entalhado reticulado, rematado por cinco florões. Espada inclinada às 11 horas na direcção do primeiro florão.

IVS 1.04 – Fitzwilliam Museum, Cambridge, inv.º CM.12-1956, col. medieval do professor Philip Grierson, ex-leilão Glendining da col. Robert Shore, Julho 1945, lt. 24, ex-leilão Glendining da col. Richard C. Lockett, Parte III, Fevereiro 1956, lt. 268: 31 mm; 6,05 g; eixo 180°
Anv. + IOH¯ΛИES : 2º : R : PORTVG¯ΛLIE : ¯ΛLGR : DИSQ: GVIIIEE. Notável exemplar que permite analisar em todos os pormenores as gravuras deste tipo 1. Nota: este cunho do anverso serviu também para amoedar o exemplar IVS 1.05 (MNP 4881)
Rev. (sem cruz) IVSTVS : VT : P¯ΛLM¯Λ : FLOREBIT (sem pontos), na cartela, cujas extermidades dobram-se por cima dos pomos dos apoios dos braços da cadeira, que não possui guardas laterais, nem pilastras nos remates da flores de lis. Espaldar entalhado reticulado, rematado por cinco florões. Espada inclinada às 11 horas na direcção do primeiro florão. Nota: este cunho do reverso serviu também para amoedar o exemplar IVS 1.03 (Lusitania).

IVS 1.05 – Museu Numismático Português, inv.º 4881; Torre de Belém 231, Lisboa: 30 mm; 5,96 g
Anv. + IOH¯ΛИES : 2º : R : PORTVG¯ΛLIE : ¯ΛLGR : DИSQ: GVIИEE. Nota: este cunho do anverso serviu também para amoedar o exemplar IVS 1.04 (Grierson)
Rev. + IVSTVS • VT : PΛLMΛ : FLOREBIT :• (três pontos em triângulo), na cartela, cujas extermidades se enrolam em formato de novelo, por baixo dos apoios dos braços da cadeira. Guardas laterais com pomos superiores, prolongando-se até ao apoio dos braços, cujos pomos se destacam na lateral. Espaldar entalhado reticulado. Espada inclinada às 11 horas (entre a primeira e a segunda flor de lis). Remate da cadeira com cinco flores de lis de recorte pontuado.

IVS 1.06 – Casa do Infante, achado nas escavações (?): sem indicações metrológicas, paradeiro actual desconhecido, ilustração em Carvalho Pastor (2013)
Anv. ( sem cruz) IOI⁺I¯ΛИES : 2º : R : PORTVGΛLIE : ¯ΛLG¯ΛR : DИS (..) GVIИ.
Rev. (sem cruz) IVSTVS : VT : P¯ΛLM¯Λ : FLOREBIT (sem pontos), na cartela, cujas extermidades dobram-se em panos bem visíveis por baixo dos apoios dos braços da cadeira, que não possui guardas laterais, nem pilastras nos remates da flores de lis. Espaldar entalhado reticulado. Espada inclinada às 11 horas. Remate da cadeira com cinco flores de lis de recorte pontuado.

IVS 1.07 – BESNumismática #1, col. Carlos Marques da Costa, ex-leilão Schulman da col. Carvalho Monteiro, Outubro 1925, ex- leilão Sotheby´s Geneva, Novembro 1986, lt. 23, ex-leilão Sotheby´s Londres, Maio 1996, lt 37, ex- leilão Numisma Lisboa, Maio 1999, lt 10 (com erros na leitura da legenda): 30 mm; 5,96 g.
Anv. + IO¯ΛIIS : 2º : R : PORTVG¯ΛLIE : ¯ΛLG¯ΛR : DИSQ: GVIИE . Outro exemplar de excepcional qualidade, com os florões da coroa bem desenhados e o sentido da rotação dos ornatos laterais. Nota: este cunho do anverso serviu também para amoedar o exemplar IVS 1.05 (Lusitania)
Rev. (sem cruz) IVSTVS : SICVT : P¯ΛLM¯Λ : FL(B)OREBIT (sem pontos; L recunhado sobre B), na cartela, cujas extremidades dobram-se como filetes que terminam em ganchos, ladeando os apoios dos braços da cadeira (gancho virado para dentro, à esq., e virado para fora, à dir.). Cadeira com o espaldar entalhado em hexágonos, rematado por quatro flores de lis; guardas laterais com pilastras entalhadas em pináculos. Espada na vertical ao alto, com a ponta entre a primeira e a segunda flor. Nota: este cunho do reverso serviu também para amoedar o próximo exemplar IVS 2.01 (Leyden)

O estudo destes dois últimos exemplares permitiu descobrir um novo tipo híbrido, de transição nas gravuras destas amoedações, que recebeu a numeração IVS 2.

Tipo IVS 2 – Híbrido: anverso com legenda tipo 1, numeral do tipo 3


Principais características deste híbrido: a legenda do anverso mantém toda a tipologia anterior, com “¯ΛLG : DIIS?” e o mesmo desenho das letras tipo gótico, mas apresenta já a inovação do separador “ET :”, que caracteriza o tipo 3 seguinte. O reverso é igual a IVS 1.07 (BES), com a legenda “SICVT”, a cartela enrolada em ganchos e o espaldar entalhado com motivos geométricos hexagonais.

IVS 2.01 –Banco Central da Holanda, ex-col. Universidade de Leyden, Jerónimos 392, Lisboa (Gomes 22.03 a): 31 mm; 6,02 g
Anv. + IOI⁺I¯ΛNS : I I : R : PORTVG¯ΛLIE : ET : ¯ΛLG : DIIS : D (inv.)? : GVII, na orla circular, entre duas cercaduras granuladas. Ao centro, o escudo das armas reais coroadas, ladeado por ornatos lineares curvilíneos assimétricos, que enchem todo o campo e prolongam-se por debaixo dos florões da coroa.
Rev. (sem cruz) IVSTVS : SICVT : P¯ΛLM¯Λ : FL(B)OREBIT (sem pontos; L recunhado sobre B), na cartela, cujas extremidades dobram-se como filetes que terminam em ganchos, ladeando os apoios dos braços da cadeira (gancho virado para dentro, à esq., e virado para fora, à dir.). Cadeira com o espaldar entalhado em hexágonos, rematado por quatro flores de lis; guardas laterais com pilastras entalhadas em pináculos. Espada na vertical ao alto, com a ponta entre a primeira e a segunda flor. Nota: este cunho do reverso serviu também para amoedar o anterior exemplar IVS 1.07 (BES)

Tipo IVS 3 – Numeral do monarca como II


Descrição genérica deste tipo IVS 3
Anv. + IOHΛNES : I • I : R : PORTVGΛLIE : ET : Λ : D : GVINE, na orla circular, entre cercaduras granulada e lisa (letras Λ e N; corpo direito sem serifas, de recorte biselado). Ao centro, o escudo coroado das armas reais (com os 2 florões laterais e o central da coroa interrompendo a cercadura interior, castelos de 3 torres, com recorte central e porta), ladeado por ornatos lisos curvilíneos assimétricos que se prolongam do bico do escudo até aos dois florões laterais da coroa, ou pelo campo por baixo da coroa.
Rev. + IVSTVS : VT : PΛLMΛ : FLOREBIT :• (três pontos em triângulo), inscrito em cartela circular, limitada por cercadura granulada exterior. Lletras direitas sem serifa, de recorte biselado (com Λ). Ao centro, a figura de D. João II, de corpo inteiro, coroado, couraçado e armado (tal como no tipo IVS 1), sentado numa cadeira gótica, com espaldar alto entalhado, rematado por 5 flores de lis, com guardas laterais rematadas por pomos, e apoios de braços projectados em perspectiva, rematados por pomos. A cartela dobra-se para baixo junto ao espaldar da cadeira, prolongando-se pelo campo interior, com as extermidades enroladas por baixo dos apoios dos braços da cadeira.

Características comuns dos cunhos do anverso deste tipo IVS 3:
legenda – Letras direitas sem serifa, de recorte biselado e tipo moderno (letras AA sem travessão central, como Λ; letras NN direitas (com uma excepção). Nome do monarca como IOHANES e o seu numeral como II. Legenda “ET : A : D :“ em vez da anterior “ALGAR : DNS”
cercaduras – exterior granulada ou lisa; interior lisa ou granulada circundando o escudo
escudo – castelos com três torres, traço transversal central e porta; quinas em aspa em campo liso. Ornatos lineares curvilíneos no campo lateral, com desenhos muito assimétricos, à direita e à esquerda
coroa – diadema linear ligado às pontas exteriores do chefe do escudo, com pequeno espaço intercalar reticulado. Cinco florões com o mesmo desenho, sendo os dois laterais mais pequenos, sem pedúnculos intercalares
Características comuns dos cunhos do reverso deste tipo IVS 3:
legenda – sempre com cruz inicial e com “VT”; terminação com três pontos em triângulo
cercaduras – exterior granulada. Não existe cercadura lisa interior. Num ou noutro caso é visível, por detrás do espaldar, o riscado da circunferência original feita pelo gravador, delimitando o campo a gravar
cartela – enrola-se sempre por debaixo dos apoios dos braços da cadeira
cadeira – com espaldar alto entalhado reticulado, apresenta sempre o desenho das guardas laterais, encimadas por pomos, que se prolongam atá aos apoios dos braços, também encimados por pomos. Espaldar rematado por cinco flores de lis, de seu desenho
Principais variantes do anverso: legenda com IOHΛNES II ou I•I; uma excepção com IOHAИES I•I (NN invertidos); letras LL de “Portvgalie” invertidas; terminação em GVII, GVIEE, GVIИ ou GVIN, GVINE ou GVIIIE, GVINEE. Fundo do campo dos florões ornamentado; florões intercalados por pontos.
Principais variantes do reverso: na figura de D. João II, o pé direito sobre a cercadura da cartela; a ponta da espada antes ou depois da primeira flor de lis
Peso médio inventariado – 5,96 g (oito exemplares)

IVS 3.01 – Museu Numismático Português, inv.º 4880, Aragão 3 (120 grãos = 5,976 g), Torre de Belém 368, Lisboa: 30 mm; 6,01 g (?)
Anv. + IOHΛИES : I • I : R : PORTVGΛLIE : ET : Λ : D : GVIИ, na orla circular, entre cercaduras lisas (letras Λ e И). Florões da coroa interrompendo a cercadura, todos do mesmo desenho, intercalados por pontos (sem pináculos), em campo liso.
Rev. + IVSTVS : VT : PΛLMΛ : FLOREBIT :• (três pontos em triângulo), na cartela circular. Cadeira com guardas laterais encimadas por pomos, prolongando-se até aos pomos dos apoios dos braços. Espada com a ponta entre a primeira e a segunda flor de lis.

IVS 3.02 – Banco de Portugal # 2, ex-leilão Numisart Geneva,Junho 1995, lt. 84, B. Reis 1: 32mm; 5,87 g. Em mau estado, com 3 furos remendados
Anv. + IOHΛИES : I • I : R : PORTVGΛLIE : ET : Λ : D : GVIИ, na orla circular, entre cercaduras lisas (letras Λ e И). Florões da coroa interrompendo a cercadura, todos do mesmo desenho, intercalados por pontos (sem pináculos), em campo liso.
Rev. + IVSTVS : VT : PΛLMΛ : FLOREBIT (:?), na cartela circular. Cadeira com guardas laterais encimadas por pomos, prolongando-se até aos pomos dos apoios dos braços. Espada com a ponta entre a primeira e a segunda flor de lis.

Nota: os dois exemplares acima 3.01 e 3.02 sairam do mesmo par de cunhos

IVS 3.03 – Banco de Portugal #1, col. engenheiro Raul da Costa Couvreur, Lisboa: 30,8 mm; 5,99 g
Anv. + IOHΛNES : I • I • R • PORTVGΛLIE : ET : Λ : D : GVINE, na orla circular, entre cercaduras granulada e lisa (letras Λ e N) (descentrado às 3 horas)
Rev. + IVSTVS : VT : PΛLMΛ : FLOREBIT:• (três pontos em triângulo), na cartela, cujas extermidades dobram-se junto e por baixo dos apoios dos braços da cadeira. Guardas laterais com pilastras encimadas por pomos, que se prolongam directamente nos pomos inferiores, dos apoios dos braços. Espada com a ponta sobre a base da primeira flor de lis.

IVS 3.04 – Millenium BCP, Porto, ex- col. União de Bancos Portugueses: 31 mm; 5,90 g
Anv. + IOHΛNES : I • I • R • PORTVGΛLIE : ET : Λ : D : GVINE, na orla circular, entre cercaduras granulada e lisa (letras Λ e N)
Rev. + IVSTVS : VT : PΛLMΛ : FLOREBIT:• (três pontos em triângulo), na cartela, cujas extermidades dobram-se junto e por baixo dos apoios dos braços da cadeira. Guardas laterais com pilastras encimadas por pomos, que se prolongam directamente nos pomos inferiores, dos apoios dos braços. Espada com a ponta sobre a base da primeira flor de lis.

IVS 3.05 – Museu Histórico Nacional, col. António Pedro de Andrade, Rio de Janeiro: 31,6 mm; 6,07 g
Anv. + IOHΛNES : I • I • R • PORTVGΛLIE : ET : Λ : D : GVINE, na orla circular, entre cercaduras granulada e lisa (letras Λ e N)
Rev. + IVSTVS : VT : PΛLMΛ : FLOREBIT:• (três pontos em triângulo), na cartela, cujas extermidades dobram-se junto e por baixo dos apoios dos braços da cadeira. Guardas laterais com pilastras encimadas por pomos, que se prolongam directamente nos pomos inferiores, dos apoios dos braços. Espada com a ponta sobre a base da primeira flor de lis.

Nota: os três exemplares acima 3.03, 3.04 e 3.05 sairam do mesmo par de cunhos

IVS 3.06 – BESNumismática #2, col. Carlos Marques da Costa, Lisboa: 30 mm; 5,92 g.
Anv. + IOHΛNES : I • I • R : PORTVGΛLIE : ET : Λ : D : GVINEE, na orla circular, entre cercaduras granulada e lisa (letras Λ e N). Descentrado às 5 horas.
Rev. + IVSTVS : VT : PΛLMΛ : FLOREBIT :• (três pontos em triângulo), na cartela, cujas extermidades dobram-se junto e por baixo dos apoios dos braços da cadeira. Guardas laterais com pilastras encimadas por pomos, que se prolongam por detrás dos pomos dos apoios dos braços. A figura do rei atarracada, com uma larga cintura, e o pé direito (do rei) sobre a cercadura da cartela. Espada com a ponta sobre a base da primeira flor de lis (exemplar único com este pé a sair da moldura central...)

IVS 3.07 – Numisma leilão 86, col. Elmano Costa, Dezembro 2010, ex-leilão Leu Numismatics 55, Zurique, 1992, lt 11: 31 mm; 6,04 g
Anv. + IOHΛNES : I I : R : PORTVGΛL(invertido) IE : ET : Λ : D : GVIIIE, na orla circular, entre cercaduras granulada e lisa (letras Λ, N e II). Ornatos curvilíneos do campo do escudo, com desenho prolongando-se pelo campo dos florões da coroa
Rev. + I(O)VSTVS : VT : PΛLMΛ : FLOREBIT (sem pontos; V recunhado sobre O), na cartela, cujas extermidades dobram-se junto e por baixo dos apoios dos braços da cadeira. Guardas laterais com pilastras encimadas por pomos, que se prolongam por detrás dos pomos dos apoios dos braços. Espada com a ponta antes da primeira flor de lis.

IVS 3.08 – Numisma leilão 100, Outubro 2014, ex-leilão Schulman da col. Jules Meili, Maio 1910, lt 182: 30 mm; 5,88 g
Anv. + IOHΛNES : I I : R : PORTVGΛL(invertido) IE : ET : Λ : D : GVIIIE, na orla circular, entre cercaduras granulada e lisa (letras Λ, N e II). Ornatos curvilíneos do campo do escudo prolongando-se pelo campo dos florões da coroa, mas com desenhos diferentes do exemplar anterior. Também o espaço entre o escudo e o diadema são diferentes nos dois exemplares.
Rev. + I(O)VSTVS : VT : PΛLMΛ : FLOREBIT (sem pontos; V recunhado sobre O), na cartela, cujas extermidades dobram-se junto e por baixo dos apoios dos braços da cadeira. Guardas laterais com pilastras encimadas por pomos, que se prolongam por detrás dos pomos dos apoios dos braços. Espada com a ponta antes da primeira flor de lis.

Nota: os dois exemplares 3.07 e 3.08 sairam do mesmo cunho do reverso, e de cunhos muito semelhantes, mas não iguais, do anverso

TIPO IVS 4 – O falso Justo do Porto


IVS 4.01 – Numisma leilão 100, Outubro 2014, ex-leilão Schulman da col. Jules Meili, Maio 1910, lt 183, ex-leilão Schulman da col. Carvalho Monteiro, Junho 1926, lt 25, ex-leilão Glendining da col. Robert Shore, Julho 1945; F Vaz J2.186 com desenho e foto do mesmo exemplar: 30 mm; 5,90 g
Anv. + IO¯ΛNES : I I : R : PORTVG¯ΛLIE : ET : ¯Λ : DNS : GVINE, na orla circular, entre cercaduras lisas ( letras ¯Λ e N). Letras II e NN de formato ampulheta; letras grossas e cheias, sem recorte biselado. Castelos do escudo como torres de quatro ameias; chefe do escudo interropido; campo ormanentado que se prolonga pelo campo dos florões. Coroa do escudo com cinco grandes florões intercalados por pontos.
Rev. + IVSTVS : VT : PΛLMΛ : FLOREBIT, numa orla circular. Ao centro, dentro de uma cercadura circular lisa que passa sob a coroa, a figura do rei de pé, coroado, couraçado e com manto preso ao pescoço, que se prolonga até aos pés, armado de uma espada ao alto na mão direita, cuja ponta intercepta a cercadura exterior. Lateralmente, elementos gráficos que pretendem representar as extermidades enroladas da cartela (que não existe), dos apoios dos braços e das guardas de uma cadeira (que não existe), encimado por pedúnculos intercalados por pontos do formato de uma coroa. Junto à orla inferior direita, a letra P de formato curvilíneo serifado.

Análise deste último exemplar


Os modernos estudos numismáticos permitiram desenvolver um método científico e estatístico de análise das características das gravuras de moedas, que ficou condensado no seguinte axioma, sobre a identificação de falsos numismas em amostras de moedas originais de um mesmo tipo numismático:

AXIOMA NUMISMÁTICO – «Numa distribuição aleatória de uma amostra significativa de moedas de um mesmo tipo numismático, é nula a probabilidade da ocorrência de um exemplar genuíno que não obedeça às características médias da população da amostra»
(António Trigueiros, Julho 2014).

Ou seja, considerando que as moedas de uma mesma época e tipo numismático, produzidas industrialmente em apreciáveis quantidades pelos mesmos processos de gravura e de amoedação, depois de emitidas transformam-se em objectos que obedecem às leis da distribuição estatística aleatória ao longo dos tempos, a sua recolha e coleccionismo dará sempre origem a uma amostra que reproduz as características médias da amoedação e emissão iniciais. Se essa amostra for significativa (em quantidade), é possível analisar as características médias da sua população, para concluir que, todo e qualquer exemplar que não corresponda às características médias da amostra tem uma muito elevada probabilidade de ser falso (não é genuíno dessa época e tipo numismático), ou não é moeda (será um conto para contar, um ensaio, ou uma fantasia).

Definições complementares:
1 – Tipo numismático: refere-se ao conjunto das gravuras numismáticas que caracterizam uma denominação monetária (p. ex., “Justo”, “Espadim de ouro”, “San Vicente”, “Vintém”, "Cruzado Novo", etc). Dentro de cada tipo numismático, o nome do monarca, o tipo do desenho das letras das legendas ou as marcas monetárias do local de fabrico, não originam tipos novos, mas apenas variantes da tipologia principal. Um exemplo flagrante pode ser visto nos tostões de prata e nos portugueses de ouro de D. Manuel I e de D. João III, de que existem dois tipos distintos, o primeiro “manuelino” saído das amoedações até 1526, e o segundo “renascentista”, posterior a essa data e até 1538.
2 – Características médias da amostra: refere-se aos principais elementos decorativos e heráldicos da gravura, aqueles que marcam e definem o tipo numismático, bem como das legendas, sem cuidar se o lavor do gravador de cunhos foi cuidado ou descuidado, se a gravura é bela ou tosca (p- ex., os San Vicentes do Porto de D. João III têm uma gravura tosca do santo, sem contudo deixar de obedecer às características da tipologia dos San Vicentes desenhados por António d´Holanda).
3 – Amostra significativa: refere-se ao número de exemplares estudados, quanto maior for melhor representará a população original. Um ou dois exemplares únicos conhecidos de um tipo numismático também único, não representa uma amostra (p. ex., o meio-escudo de ouro de Ceuta; o índio de D. Manuel I, etc).
Daqui se retira a importância de se inventariar, catalogar e estudar o maior número possível de exemplares de uma mesma tipologia, construindo-se uma base de dados que irá, depois, possibilitar a identificação das características médias desse tipo numismático e, só então, a sua comparação com as características dos exemplares de autenticidade duvidosa.

Foi esta a metodolgia científica que seguimos na análise do Justo do Porto: inventariamos e estudamos 14 exemplares, um número assaz reduzido comparado com outros, mas mesmo assim significativo e que consideramos como representativo deste tipo numismático.

O confronto com o Justo dito do Porto


Agora já é possível chegar a várias conclusões:
1 – O justo do Porto não obedece às características médias da gravura do anverso do seu tipo e sub-tipos IVS 1, 2 e 3, quer no desenvolvimento da legenda, quer no tipo das letras gravadas, quer no desenho do escudo real e dos florões da coroa;
2 – O justo do Porto não obedece às características médias da gravura do reverso do seu tipo e sub-tipos IVS 1, 2 e 3, quer na ausência da cartela da legenda, que se dobra e enrola no campo inferior, quer na ausência da cadeira de espaldar alto gótico encimado por flores de lis, com guardas laterais encimadas por pomos, quer pela figuração do rei, armado e couraçado, mas de pé, em vez de sentado na cadeira;
O estudo comparativo com os 14 exemplares acima inventariados permite ainda concluir que:
3 - o justo do Porto não foi copiado de um desenho à pena (o primeiro só foi publicado por Lopes Fernandes em 1856, não existindo na História Genealógica de 1736, nem nas Notícias de Portugal de 1763, de Severim de Faria), porque se o tivesse sido, o falsário teria sabido representar a cadeira, os apoios dos braços, os pomos, a cartela, etc.;
5 – O justo do Porto apresenta uma legenda titular igual à que aparece descrita nessas anteriores obras: «Ioannes Secundus R. Portugal. Algar. Dominus Guinè; que hé: Ioão II. Rey de Portugal, & Algarve, Senhor da Guiné». Daqui saiu IOANES II R PORTVGΛLIE ET Λ DNS GVINE, copiando o estilo da letra gótica tardia do sub-tipo IVS 1, mas dando-lhe o formato moderno do feitio de ampulheta, e sem saber que, com o numeral do monarca como II, do sub-tipo 3, o seu nome teria que ter um H como IOHANES;
4 – o justo do Porto terá sido copiado de exemplares genuínos, apresentando elementos misturados de alguns dos exemplares acima inventariados dos sub-tipos IVS 1 e 3, exemplares que estariam, eventualmente, em deficiente estado de conservação, impedindo o falsário de compreender toda a dinâmica da gravura do reverso, com o rei sentado numa cadeira gótica de espaldar alto entalhado, e circundado por uma cartela que dobra para baixo e enrola junto à cadeira, elementos esses que interpretou à sua maneira numa composição sem sentido nem nexo;
5 – a época desta falsificação poderá, assim, situar-se entre 1750 e 1850, talvez mais perto da última data.

Conclusão final


Apesar do seu impressionante “pedigree” coleccionista, o justo do Porto tem uma muito elevada probabilidade de ser uma falsificação moderna, grosseira e tosca, eventualmente feita a pedido do próprio coleccionador, para colmatar uma falta de moedas do Porto na sua colecção. Depois de nela ter entrado, nenhum outro numismata ou coleccionador se preocupou, durante mais de um século, em fazer um exame técnico a esse exemplar, que foi transitando de colecção em colecção, de leilão em leilão, de catálogo em catálogo, sem nunca ter sido dada a oportunidade de ser examinado com o cuidado que merecia. Até agora.

Lisboa, 11 de Outubro de 2014
António Trigueiros
(para o Fórum dos Numismatas)
Última edição por EngTrig em 13 out 14 14:26:23, editado 1 vez no total.

Rui
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Re: Justo do Porto

Mensagem por Rui » 12 out 14 0:37:52

Trigueiros, parabéns pela excelente tese! Muito bem fundamentada, é complicado contra-argumentar. Mas fazendo de advogado do diabo para enriquecer a tese:
- Os Vinténs do Porto com numeral II, são frequentemente do tipo IOANES. Vai contra o axioma Trigueiro por serem de tipos diferentes, não sei se terá importância.

- O exemplar apresenta o tal P característico do Porto, seria possível o falsário ter este tipo de conhecimentos numa época em que quase não havia literatura numismática? Terá feito um "mix" com um vintém do Porto?

-Com a introdução da cunhagem mecânica, perdeu-se um pouco a noção de abertura de cunhos, não será mais antigo?
Já pensei em todo o tipo de emissão privada ou arrendada ou esquema que podia ser feito, isto não será para enganar o sistema de João IV, nomeadamente os alvarás dos carimbos? Creio que foi um abridor ou ex-abridor que fez isto e se foi posterior à época devida, talvez fosse para tara de alguém, ou para lucrar, os castelos com 4 ameias aparecem praticamente apenas em João IV. Seria mais fácil passar uma casa da moeda invulgar. O que pode sustentar a hipótese do lucro. Caso seja algo parecido com isto o ouro será baixo, se for bom ouro então sim, seria para um coleccionador.

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jvalerio
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Re: Justo do Porto

Mensagem por jvalerio » 12 out 14 10:51:38

Muitos parabéns pelo excelente trabalho que nos trouxe. Está criada uma metodologia que nos permitirá aplicá-la a outros numismas. Gostaria apenas de sugerir que este trabalho fosse integralmente passado para PDF, incluindo imagens das moedas, e fosse aqui disponibilizado no fórum para que possamos fazer o download e estudá-lo melhor.
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Re: Justo do Porto

Mensagem por EngTrig » 12 out 14 14:35:07

Bom dia e obrigado pelos vossos comentários, todas as críticas a erros,omissões e sugestões são bem vindas de todos os foristas, o que desde já agradeço.

Amigo valério, este trabalho foi prometido ao Fórum e não vou fazer qq. outra publicação fora do Fórum. Já recebi luz verde do amigo Alberto (BandaLopes) para avançar com a conclusão do estudo (falta-lhe os preliminares, o inventário documental e a bibliografia), com vista a uma eventual publicação em papel. Se antes disso o Fórum quiser um PDF, teria todo o gosto em lho entregar.

Quanto ao iniciador deste tópico,o jovem amigo Rui, se puder continuar a investigar as pratas do mesmo período, será um excelente campo de treino numismático. Mas sugiro que só o faça dentro de uma metodologia científica, primeiro inventariando o que existe; depois ordenando por sub-tipos; terceiro fazendo uma rigorosa análise visual (as fotos devem ser montadas num ficheiro word, que desde logo permite comparar cunhos, faces etc. Só depois é que vão começar a surgir os padrões dessas amoedações, aquelas características que definem o tipo numismático e que por vezes nos passam despercebidas numa análise sumária.

Mas existe uma obrigatoriedade... é que, para cada tipo numismático a estudar, devemos estar por dentro do seu fabrico na sua época e isso não é fácil. Há que estudar os moedeiros, as histórias monetárias, tudo que nos possa ajudar a vestir a pele de um moedeiro ou gravador de cunhos desse século/período/época, cujas técnicas de amoedação, fundição, laminagem, cunhagem etc, devemos também dominar na perfeição.

Daí que eu possa dizer-lhe que não gosto de comparar ouro com pequenas pratas, porque sei que os gravadores mais experientes abriam os ferros das moedas de maior responsabilidade, deixando para os aprendizes as moedas pequenas de prata. Ao longo dos séculos, sabemos caso a caso quem fez o quê e isso dá-nos uma ideia de que não vou comparar cunhos do Justo com vinténs, apenas com espadins e cruzados. E aí sim, está por fazer o inventário dos Espadins e dos cruzados!

Ab,
A Trigueiros
Última edição por EngTrig em 12 out 14 20:47:26, editado 1 vez no total.

Rui
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Re: Justo do Porto

Mensagem por Rui » 12 out 14 15:21:36

Tem toda a razão, apenas coloco algumas questões, porque são duas casas diferentes, com moedeiros diferentes, artistas de escola diferente embora teoricamente a matriz monetária seja a mesma. Os marcadores e as letras monetárias no entanto tinham que ser ajustados internamente. Mas como tenho dito ao longo dos tempos e aí dou-lhe toda a razão, às vezes a chave será apenas pensar que o ouro não é feito por um tipo qualquer, são moedas normalmente refinadas.

O ideal seria fazer o estudo divergir para o espadim e o cruzado em 2 tópicos separados. Se não der nada para o justo, ao menos fica-se com boa recolha de imagens.

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Re: Justo do Porto

Mensagem por EngTrig » 12 out 14 16:45:22

O que é que temos mais próximo de 1489 da casa da moeda do Porto(de ouro)?
Cruzados de D. Afonso V e o ESCUDO dele. Eu começaria por aí, comparando os cruzados do pai e do filho, e os escudos do pai. Será que os moedeiros do Porto também inventaram elementos nessas duas moedas? Claro que não.
ATrigueiros

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Re: Justo do Porto

Mensagem por Destrans » 13 out 14 11:19:02

Acabei de ler o trabalho e quero dar os parabéns pela pesquisa, tratamento/estudo e conclusão a que se chega.
Agradeço também a publicação no Numismatas, que conforme é nosso hábito, trataremos da melhor forma.

Tenho pena de não ter podido ajudar mais, mas reconheço no tópico um esforço por ajudar de todos os intervenientes.
Temos por cá bons "professores", aos quais apelo sempre a deixarem as suas sebentas para os vindouros. Os nosso cadernos são isso mesmo, um objectivo sem limtes burocráticos e entraves económicos.
Talvez um dia se consiga avançar, (com mais dinheiro), para um formato mais nobre.

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Re: Justo do Porto

Mensagem por EngTrig » 13 out 14 14:33:08

Anexo a imagem de um vintém do Porto da col. Carlos Costa /BESNumismática, para completar a ideia de que os gravadores do Porto não trabalhavam ao Deus dará, tinham outra formação (sem dúvida inferior aos de Lisboa), mas respeitavam os critérios da época e os tipos de letra em vigor... Eis outro P bem diferente.

Acrescento que preparei um PDF com as fotos intercaladas, que enviarei aos foristas interessados, desde que aceitem como limitação prévia, que não farão uso dele nem o publicarão em lado algum. Aceitando isto, agradeço que me enviem o vosso e-mail para : editor@estudosdenumismatica.org
Cumprimentos,
A Trigueiros


ImagemImagem
Vintém do Porto, col. Carlos Costa /BESNumismática

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Re: Justo do Porto

Mensagem por Toninhomantorras » 13 out 14 20:47:44

Palavras para quê. :alah: :alah: :alah: :alah: :alah:

Um abraço,
João Dias

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Re: Justo do Porto

Mensagem por Bandadolopes » 13 out 14 22:54:05

Penso que consegui uma melhor imagem para este exemplar.
IVS 3.03 – Banco de Portugal #1, col. engenheiro Raul da Costa Couvreur, Lisboa: 30,8 mm; 5,99 g


Imagem
Cumprimentos,

Alberto Praça

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Re: Justo do Porto

Mensagem por EngTrig » 14 out 14 11:00:28

Amigo Alberto, reparou que está desfocada?
Ab, AT

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Re: Justo do Porto

Mensagem por Bandadolopes » 14 out 14 13:46:17

EngTrig Escreveu:Amigo Alberto, reparou que está desfocada?
Ab, AT
Corrigido.
:like:
Cumprimentos,

Alberto Praça

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