A moeda peninsular dos Séculos V e VI, imitações dos povos bárbaros e/ou das comunidades provinciais, será sempre a parte mais tenebrosa da numismática medieval, tanto no que diz respeito à cronologia como à atribuição. (A. Engel e R. Serrure, citados por Mário Gomes Marques). A preferência dos imitadores tanto dos povos bárbaros como das comunidades provinciais foi sempre pelas espécies áureas. Este facto é o aspecto que mais transparece na história monetária do ocidente europeu nestes dois séculos. As emissões em prata cunhadas por ordem de Requiário assim como de monarcas francos terão tido muito provavelmente fins comemorativos tendo sido o seu papel económico quase nulo. ( Crusafont i Sabater, M. El sistema monetário visigodo: Cobre y oro, Barcelona-Madrid, 1984).
Em “ A moeda sueva-Porto 1977, Peixoto Cabral e Metcalf”, afirmam não ter dúvidas quanto à atribuição aos suevos das imitações de Honório, isto no que diz respeito à série pesada (moedas com maior peso), e declararam-se “inclinados” para lhes atribuir as restantes. Esta opinião assenta no facto de a grande maioria das moedas conhecidas pertencer a colecções portuguesas, presumivelmente formadas com achados no território nacional, no entanto só sabemos a proveniência de seis destes exemplares: Coimbra, Castelo Branco, Covilhã, Portalegre, Badajoz e Cacia-Aveiro, precisamente localidades fora da área nuclear sueva, só transitoriamente dominadas pelos suevos.
Peixoto Cabral e Metcalf conscientes deste facto levantaram a hipótese de que pelo menos algumas emissões terão sido cunhadas em Sevilha. Mário Gomes Marques adianta a alternativa de Mérida como centro de cunhagem, de facto esta alternativa está mais de acordo com a localização das localidades de proveniência. Segundo o mesmo autor os suevos dispuseram de facto de condições para a produção de imitações de solidi de Honório e que no caso de o terem feito entre 439 e 456, o centro de cunhagem mais provável terá sido Mérida, refere no entanto não existir qualquer prova de que assim tenha sido.
A única certeza quanto a este solidus da Torre é que estamos de facto perante uma imitação servil de um solidus imperial de Honório.


“ Estamos a lidar com material em que não existe uma linha divisória nítida entre facto e ficção.”
W. J. Tomasini.
Não é para já minha intenção alargar-me em conjecturas no âmbito da história monetária dos séculos V e VI. É sim minha intenção relembrar este achado como contributo para a história do distrito de Aveiro.





