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MensagemEnviado: 01 fev 10 0:34:22 
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Moeda do Dia
1 de Fevereiro de 1908 - Assassinato de El-Rei D. Carlos

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500 reis, 1892 - moeda da colecção do Destrans


“De súbito, do lado da praça, quase em frente do Ministério da Fazenda, agora estação dos CTT, ouve-se o estalido seco duma primeira detonação.
Logo ao primeiro tiro acerta no pescoço de D. Carlos, quebrando-lhe a coluna vertebral e matando-o instantaneamente
Estabelece-se a confusão do pânico. Soltam-se gritos de angústia. Procuro refúgio nas arcadas. Vejo o príncipe D. Luís Filipe levantar-se e apontar o seu Colt, de calibre 38, mas, antes de poder disparar, já o Costa abria fogo sobre ele, atingindo-o na região do externo atravessando-lhe o pulmão.
Embora ferido, o príncipe consegue ainda disparar quatro tiros sobre o regicida, que caiu por terra, onde é morto à espadeirada e a tiro pela polícia
Entretanto, o Buíça continua a disparar, e, revelando uma pontaria espantosa, atinge o príncipe na cabeça. A bala atravessa-lhe a face esquerda, saindo-lhe pela nuca. O príncipe tomba na bancada da frente. Estoiram mais tiros, quase simultâneos, cinco, dez. O infante, ao amparar o irmão, é atingido num braço por um projéctil. A rainha esforça-se por acudir aos filhos, recebendo nos braços o cadáver do marido. O cocheiro, ferido numa das mãos, lança os cavalos à desfilada.
5 horas e 23 minutos. O comando dos Bombeiros de Lisboa recebe do posto n.º 8 a seguinte mensagem:
- Dizem como certo que mataram Sua Majestade el-rei D. Carlos. - Bombeiro n.º 231."


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O regicídio - desenho da época, o coche em que viajava a familia real na altura do atentado e lápide que assinala o local do atentado

No dia 1 de Fevereiro de 1908, El rei D Carlos I e seu filho, o príncipe herdeiro Luis Filipe são barbaramente assassinados em Lisboa, no Terreiro do Paço.

Este acontecimento tinha sido previsto uns anos antes em 1890 pelo poeta Guerra Junqueiro através dos versos «O Caçador Simão» ( Simão é o ultimo dos nomes próprios do Rei ), onde previa que o caçador acabaria por ser caçado, numa clara alusão à paixão do rei pela caça e à possibilidade da Monarquia terminar com a sua morte violenta.
Carlos Fernando Luís Maria Victor Miguel Rafael Gabriel Gonzaga Xavier Francisco de Assis José Simão de Bragança Sabóia Bourbon e Saxe-Coburgo-Gota, nasceu em Lisboa, no Palácio da ajuda em 28 de Setembro de 1863 e foi o penúltimo Rei de Portugal.Filho do rei Luís I de Portugal e da princesa Maria Pia de Sabóia.
D. Carlos nasceu na qualidade de príncipe herdeiro da coroa, pelo que recebeu desde cedo os títulos oficiais de Príncipe Real de Portugal e Duque de Bragança, tendo recebido desde cedo uma cuidada educação, onde se incluiu o estudo de várias línguas estrangeiras. Ainda jovem viajou por várias cortes europeias (Inglaterra, Alemanha, Áustria, etc.), tendo numa dessas deslocações conhecido a princesa francesa Amélia de Orleães, filha do pretendente ao trono de França, com quem viria a casar, na igreja de S. Domingos em Lisboa, após um breve noivado.

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Noivado do rei e gravura dos monarcas

Em 19 de Outubro de 1889, na velha cidadela de Cascais, assiste ao fim da penosa agonia do rei D.Luis, tendo sido sua mãe a rainha D. Maria Pia a primeira pessoa a prestar-lhe homenagem.
" Abençoo-te, Carlos, para que sejas tão bom rei como foste bom filho "
Foi aclamado rei de Portugal em 28 de Dezembro de 1889, altura em que o país atravessava uma grave crise económica, tendo o seu reinado começado da pior forma.
Logo em Janeiro de 1890 o “Ultimato Inglês”, no qual a Inglaterra exigia que o governo português mandasse retirar os exércitos que se encontravam entre as colônias de Angola e Moçambique, caso contrário, declararia guerra ao país, veio complicar a situação.
O governo cedeu. Os portugueses sentiram-se humilhados e atribuíram as culpas à incapacidade política do rei. Os republicanos aproveitaram esta oportunidade para reforçar a idéia de que a monarquia devia ser derrubada.
Houve por todo o país muitas manifestações contra o “Ultimato” e os jornais encheram-se de artigos violentos contra a Inglaterra, contra o rei e contra a monarquia. Foi nessa época que apareceu um hino militar “A Portuguesa”, hoje, Hino Nacional.
O Rei soube inverter a situação e, graças ao seu notável talento diplomático conseguiu colocar Portugal no centro da diplomacia europeia da primeira década do século XX. Para isso contribuiu também o facto de D. Carlos ser aparentado com as principais casas reinantes europeias.
D. Carlos era um apreciador das novas tecnologias, tendo mandado instalar luz eléctrica no Palácio das Necessidades e fez planos para a electrificação das ruas de Lisboa. Embora fossem medidas sensatas, contribuíram para a sua impopularidade visto que o povo as encarou como extravagâncias desnecessárias. Foi ainda um amante da fotografia e autor do espólio fotográfico da Família Real. Foi ainda um pintor de talento, com preferências por aguarelas de pássaros que assinava simplesmente como "Carlos Fernando".

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O sobreiro - pintado pelo rei em 1905

Foi um apaixonado pela ornitologia e pela oceanografia. Ao longo de doze anos de campanhas, D. Carlos reuniu uma colecção zoológica de incalculável valor histórico e científico. Esta colecção tem vindo a servir de base à realização de diversos estudos científicos, nomeadamente sobre peixes e crustáceos e a parte que resistiu a inumeros saques e mudanças de local de armazenagem, está hoje exposta no Aquário Vasco da Gama.

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Algumas instrumentos e conchas que fazem parte da Colecção Oceanográfica de D.Carlos

Honrando esta faceta do monarca, a Armada Portuguesa opera actualmente um navio oceanográfico com o nome de D. Carlos I.
D. Carlos foi também um excelente agricultor, tendo tornado rentáveis as propriedades da Casa de Bragança , produzindo vinho, azeite, cortiça, entre outros, tendo também organizado uma excelente ganadaria e incentivado a preservação dos prestigiados cavalos de Alter.
Foi o rei mais culto de toda a história portuguesa.
Mas durante todo o reinado de D. Carlos, o país encontrou-se a braços com crises políticas e económicas, tendo o rei nomeado o regenerador liberal João Franco como primeiro-ministro. Este, solicitou ao Rei que dissolvesse o parlamento, adiando por algum tempo as novas eleições, ao que D. Carlos acedeu. A oposição (não só a republicana, mas também os monárquicos opositores de Franco) lançaram então uma forte campanha antigoverno, envolvendo também o próprio rei, alegando que se estava em ditadura. Este regime ditatorial foi o início do movimento republicano, que começava a ganhar adeptos em todo o país, e a causa directa do regicídio.
No dia 31 de Janeiro de 1908, João Franco consegue convencer o rei a assinar um decreto que agravava grandemente a situação dos oposicionistas presos .
Era o tal decreto que, no fundo, habilitava o Governo a eliminar todos os discordantes da sua política e é a última recordação que o monarca vai deixar ao povo.
Ao assiná-lo, dizem que murmurou:
«Assino a minha sentença de morte.»

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Palácio de Vila Viçosa

No dia seguinte, a família real regressa a Lisboa depois de uma temporada no Palácio Ducal de Vila Viçosa. Viajaram de comboio até ao Barreiro, onde apanharam um vapor para o Terreiro do Paço. Esperavam-nos o governo e vários dignitários da corte. Após os cumprimentos, a família real subiu para uma carruagem aberta em direcção ao Palácio das Necessidades. Nenhumas providências excepcionais foram tomadas para garantir a segurança da família real pois para João Franco não havia razões algumas para tal… D. Manuel alude a este facto no seu diário: «Aquele Terreiro do Paço estava deserto, nenhuma providência! Isso é que me custa mais a perdoar ao João Franco.»
Da velha rainha-mãe Maria Pia o primeiro-ministro ouve incriminações contundentes:
"- Diziam que o senhor era o coveiro da monarquia. Foi pior. Foi o assassino de meu filho e de meu neto."
Os autores do atentado Alfredo Costa e Manuel Buíça foram mortos no local por membros da guarda real.
A morte de D.Carlos e do Principe Herdeiro indignou toda a Europa, especialmente a Inglaterra, onde o Rei Eduardo VII lamentou veementemente a impunidade dos chefes do atentado.
Os restos mortais d'El Rei D.Carlos repousam no Panteão dos Braganças, no mosteiro de São Vicente de Fora em Lisboa, ao lado do filho que com ele foi assassinado.

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Tumulos gemelares do rei D.Carlos e do principe Luis Filipe, obra do escultor Francisco Franco. À cabeceira a figura de uma mulher a chorar, tapando a cara com as mãos. Para uns representa a rainha, para outros a nação portuguesa.

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Teresa




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MensagemEnviado: 01 fev 10 11:29:38 
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Tal na foi a trabalhera pa fazer este tópico. :)

Está cá, o meu nome, uma moeda minha e algumas fotos da minha terra.
É impossível não gostar :mrgreen:

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MensagemEnviado: 01 fev 10 12:55:48 
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Flor de Cunho
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Adorei o post mas acho que o facto tratado foi dos piores factos da história de Portugal.
Ainda bem que foi aqui lembrado para que as pessoas tenham conhecimento do que aconteceu, neste dia, há cento e dois anos.
Um abraço amigo.

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Pizarro Bravo
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Saudações numismáticas.
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MensagemEnviado: 01 fev 13 10:23:10 
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MensagemEnviado: 01 fev 13 10:54:03 
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MBC
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Um dos grandes pintores portugueses da época e um dos grandes nomes da biologia em Portugal. Por exemplo, são seus os últimos registos de quebra-ossos em Portugal, mas o seu vício pela caça não perdoava, e como tal os dois registos (conservados no Museu de Coimbra) foram mortos em 1888, no Guadiana pelo próprio rei.

Além disso temos que nos lembrar do seu legado que ainda hoje anda entre nós, nomeadamente o ACP, entidade que nos projecta mundialmente através do desporto automóvel, nomeadamente o notável Rali de Portugal.

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André de Sousa Ferreira




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