Amigo Salgado
Este tema e o modo como o vamos levando , transporta-me à época em que os gladiadores lutavam no Coliseu de Roma , um contra o outro para se encontrar um vencedor , para gáudio de 80 mil romanos que assistiam e batiam palmas .
Neste caso nem o amigo nem eu somos gladiadores , nem temos 80 mil a assistir , mas , a luta é até um cair para o lado sem ninguém a socorrer-nos , mas avancemos .
Para começar , há que corrigir o papa que despachou o Sancho II , que não foi o Urbano IV , mas sim o Gregório IX , não vá ele carregar-nos com a cruz às costas , quando lá chegarmos acima.
1 - Sobre as moedas de Sancho II , seguem imagens de 3 moedas deste rei e vão assinaladas para se identificarem , levam as iniciais PR , Procurador do Reino (regente do reino ? ) .
Os AA , que intervieram no Simpósio , escreveram !
Na análise às Casas da Moeda onde se cunharam dinheiros , escrevem : Analisando a sucessão de eventos militares em 1147 poderia ter sido estabelecida uma Casa da Moeda em Coimbra embora a primeira referência a ela apenas surja no reinado de Sancho I , sendo então Diogo Dias o seu capitam .Esta Casa operou até ao reinado de D. Afonso III, tendo sido os apetrechos transferidos em 1270 para Lisboa, não havendo registo de produção entre 1261 e 1270.
Quanto à Casa de Lisboa : Gomes Marques analisou a presença no reinado de Sancho II de dois tipos diferentes na legenda do anverso , REX SANCIVS , e SANCII REX, e sugeriu que esta última forma que corresponde igualmente a moedas de menor qualidade, teriam sido produzidas sob a autoridade de Afonso, futuro Afonso III , entre 1246 e 1248 . Francisco Magro aceita esta tese , e crê que a Casa de Lisboa foi estabelecida em 1246, porque o Procurador Afonso aparentemente não detinha autoridade sobre Coimbra.
Um dia gostava que se estudassem as emissões de Afonso III , se uma , se duas , se três , se quatro.
2 – Quanto aos escudos primitivos ,
Citar : Quanto a escudos "primitivos", quer-me parecer que os autores tendem a classificar como primitivo todos os escudos que são diferentes do habitual. É um raciocínio perigoso pois excluí directamente toda a experimentação, as tentativas artísticas, e a tentativa de encontrar símbolos de uma nacionalidade tão recente.
Não terão os escudos dos morabitinos de Sancho I copiado o desenho do escudo da moeda nº. 3 de Aragão , e a beleza que apresentam na moeda , copiada pelos países europeus.?
Onde foram eles beber da mesma arte para apresentarem o belo desenho que tem ? não teria sido à moeda que Aragão atribui a Afonso I ; ou Sancho I não teria sido o pai e antecessor de Afonso II a quem é atribuída a moeda com escudo ovóide ou amendoado ladeada por 2 triângulos ? Lopes Fernandes , então ainda pior , pois coloca-a em Afonso III . A ciência e a arte , nunca retrocederam e caminharam sempre a par e observa-se bem na numismática a sua evolução e não o seu retrocesso .
1ª. - A moeda que Aragão mostra na imagem com o nº. 3 , era pertença de D. Luís e mostra que estava em muito bom estado .
2ª., Pertencia Couvreur e tinha sido encontrada em Pernes com as outras duzentas , diz que estava muito boa .
3ª. Está reproduzida no livro de Memória das Moedas Correntes ............... de M.B.Lopes Fernandes que apesar de ter um corte está na posse de todos os elementos para que se possa considerar razoável..
As moedas do Rei Afonso I , do 02.01 , não apresentam 4 triângulos em cruz bem evidenciados
sob a letra A ; e a 04 e a 07 não apresentam os triângulos em cruz sobre o duplo báculo ?
Estão com sorte que lhes ofereço mais este quadro que fiz há 2 ou 3 anos.
– então pergunto : o que é que não é frágil em numismática feita a martelo , sem documentação até ao reinado de Afonso III ?
Comentários e interrogações ao que vou escrevendo ( com algum entusiasmo) pelo gozo que me dá , é isto que vou observando, mas são precisos outros argumentos que não só os meus , isso é que eu gostava de ver .
Seria sem dúvida estranho chamar REX a Sancho com o seu pai ainda vivo e no poder. Mas tal pode dever-se a uma tentativa de legitimar o sucessor de um reino recém-criado onde não faltavam pretendentes. Também é estranho não haver então uma moeda com legenda que refira D. Teresa, mas dado o estatuto da mulher nesse tempo talvez os triângulos do seu selo fossem o melhor a que podia aspirar.
Que prova será preciso apresentar que justifica a minha tese ? será preciso algum trunfo ? seguimos em frente :
Sancho I , casa em 1173/4 com D. Dulce , tem nesta altura 20 anos e ela 14 , tinha sido armado cavaleiro em 15 de Agosto de 1170 , ela casou em 1184 com Filipe I Conde de Flandres
( França), onde lhe foi dado o nome de Matilde.
A história de Sancho e Tereza a partir do acidente de Badajoz é muito comprida não dá para aqui reproduzi-la , dou tentar aflorá-la muito superficialmente , porque nela entra um terceiro interveniente que se chama Fernando Afonso , meio irmão de Sancho I e de Tereza , que era filho de Chamôa Gomes , nascido antes do casamento do Afonso Henriques com D. Mafalda.
É a partir do desastre de Badajoz que entra em acção o poder e a politica . Afonso Henriques, depois de declarar Sancho e Teresa seus co-herdeiros, com casa própria, certamente afastou-se ou foi afastado por graves problemas de saúde, provavelmente acidente vascular cerebral. Só uma doença desse tipo levaria Sancho e Teresa a assumir o governo, como o rei previu no documento de Monsanto . Alguns historiadores de Portugal acostumaram-se a ver nele a encarnação do Estado nacional, o que não tem o menor fundamento e isso afectou grandemente suas análises. Afonso foi um típico soberano feudal, de vida amorosa movimentada, que tinha os territórios portugueses como sua propriedade, agindo, em função disso, como agiam todos os grandes senhores da época. O prolongado silêncio dos contemporâneos sobre os anos pós-Badajoz é, sobretudo, um indicador das tensões feudais que estavam em andamento no processo de acomodação da sucessão do rei, tanto interna quanto externamente.
Em Castela, a Ordem de Santiago ganhou a praça de Uclés em 1174, com cujo nome ficou também conhecida, e fortaleceu-se rapidamente, unida aos cavaleiros de Portugal. A doação de Monsanto e actos seguintes mudam o eixo do poder e integram Sancho definitivamente. Com o novo quadro, o casamento deste em 1174 será contrastado logicamente pela separaçáo de Urraca em 1175, que morrerá depois de 1211, significativamente, como freira hospitalária. Sancho, porém, parece responder, fundando a Ordem de Évora, estritamente lusitana, neste mesmo ano.
Na doação original de Monsanto, houve, portanto, uma claríssima inversão dos papéis, com Pedro Fernandes como cabeça dos confirmantes. Fernando Afonso está em segundo lugar e o mordomo do rei em terceiro, sendo esta a primeira vez em que Sancho se afirma, quase aos dezoito anos. Mais significativo ainda é que, no documento, o rei determina ao mestre de Uclés que não entregue o castelo doado a comendador estranho (certamente da Ordem do Templo, prejudicada pela doação) e que receba Sancho e Teresa, se estiver esta à frente de meu reino (“se vier a ter meu reino”), no castelo bem como a seus seguidores, sejam homens de negociações sejam de guerra, sejam sarracenos ou cristãos, e que ninguém de seu sangue viole essa determinação. A mensagem, em nossa opinião, é dirigida a Fernando Afonso, que está presente, e a seus seguidores das ordens internacionais, o que significa, ao mesmo tempo, que houvera uma luta pelo poder, que esse poder fora revertido em favor de Sancho e Teresa após três anos de predomínio do partido de Fernando Afonso e Pero Pais e que, finalmente, Fernando, como filho seu, tinha de respeitar a situação. Significa, ainda, que o rei tinha decidido deixar o reino para sua filha Teresa, repetindo, em grau mais elevado, seu avô relativamente à filha de mesmo nome Teresa, que casara com Henrique de Borgonha e recebera o Condado Portucalense com autonomia. A razão dessa misteriosa cláusula pode ser o fato de, na competição entre dois irmãos inteiros, Sancho e Fernnando Afonso, o rei adoptar a solução de deixar, de direito, o reino para a única filha legítima em condições de assumi-lo. (Urraca ainda estava casada com Fernando II, de Leão).
Fiquemos por aqui com o Fernando Afonso e a sucessão do reino de Portugal , garantida .
