Apontamentos para o Estudo da Moeda Sueva

Numária Hispano-Romana, Sueva, Visigoda e Muçulmana
Visigodo
Flor de Cunho
Mensagens: 5641
Registado: 02 mai 08 19:39:01
Colecção Preferencial: Moeda Antiga
Nº Sócio SPN: 0
Nº Sócio ANP: 0
Localização: Aveiro

Re: Apontamentos para o Estudo da Moeda Sueva

Mensagem por Visigodo » 26 dez 08 12:39:17

:)

A melhor fonte para o conhecimento do período compreendido entre a entrada dos suevos na Península Ibérica e 469, é sem dúvida Idácio, que foi bispo de Chaves, no entanto a sua Crónica é prejudicada pela condição de um homem que via nos bárbaros os causadores da destruição da civilização que amava, um homem que tinha aversão por "estes pérfidos e opressores implacáveis...". Resultam assim, da sua Crónica, dados errados quanto à extensão do poder dos monarcas germânicos no solo peninsular. É exemplo disso o trecho referente a 411, - depois de dizer que os diferentes povos invasores distribuiram por sorteio as regiões em que cada um se implantaria - afirma que " os hispânicos, que, nas cidades e castelos" tinham sobrevivido "ao ferro, à fome, à peste e às feras" dos dois terríveis anos precedentes, "se submeteram, como escravos, aos bárbaros que dominavam as províncias". Uma vez que , segundo o próprio, o sorteio conferira aos suevos e vândalos asdingos o "direito" de implantação na Galécia, ao tratar das áreas de implantação que terão cabido aos diferentes povos após o sorteido de 411, Idácio afirma: "Galleciam Vandali occupant et Suevi sita in extremitate oceani maris occidua". Poderemos interpretar esta frase como significando que aos vândalos coube a Galécia, com excepção da " parte ocidental situada no extremo do mar oceano", que terá cabido aos suevos.

Adaptação de: A Moeda Peninsular na Idade das Trevas, Mário Gomes Marques, Instituto de Sintra, Sintra, 1998.

Um abraço.


António Diogo
FELICITAS PERPETVA SAECVLI

Visigodo
Flor de Cunho
Mensagens: 5641
Registado: 02 mai 08 19:39:01
Colecção Preferencial: Moeda Antiga
Nº Sócio SPN: 0
Nº Sócio ANP: 0
Localização: Aveiro

Re: Apontamentos para o Estudo da Moeda Sueva

Mensagem por Visigodo » 29 dez 08 14:49:38

:)

Muito interessante este parágrafo retirado de um texto intitulado: Os Bárbaros no Ocidente, de Carlos Fabião.

As fontes disponíveis são insuficientes e parciais. A mais importante, a "Crónica" do bispo Idácio de Chaves, oferece uma imagem apocalíptica da situação, ainda que não isenta de elementos contraditórios. Fala de chacinas e saques, mas também de uma epidemia de peste e de uma tremenda opressão do fisco e dos militares, o que sugere que as populações locais não estariam entregues a si próprias. Sublinhe-se que, para um autor cristão da época, o quadro apocalíptico seria uma prova de que se cumpriam as profecias.

Um abraço.
António Diogo
FELICITAS PERPETVA SAECVLI

Avatar do Utilizador
Lunor
Administrador
Mensagens: 1655
Registado: 18 jun 08 1:49:28
Colecção Preferencial: ----
Nº Sócio SPN: 0
Nº Sócio ANP: 0
Localização: Vale de Milhaços

Re: Apontamentos para o Estudo da Moeda Sueva

Mensagem por Lunor » 30 dez 08 8:06:12

Embora não tenha conhecimentos nem elementos (neste momento) para poder participar mais activamente neste tópico, sigo com atenção todas as intervenções do amigo Diogo e demais companheiros, aos quais deixo um abraço de agradecimento pelos interessantes textos que vou "bebendo" aqui.

8)
Luís Norte

Avatar do Utilizador
Pizarro Bravo
Flor de Cunho
Mensagens: 4234
Registado: 03 mai 08 11:24:43
Colecção Preferencial: Moedas Romanas
Nº Sócio SPN: 799
Nº Sócio ANP: 1362
Localização: Chaves - Portugal

Re: Apontamentos para o Estudo da Moeda Sueva

Mensagem por Pizarro Bravo » 30 dez 08 16:01:59

Lunor Escreveu:Embora não tenha conhecimentos nem elementos (neste momento) para poder participar mais activamente neste tópico, sigo com atenção todas as intervenções do amigo Diogo e demais companheiros, aos quais deixo um abraço de agradecimento pelos interessantes textos que vou "bebendo" aqui.
Faço minhas as palavras que antecedem.
As palavras podem ser as mesmas mas... a capacidade de aprender é que não!!!!! "b u r r o" velho já não aprende línguas.....
Abraço e FELIZ 2009.
Pizarro Bravo
http://vila-dobaa.myminicity.es/" onclick="window.open(this.href);return false;
Saudações numismáticas.
"MISCE UTILE DULCE"

Visigodo
Flor de Cunho
Mensagens: 5641
Registado: 02 mai 08 19:39:01
Colecção Preferencial: Moeda Antiga
Nº Sócio SPN: 0
Nº Sócio ANP: 0
Localização: Aveiro

Re: Apontamentos para o Estudo da Moeda Sueva

Mensagem por Visigodo » 30 dez 08 21:57:48

Imagem

Meus caros amigos, aqui deixo a capa da obra que norteia a minha postura ao escrever sobre história monetária dos suevos e visigodos sem nunca excluir autoridades regionais e/ou provinciais investidas ou não do jus monetae... É desta forma que a todos vos agradeço e peço ajuda, obrigado.

Deixo-vos um desafio para estudo e cumplicidade: Qual a moeda representada na capa? Qual o monarca? Onde terá sido cunhada? Em nome de quem? Qual o metal? Será uma moeda rara?
No território hoje Portugal temos notícias deste espécime? :roll:

Um abraço.
António Diogo
FELICITAS PERPETVA SAECVLI

JCardoso
BELA
Mensagens: 579
Registado: 17 mai 08 10:42:27
Localização: Montijo

Re: Apontamentos para o Estudo da Moeda Sueva

Mensagem por JCardoso » 31 dez 08 0:33:30

Amigo Diogo vou tentar... :oops:

- Emissão em nome de Honório?
DN HONORIVS
IVSSVRICHIARIRE CES

- Será feita de Argenteu?

- Local de emissão:
Bracara


Um abraço

Avatar do Utilizador
Avelino Nascimento
Fundador
Mensagens: 4673
Registado: 30 abr 08 19:19:49
Colecção Preferencial: Numismatica Classica
Nº Sócio SPN: 0
Nº Sócio ANP: 1868
Localização: Lisboa

Re: Apontamentos para o Estudo da Moeda Sueva

Mensagem por Avelino Nascimento » 31 dez 08 1:10:17

A minha tentativa :lol:

Emissão em nome de Flavivs Honorivs, como muito bem disse o nosso Cardoso, o Honório.
Trata-se de uma Silíqua, claro, o metal será de prata.
Anverso: DN HONORIVS P F AVG
Reverso: IVSSVRICHIARIREGES, do Rei Requíario, que reinou entre os anos 438 e 455 d.C..
Também aposto numa cunhagem de Bracara.
É uma moeda bastante rara, segundo Alberto Gomes, na sua obra «Moedas Portuguesas e do Território que hoje é Portugal», menciona somente três exemplares, estando os mesmos em posse de museus, sendo esta a única notícia, que conheço, destas numismas de prata, além da sua aqui no fórum:
Visigodo Escreveu:(...)um exemplar na Bibliothèque Nationale de Paris, um outro proveniente do Castro de Lanhoso, e o terceiro proveniente de escavações arqueológicas realizadas na Casa do Infante, da cidade do Porto), (...)
Senhor professor :D embora sendo eu um aluno "calado" tenho seguido as suas lições com a maior atenção.
Espero que pelo menos tenha um suf. neste exercício :mrgreen: :mrgreen:

Forte abraço,
Cumprimentos,
Avelino Nascimento

Visigodo
Flor de Cunho
Mensagens: 5641
Registado: 02 mai 08 19:39:01
Colecção Preferencial: Moeda Antiga
Nº Sócio SPN: 0
Nº Sócio ANP: 0
Localização: Aveiro

Re: Apontamentos para o Estudo da Moeda Sueva

Mensagem por Visigodo » 01 jan 09 18:33:49

:)

Dois amigos aprovados com distinção! :priii:

O exemplar da capa é exactamente o da Bibliothèque Nationale de Paris, durante mais de século e meio, foi o único conhecido. Foi publicado pela primeira vez em 1788, fazendo parte da colecção do Sr. D' Ennery, em 1827, já pertencia à coleccção Gosselin, leiloado em 1864 e então adquirido pela Bibliothèque Nationale. Muitos numismatas olharam para a moeda como uma possível falsificação moderna e a favor destes jogou, um espécime que apareceu à venda adquirido por um coleccionador de Graz, F. Stefan, - moeda fundida com moldes obtidos a partir da verdadeira Siliqua da Bibliothèque Nationale -. Se dúvidas haviam aí temos os dois exemplares encontrados em território português. São essas as únicas Siliquae de Requiário até hoje conhecidas.

Um abraço.
António Diogo
FELICITAS PERPETVA SAECVLI

Visigodo
Flor de Cunho
Mensagens: 5641
Registado: 02 mai 08 19:39:01
Colecção Preferencial: Moeda Antiga
Nº Sócio SPN: 0
Nº Sócio ANP: 0
Localização: Aveiro

Re: Apontamentos para o Estudo da Moeda Sueva

Mensagem por Visigodo » 02 jan 09 16:42:41

:)

Alguns autores se têm pronunciado acerca do significado político das siliquae de Requiário, destaco entre outros: Patterson, Grierson e Blackburn, Guadán, Barral i Altet, Mário Gomes Marques... de todas estas opiniões, M. G. Marques elaborou excelente monografia sobre estas emissões e no que ao siginificado político diz respeito, escreve (adaptado):

.../... Seria estranho que Requiário não tivesse plena consciência do papel desempenhado pela moeda de prata na economia do seu tempo... Deste modo, é lógico supor que terá ordenado a emissão de siliquae com o objectivo então mais usual, isto é, para comemorar um acontecimento importante para o seu povo. Representando o anverso a figura de Honório, é igualmente razoável supor que se trataria de um acontecimento ainda em vida desse imperador. Aconteceu, que em 420, a monarquia sueva foi salva da destruição pelos vândalos por um exército romano que terá actuado por ordem de Honório e provavelmente para cumprir um acordo já existente ou nessa altura assinado entre suevos e romanos. Barral i Altet afirmam a existência de um foedus, no entanto não temos provas documentais.
Importante, independentemente da relação legal estabelecida entre os suevos e o Império, foederatio ou amicitia, tudo leva a pensar que as siliquae batidas em nome de Requiário se destinaram a recordar laços existentes entre as duas partes, cabe perguntar se terá havido um motivo político particular e que levou à referida emissão. Subida ao trono de Requiário (448), o ano seguinte em que negociou o casamento com a filha do visigodo Teodorico I, entre 452/453 para assinalar a renovação das boas relações com o Império? Quanto dúvida e quanta matéria de estudo!

Um abraço.
António Diogo
FELICITAS PERPETVA SAECVLI

Visigodo
Flor de Cunho
Mensagens: 5641
Registado: 02 mai 08 19:39:01
Colecção Preferencial: Moeda Antiga
Nº Sócio SPN: 0
Nº Sócio ANP: 0
Localização: Aveiro

Re: Apontamentos para o Estudo da Moeda Sueva

Mensagem por Visigodo » 04 jan 09 22:18:19

Imagem

Caros amigos, fazendo um compasso de espera para assim que oportuno, relançar a série "mais abundante", a série LATINA MVNITA, deixo este tremissis atribuído a Audeca e que pertenceu ao acervo do Museo Arqueológico Nacional/Madrid de onde desapareceu em 1936. Espero despertar-vos o interesse e a curiosidade. Agradeço qualquer contributo.

Um abraço.
António Diogo
FELICITAS PERPETVA SAECVLI

master
MBC
Mensagens: 331
Registado: 11 dez 08 17:06:37

Re: Apontamentos para o Estudo da Moeda Sueva

Mensagem por master » 05 jan 09 1:45:11

Foristas com conhecimento é o que não falta aqui! Obrigado a todos por contribuições tão ricas. :claps:

Visigodo
Flor de Cunho
Mensagens: 5641
Registado: 02 mai 08 19:39:01
Colecção Preferencial: Moeda Antiga
Nº Sócio SPN: 0
Nº Sócio ANP: 0
Localização: Aveiro

Re: Apontamentos para o Estudo da Moeda Sueva

Mensagem por Visigodo » 05 jan 09 16:19:00

Imagem

:)
Grierson em "A tremissis of the Suevic King Audeca (584-5)", Estudos de Castelo Branco, 1962, atribuiu o tremissis a Audeca. Independentemente da restante legenda o anverso incluía o termo REIGES, relembro as siliquae de Requiário (IVSSV RICHIARI REGES) legendas de trientes visigodos, nomedamente de Egica/Witiza associados (VVITTIZA REGIS/REGES/REGI/REGIES), os termos REIS e REGIS em moedas de D. Afonso V, inequivocamente com o significado de REX. Ora era a primeira vez que um monarca suevo mandava escrever o seu nome numa moeda áurea. Diferentes leituras foram propostas pelos estudiosos: - DEODIAZCAREIGESCRAV (Engel), - OCODIACCAREIGESONAV (Mateu y Llopis), - OCODIACCAREIGESONAI (Reinhart), - OCOVIACCAREIGISGAISI (Beltrán Villagrasa); das diferentes leituras constam antropónimos e/ou topónimos? A primeira parte da legenda poderia ser o nome de um monarca suevo, não se esqueçam que não conheçemos os nomes dos monarcas suevos entre 469 e medos do séc. VI; as últimas letras poderiam conter um topónimo, Villagrasa retomou essa ideia... o GASI final da legenda formaria o nome, em genitivo, de um monarca desconhecido... Tenebroso! 8)

Um abraço.
António Diogo
FELICITAS PERPETVA SAECVLI

Visigodo
Flor de Cunho
Mensagens: 5641
Registado: 02 mai 08 19:39:01
Colecção Preferencial: Moeda Antiga
Nº Sócio SPN: 0
Nº Sócio ANP: 0
Localização: Aveiro

Re: Apontamentos para o Estudo da Moeda Sueva

Mensagem por Visigodo » 06 jan 09 12:54:09

:)
Pensamento deixado pela colega Marisa: "Não existe nada de tão sério que não possa ser dito com um sorriso"!

Em consequência da análise de Mário Gomes Marques, diz-nos o autor (adaptado):

Há que reconhecer que a existência de tremisses emitidos em nome de Audeca não ficou provada para além de qualquer dúvida razoável.

É evidente que a hipótese de Audeca ter sido o primeiro e o único, rei suevo a mandar inscrever o seu nome em moedas áureas não deixa de ter plausibilidade em termos de contexto histórico. Essa decisão poderia ter partido de Miro (570-583), ao imitar a atitude de Leovigildo, mas não é provável que tenha tido tempo para tal... tal atitude seria natural por parte de um homem que não hesitou em conspirar contra o cunhado para se apoderar do trono e desejoso de afirmar a sua independência relativamente ao monarca visigodo.

Todavia, embora plausível e confrontada com a veracidade de uma hipótese há um longo caminho que ainda não foi percorrido.

Um abraço.
António Diogo
FELICITAS PERPETVA SAECVLI

Avatar do Utilizador
Avelino Nascimento
Fundador
Mensagens: 4673
Registado: 30 abr 08 19:19:49
Colecção Preferencial: Numismatica Classica
Nº Sócio SPN: 0
Nº Sócio ANP: 1868
Localização: Lisboa

Re: Apontamentos para o Estudo da Moeda Sueva

Mensagem por Avelino Nascimento » 07 jan 09 0:04:23

Olá :)

Dizer que o Andeca ter sido o único rei suevo a bater ouro para moeda soa-me a muito vago.
Depois de ver a bonita siliqua do Requiário (que vista de repente parece mesmo romana) e de ler que Andeca foi o único a mandar cunhar ouro, é porque não há exemplares anteriores? Explique lá isso por miúdos, sr. prof. Diogo! S.f.f.!

Um forte abraço,
Cumprimentos,
Avelino Nascimento

Visigodo
Flor de Cunho
Mensagens: 5641
Registado: 02 mai 08 19:39:01
Colecção Preferencial: Moeda Antiga
Nº Sócio SPN: 0
Nº Sócio ANP: 0
Localização: Aveiro

Re: Apontamentos para o Estudo da Moeda Sueva

Mensagem por Visigodo » 07 jan 09 18:54:56

:)
Após uma leitura destas páginas, ainda que na diagonal, e em jeito de resumo (numerário presumivelmente batido na Península Ibérica e atribuído aos suevos) temos:

- Imitações servis de solidi em nome de Honório;
- Tremisses que exibem mais ou menos fidedignamente o nome de Valentiniano;
- Siliquae emitidas por ordem de Requiário e que exibem no anverso a legenda, DN HONORI_VS PF AVG;
- Tremissis atribuído a Audeca;
Faltam-nos como já referi, a série mais abundante, os tremisses da série LATINA MVNITA, moedas afins desta série e tremisses com legendas desprovidas de significado.

À excepção de Heiss, que considerou a legenda do tremissis atribuído a Audeca, constituída por símbolos aleatoriamente gravados logo sem significado, todos os estudiosos concluiram tratar-se do único exemplo áureo e em que um monarca suevo se declarara autoridade emissora e no mesmo mandara inscrever o seu nome e sem qualquer referência ao Império romano. Nas siliquae o reverso e como já verificámos, exibe a legenda, DN HONORI_VS PF AVG. Leovigildo é o primeiro monarca, este visigodo, a afirmar a total independência do Império romano, as suas moedas após as emissões de transição (moedas que exibem no anverso o nome de Justino II), as nacionais exibem em ambas as faces, o seu nome. Se o tremissis atribuído a Audeca e se pudermos concluir que foi ele que o mandou bater, então estaremos perante o primeiro e único monarca suevo que cunhou moeda áurea e em que só ele é a autoridade. Tenho a minha teoria que aqui deixo, considero-a uma espécie de prova (a emissão deve ter sido muito reduzida) que as hostes de Leovigildo confiscaram e mandaram derreter. Mais tarde tentarei fundamentar e argumentar esta minha parvoíce! :roll:

Um abraço.
António Diogo
FELICITAS PERPETVA SAECVLI

Visigodo
Flor de Cunho
Mensagens: 5641
Registado: 02 mai 08 19:39:01
Colecção Preferencial: Moeda Antiga
Nº Sócio SPN: 0
Nº Sócio ANP: 0
Localização: Aveiro

Re: Apontamentos para o Estudo da Moeda Sueva

Mensagem por Visigodo » 09 jan 09 22:24:49

:)
Não há dúvidas? Eu tenho muitas! 8)

Um abraço.
António Diogo
FELICITAS PERPETVA SAECVLI

Visigodo
Flor de Cunho
Mensagens: 5641
Registado: 02 mai 08 19:39:01
Colecção Preferencial: Moeda Antiga
Nº Sócio SPN: 0
Nº Sócio ANP: 0
Localização: Aveiro

Re: Apontamentos para o Estudo da Moeda Sueva

Mensagem por Visigodo » 11 jan 09 14:50:18

Debrucemo-nos agora sobre os tremisses da série LATINA MVNITA – quanto à designação desta série o assunto já foi abordado no artigo ( A MOEDA SUEVA – A EGITÂNIA NO PERÍODO SUEVO …).
Estes tremisses assentam no modelo tipológico definido por anverso centrado por busto com tórax e cabeça diademada de perfil e por reverso com cruz dentro de laurel e painéis laterais. A sigla do exergo, apresenta quer a forma CONOB muitas vezes invertida, quer formas degeneradas como OHO ou OIIO.A ideia que prevalece é a de que todas as moedas da série LATINA MVNITA foram emitidas pelos suevos, daí ser de lamentar que a hipótese das legendas do anverso ininteligíveis poderem conter antropónimos ( Beltran Villagrasa ), nunca ter sido objecto de estudo sistematizado pelos especialistas. Parece-me novamente muito oportuna e consistente a opinião de Beltrán Villagrasa corroborada por Mário Gomes Marques, José Cardim Ribeiro, isto é, a de os antropónimos serem os de seniores ou patricii hispano-romanos que governavam áreas praticamente independentes do noroeste da Península.
A atribuição dos tremisses da série LATINA MVNITA à numária sueva não deve ser vista como definitiva.

Imagem

- Imagem ampliada de um tremissis da série LATINA MVNITA -

Um abraço.
António Diogo
FELICITAS PERPETVA SAECVLI

Visigodo
Flor de Cunho
Mensagens: 5641
Registado: 02 mai 08 19:39:01
Colecção Preferencial: Moeda Antiga
Nº Sócio SPN: 0
Nº Sócio ANP: 0
Localização: Aveiro

Re: Apontamentos para o Estudo da Moeda Sueva

Mensagem por Visigodo » 14 jan 09 10:05:26

:)
Vamos então às moedas afins da série LATINA MVNITA e aos tremisses com legendas desprovidas de significado.

Peixoto Cabral e Metcalf, A moeda sueva, Porto, 1997, relacionam a maior parte das moedas com legendas desprovidas de significado com o grupo das que exibem o nome de Valentiniano e as restantes com a série LATINA MVNITA. Das moedas que estudaram, os mesmos autores incluíram seis exemplares com legendas desprovidas de significado, na série LATINA MVNITA, fundamentado em semelhanças de estilo e suportado por estudos metrológicos.
O exemplar do Gabinete de Numismática da Câmara Municipal do Porto, que atrás discutimos, (pág.1), será classificado nas moedas afins das que exibem o nome de Valentiniano, incluído no (subgrupo B), formado pelos espécimes em que existe uma ponta de lança a cortar a legenda do anverso e em que a sigla CONOB com deturpações idênticas, está frequentemente invertida.

Da minha parte, "encerro" por agora o Caderno 2, mas sempre esperançado em novas contribuições e novas notícias.

Um abraço.
António Diogo
FELICITAS PERPETVA SAECVLI

JCardoso
BELA
Mensagens: 579
Registado: 17 mai 08 10:42:27
Localização: Montijo

Re: Apontamentos para o Estudo da Moeda Sueva

Mensagem por JCardoso » 26 jan 09 23:35:34

Algumas dúvidas de quem nada sabe :)

- Amigo Diogo, no numerário não devemos acrescentar também, a meia-síliquia?

Nesse período de 572-586 do reinado de Leovigildo, muita coisa aconteceu:
Novas políticas, títulos, moedas,
Grandes calamidades, pragas de insectos, surtos de peste,
Lutas, revoltas, traição, assassinatos

- No meio deste turbilhão de acontecimentos o último Rei Suevo ainda teve tempo para cunhar moeda?
Conseguiu afirmar-se como autoridade?

- O António Diogo considera que apenas circularam como PROVA:
Qual era o metal da prova?
Normalmente as provas eram produzidas em metais diferentes do metal adoptado.

Um abraço

Visigodo
Flor de Cunho
Mensagens: 5641
Registado: 02 mai 08 19:39:01
Colecção Preferencial: Moeda Antiga
Nº Sócio SPN: 0
Nº Sócio ANP: 0
Localização: Aveiro

Re: Apontamentos para o Estudo da Moeda Sueva

Mensagem por Visigodo » 27 jan 09 18:53:08

:)
Amigo Jorge tenha sempre presente que entre 469 (morte de Idácio e fim da sua Crónica) e meados do séc. VI, não conhecemos sequer os nomes dos monarcas suevos. O reinado de Audeca, isto após ter conspirado contra Miro e usurpado o poder, entre 584-585, foi como vê muito curto, teve a ambição de afirmar a sua independência em relação a Leovigildo, de pouco lhe valeu! É neste contexto que eu fundamento a minha «tese»: A necessidade de afirmação de Audeca... o tremissis que lhe é atribuído, foi exemplar único, digo foi, porque desapareceu em 1936, do Museo Arqueológico Nacional de Madrid, durante a Guerra Civil de Espanha; o homem terá mandado lavrar aquela «prova» ou outros exemplares para se afirmar como autoridade, (era a propaganda política da Idade das Trevas?), não sabemos.

Jorge a que meia-siliqua, se refere?

Um abraço.
António Diogo
FELICITAS PERPETVA SAECVLI

Responder

Voltar para “Ibéricas”