A melhor fonte para o conhecimento do período compreendido entre a entrada dos suevos na Península Ibérica e 469, é sem dúvida Idácio, que foi bispo de Chaves, no entanto a sua Crónica é prejudicada pela condição de um homem que via nos bárbaros os causadores da destruição da civilização que amava, um homem que tinha aversão por "estes pérfidos e opressores implacáveis...". Resultam assim, da sua Crónica, dados errados quanto à extensão do poder dos monarcas germânicos no solo peninsular. É exemplo disso o trecho referente a 411, - depois de dizer que os diferentes povos invasores distribuiram por sorteio as regiões em que cada um se implantaria - afirma que " os hispânicos, que, nas cidades e castelos" tinham sobrevivido "ao ferro, à fome, à peste e às feras" dos dois terríveis anos precedentes, "se submeteram, como escravos, aos bárbaros que dominavam as províncias". Uma vez que , segundo o próprio, o sorteio conferira aos suevos e vândalos asdingos o "direito" de implantação na Galécia, ao tratar das áreas de implantação que terão cabido aos diferentes povos após o sorteido de 411, Idácio afirma: "Galleciam Vandali occupant et Suevi sita in extremitate oceani maris occidua". Poderemos interpretar esta frase como significando que aos vândalos coube a Galécia, com excepção da " parte ocidental situada no extremo do mar oceano", que terá cabido aos suevos.
Adaptação de: A Moeda Peninsular na Idade das Trevas, Mário Gomes Marques, Instituto de Sintra, Sintra, 1998.
Um abraço.




