O LEAL DE D. DUARTE

Numária cunhada desde D. Afonso Henriques até D. Pedro, o Prí­ncipe Regente.
petercoin
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Re: O LEAL DE D. DUARTE

Mensagem por petercoin » 01 mar 15 18:45:58

Boas

Como já disse o conto levanta questões interessantes e a provar-se bom e cunhado em Portugal, mais que o que prova nesta discussão afigura-se-me como uma peça de excepção e de uma importância enorme na evolução da numária desta época.

Quando digo a provar-se não é porque ache que seja falso ou cunhado no estrangeiro, mas sim porque acho que um estudo em condições valida os pressupostos em que se apoia. Lançar ideias alternativas que encaixem nas coisas não é difícil, o difícil é validá-las! Tenho alguma info que ainda não explorei e não sei sequer se acrescenta ou não. Quando acabar a análise partilho.
Era importante saber se alguém tem desenvolvido investigação nesta àrea pois os contos são sempre peças complicadas..

Dizer só e já relativamente a este facto que o que interessa não é quem ganha, pois estes exemplares nunca tinham sido estudados ao longo dos tempos tendo sido validados porque sim, o que interessa é que agora há registos históricos organizados, há um conhecimento global da tipologia e cada um tem informação para tirar as suas conclusões.

O conto é a meu ver neste momento o que interessa estudar, pois tudo o resto está esmiuçado até ao fim.

No que toca ao Leal mantenho a minha ideia inicial com a nuance que tenho que reconhecer que em alguns aspectos da mesma houve excepções em alguns parâmetros. Apesar disso e se se fizer uma distribuição aleatória em qualquer parâmetro estudado o Leal calha sempre nas pontas de uma hipotética curva de Gauss, se somarmos os desvios todos calha mesmo na ponta. O que isto prova, pouco, o que isto indicia, muito.

No que toca a um estudo conjunto força, eu dentro do possível ajudarei, sendo que profissionalmente irei brevemente deixar de ter a disponibilidade que tenho tido. O grosso já aqui está e agora é uma questão de lhe alterar a forma de modo a equiparar-se a um estudo científico com tudo o que isso obriga e pressupõe.
Em relação a autorizações para utilizar fotos, se for preciso pedir autorização pede-se!! Não vejo que isso seja um problema! :)

Indo aos pontos que o Leandro apontou:

Em relação à parte gráfica:

- no que toca ao real branco não tenho nada a dizer a não ser que a coroa apresentada não tem os florões laterais completos.
- usar o meio real que é uma moeda única eque dava outro trabalho destes não vejo que seja proveitoso
- porquê cunhar moeda fora do país? Não há registos e quem ganha dinheiro é quem cunha, não faz sentido.
- usar um conto de contar e tirar conclusões como se de uma moeda se tratasse é muito complicado. Há teorias de que os privados cunhavam-nos. Há alguns que foram cunhados no estrangeiro. Não há grandes estudos a validar o objecto. Muitas questões antes de se usar o exemplar como prova cabal como tem vindo a ser apresentada.
- U está provado que existe. Parece óbvio que não é normal. Encontrar-se-á num extremo da curva de Gauss

LeandroM Escreveu:coroa - é novidade neste reinado os florões não cortados nas laterais - SIM - mas o Leal não é caso único: exemplo - conto de contar e real branco; O Pedro pode alegar que as imagens não são as melhores (e não) mas, mesmo o desenho não estando "perfeito" devido exactamente a esse facto, para mim é CERTO: os florões estão completos (de frente). Há arestas que saem na horizontal e diagonal a partir do centro que não enganam. caso os florões estivessem cortados nunca poderiam ter essa continuidade e direcção.
O real branco é martelar a coisa para encaixar e o conto implica validação. Eu também tenho a mesma ideia e a foto agora apresentada não deixa dúvidas da tipologia, mas há muitas outras questões que merecem análise. Quando a tiver feito, partilho as conclusões. Além de que eu não partilho da ideia que a tipologia é tudo, é preciso pesquisar e só depois concluir.
LeandroM Escreveu:separadores - os "estranhos" separadores analetes em triângulo não estão só nos leais mas no conto de contar;
Um ponto muito importante é perceber que Leais é que o Leandro e também o Rui admitem ser verdadeiros, porque eu quando falo de Leais não falo do do BES e há argumentos que encaixam na soma dos exemplares e outros que não encaixam em todos os exemplares. Os aneletes em triângulo não sendo o mais comum, não me fazem confusão! O que me faz confusão são as cruzes de abertura às nove horas e outros "floreados" estranhos que outros exemplares têm. Eu já os mostrei várias vezes, mas acabo sempre a falar dos aneletes do exemplar do BES.
LeandroM Escreveu:letras - "super-serifadas" ou floreadas demais até este reinado mas além do Leal outros exemplares apresentam a mesma tipologia incluindo o conto de contar recentemente apresentado; são poucos exemplares? - SÃO. Mas fazem com que o Leal não seja o tal caso único;
Já debatido à exaustão, a minha conclusão é que mais uma vez o Leal encontra-se na ponta da curva de Gauss.
LeandroM Escreveu:não haver paralelismo com o reinado de d afonso V - na minha opinião existe sim uma linha contínua de evolução que começa precisamente no reinado de D. Duarte (ou até antes)... coroa, letras,... (ver a semelhança estupenda na última "folha" da postagem inicial - é factual não há volta a dar);
(ainda não percebi porque é que alegam que não poderá ter começado neste reinado o aparecimento dessas "novidades)
Porque as novidades aparecem em todos os parâmetros analisados e se uma novidade não passa disso, e duas novidades são aceitáveis, dez novidades são um ponto de ruptura. Isto é o que eu defendo desde o primeiro dia...
LeandroM Escreveu:Volto a perguntar: a coroa com florões laterais completos, segundo o Pedro, apareceu no reinado de D. Afonso V. Pergunto: São as moedas deste reinado - com esta coroa - falsas por aparecer pela primeira vez? Por ser um experimentalismo, como diz?
Já respondi antes várias vezes, uma alteração não são dez. Dez são uma revolução!
LeandroM Escreveu:E agora pergunto: Porque é que no reinado anterior (D. Duarte) não se poderá ter começado a colocar esta coroa, mesmo que de uma forma contida? (veja a lógica da continuidade - para mim faz mais sentido do que aparecer de repente em D. Afonso V)
Poder pode. Agora a lógica não aponta nesse sentido, pois tal só aconteceu numa moeda - o leal.
Não há continuidade no resto dos exemplares, há alterações pontuais e de excepção num exemplar. No leal há uma revolução em todos os parâmetros. O conto com todas as questões à sua volta, pois é um conto e não uma moeda e como disse antes tenho de validar a coisa e isso implica ler e estudar e não lançar questões e respondê-las como se as coisas fossem certas, é o único ponto de transição que conheço. Não vai ser um U num exemplar a conferir linearidade no conjunto dos parâmetros analisados. Em Afonso V a evolução é transversal a todas as moedas cunhadas e dá-se ao longo de um espaço de tempo bastante longo começando sem a os florões e passando a apresentá-los ao longo das cunhagens. Aqui não há provas, há apenas argumentos empíricos fortes neste sentido. Cabe mais uma vez a quem lê escolher entre revolução em D. Duarte e andar para trás no estilo e depois evoluir versus uma evolução mais calma e lenta no reinado de Afonso V.
LeandroM Escreveu:legenda - letra "U" - existe no Leal e em outros exemplares do reinado;
Existe no leal e noutra moeda, mais uma vez encaixa apenas na ponta da curva de Gauss

O discurso já vai longo e hoje é dia de bola por isso fico por aqui..
Cumprimentos



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LeandroM
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Re: O LEAL DE D. DUARTE

Mensagem por LeandroM » 01 mar 15 19:15:19

Boa tarde a todos,

Concordo um pouco com o Pedro: daqui para a frente vai-se estar sempre a dizer a mesma coisa.

Mas... também é verdade que se isto fosse verdade, há uma semana a trás foi-se dito a mesma coisa e entretanto, surgiu muita coisa... tudo o que apareceu, foi no sentido contrário ao que o Pedro tem defendido (partilho a ideia que aqui ganhamos todos, mesmo com opiniões contrárias)

1º foi que o número de castelos no escudo não é relevante porque - na época - umas vezes aparece com 8, outras com 10... e com 4 pode ser por "desenrasque" técnico...
2º foi o aparecimento dos exemplares com "U";
3º foi o aparecimento dos exemplares com as letras "floreadas" nos reinados anterior, no próprio reinado e no posterior;
4º foi o conto com a coroa com florões de frente (já para não falar no real branco porque se é certo que o lado direito deixa dúvidas o lado esquerdo é certo que tem o florão completo;

etc... uma "coisa" que foge à regra vale pouco... mas muitas coisas a fugir à regra... se calhar fazem uma regra... mesmo que pequenina... :D

No que diz respeito à eventual edição/publicação concordo claro... uma coisa é certa: é preciso além dos grafismos apresentados, textos que suportem o que os olhos estão a ver: temos por aqui gente qualificadíssima para isso.
Acho bem que se coloque os dois pontos de vista como é óbvio... no que eu puder ajudar... Eu nunca descartei a tese do Pedro... só ainda não estou convencido e... com o que tem aparecido... está a ficar mais longe desse convencimento... (perdoe-me Pedro) :hahaha:

Quanto às imagens também acho que é melhor pedir as devidas autorizações...

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Re: O LEAL DE D. DUARTE

Mensagem por palves » 02 mar 15 11:26:30

Neste momento já é irrelevante pedir autorizações para as imagens. A haver problemas já é tarde, pois est fórum é público.

Acho que devem mesom avançar para a escrita, dividindo o artigo nos vários elementos que originam discórdia. Enquadramento e contexto histórico-económico, croa, legenda, ... ... Penso que será um estudo muito bom, pois deixa falar os dois lados e respira a incerteza que faz da numismática uma área interessante.
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Re: O LEAL DE D. DUARTE

Mensagem por petercoin » 02 mar 15 16:13:13

Boas
LeandroM Escreveu:etc... uma "coisa" que foge à regra vale pouco... mas muitas coisas a fugir à regra... se calhar fazem uma regra... mesmo que pequenina...
Completamente de acordo! Não o diria melhor e resume muito bem a minha posição, mas o Leandro tem que se decidir, pois ou uma coisa tem muitos elementos que fogem à regra e fazem uma regra nova e aqui estamos perante uma ruptura ou os elementos alteram-se calmamente em vários exemplares e num ou dois pormenores à vez e durante um certo tempo e configuram uma evolução! Não se pode é de manhã dizer que há uma evolução e à tarde vir dizer que há o advento de uma nova regra!!!

Usando a feliz expressão do Leandro, o que me parece é que no Leal existem tantas coisas a fugir à regra que configurariam realmente uma nova regra e que essa ruptura não tem espaço na evolução do resto dos exemplares de João I a Afonso V.

Indo aos argumentos e respondendo o mais sucintamente possível:

1 - Esse argumento foi o Leandro que o inventou para o rebater. O escudo por comparação com o de Afonso V é tosco essa é que é a minha linha de raciocínio. O número de castelos é acessório, sendo em si mais um desvio.

2/3- Ideias debatidas ad nauseum - não acrescentam já nada e já me repeti dezenas de vezes. A soma dos desvios configura um momento de ruptura, não uma evolução contínua. Os exemplos são excepções - configuram possibilidade de um elemento e não validação da soma dos desvios.

4 - O Conto - Aqui sim há elementos a pesquisar, estudar e debater. Não há é certezas imensas como querem fazer crer. Os contos tinham uma função completamente diferente e eram, segundo opinião de quem os estudou, possivelmente também batidos por privados e não seriam certamente batidos por mestres! O conto tem similaridades grandes, mas está longe de validar o Leal, valida sim a existência de coroas com os florões completos em exemplares com uma função diferente do objecto de estudo, sendo que mais uma vez é uma excepção.
Por outro lado usar um conto para validar o estilo de uma moeda é complicado, pois estes sempre tiveram um estilo muito diferente das moedas correntes. No que toca aos florões laterais é importante dizer que este conto nem sequer é o primeiro, pois em João I também já há exemplares com a coroa diferente e com os florões completos. O que isto prova é que existiam excepções para a regra da coroa, mas apenas num tipo de objecto que pela sua função se procurava que tivesse sempre um estilo diferente da numária corrente. Alguns seriam fundidos, outros viriam dos estrangeiro. Resumindo é importante, SIM. É-o certamente. Agora não o transformem no santo Graal!

Não pondo nada em causa das análises das fotos apresentadas, era importante analisar uma destas moedas que mais não fosse a partir de uma foto decente, além de que o exemplar do estudo de Paulo Lemos e o da foto do AG parecem ser o mesmo.
O exemplar em causa está no museu numismático português. Será que há mais? Eu não encontrei nem referências, nem imagens de outro. Será que é possível visitá-lo?

Por outro lado, alguém conhece estudos sobre contos de contar mais recentes que os do Paulo Lemos? Isto porque ele deixa muitas ideias no ar. :(

Para terminar e pela última vez, pois prometo não perguntar mais: Quais são os Leais que consideram verdadeiros? Só o do BES é que é bom?

Cumprimentos

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LeandroM
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Re: O LEAL DE D. DUARTE

Mensagem por LeandroM » 02 mar 15 18:03:03

Viva Pedro...

O que o Pedro considera muitas coisas a fugir à regra para mim não são porque acontecem em muitos casos e volto a dizer, são uma mutação com base idêntica.
Quando o tópico "abriu" não havia nada igual... Agora já há moedas do reinado, moedas do reinado anterior, moedas do reinado posterior, contos do reinado... Estão a aparecer... De um universo de NADA já temos alguns exemplos similares...

O que eu queria dizer é precisamente colocando-me no seu lugar: ver muitas coisas a fugir à regra mas que afinal estão a parecer em muitas situações (em outras moedas) - ou seja - afinal não são assim tão estranhas e não fogem assim tanto à regra...

Quanto às imagens dos contos e outras moedas também concordo que o ideal seria que estivessem com grande resolução e definidas.
MALTA DE LISBOA, TOCA A TRABALHAR :hahaha: EM SEVER DO VOUGA NÃO HÁ MUSEUS!!! :hahaha:

Na torre do tombo parece que está uma exposição relativa a este reinado... deve ter imagens porreiras e úteis...

O que não posso concordar é com o facto de o conto não constituir prova. Porque não? Não é da época? É! Não é do reinado? É!
Não é moeda? Não! Mas o selo real não é moeda e tem servido para comparação da coroa, do escudo, do número de castelos, etc!


Os exemplos são excepções? Seriam precisos aparecer quantos para creditar a argumentação? 3? 20? 500? 1.000?
Lembre-se... basta um exemplo noutra moeda ou num conto para o Leal deixar de ser único... ou até num outro documento qualquer da época...

Se entretanto encontrarem-se 20 documentos medievais, com Cristo sem "H", não vão contar porque não são moeda? Mas estão a contar como prova os documentos em que Cristo aparece com "H" e não são moeda...

Os exemplos, neste caso, neste reinado, vão sempre ser poucos porque a juntar ao facto de, na própria época já serem poucos (reinado curto), então com 600 anos de luta...

Já agora, na minha opinião, respondendo à sua pergunta, considero o Leais Bes, o Pinto Magalhães, o apresentado no F. Numismática e o da Numisma (embora as imagens destes últimos dois não sejam conclusivas. (pag. 3 do tópico, segundo os títulos que o Pedro deu)
Os Leais Matos e NumismáticaLeilões, para mim, excluo. O do Porto excluo.
Desenhos de moedas excluo completamente - a não ser decalques ou realizados "em cima" da moeda.

Cumprimentos

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Re: O LEAL DE D. DUARTE

Mensagem por petercoin » 02 mar 15 22:05:23

Boa noite
LeandroM Escreveu:O que o Pedro considera muitas coisas a fugir à regra para mim não são porque acontecem em muitos casos e volto a dizer, são uma mutação com base idêntica.
Quando o tópico "abriu" não havia nada igual... Agora já há moedas do reinado, moedas do reinado anterior, moedas do reinado posterior, contos do reinado... Estão a aparecer... De um universo de NADA já temos alguns exemplos similares...

O que eu queria dizer é precisamente colocando-me no seu lugar: ver muitas coisas a fugir à regra mas que afinal estão a parecer em muitas situações (em outras moedas) - ou seja - afinal não são assim tão estranhas e não fogem assim tanto à regra...
OK, eu começo a pensar que o Leandro não lê o que eu escrevo... :( Mas eu não me importo de falar sozinho um pouco mais...

Acontecem em muitos casos? Por amor da santa!!!! Até me deixa doido com essa conversa!!! Tem um U numa moeda de D. João I que é diferente do do Leal e tem um U numa moeda de D. Duarte e tem um conto que levanta muitas questões pertinentes, mas que não resolve a questão. De resto tem ar e vento!!
Transforme essa mão cheia de nada no que quiser e invente paralelismos e evoluções, mas não passam de teorias e invenções!! No reinado de Afonso V nada acontece antes de meados dos anos 40 e todas as primeiras cunhagens são de tiplogia antiga, não há evolução que passe pelo Leal nem que a invente. Muito menos quando se avaliam todos os Leais que nem sequer são homogéneos!! Se os comparar uns com os outros não pode ficar com 5 moedas válidas, pois todas são imensamente diferentes entre si...

Neste momento o seu raciocínio baseia-se num conto sobre o qual nada sabe. Posso lançar pelo menos três hipóteses em que o conto não apoia a teoria do leal, mas sendo sincero prefiro guardá-las para mim.. Pesquisarei, reunirei informação e depois falo. Foi assim que sempre o fiz, quando se fala à boca cheia só se dizem asneiras... Um pouco como o selo que afinal já explicava tudo e depois afinal não explicava nada...
LeandroM Escreveu:O que não posso concordar é com o facto de o conto não constituir prova. Porque não? Não é da época? É! Não é do reinado? É!
Não é moeda? Não! Mas o selo real não é moeda e tem servido para comparação da coroa, do escudo, do número de castelos, etc!
O Leandro tem de começar a ler o que eu digo, porque isso de pôr palavras na minha boca para depois as refutar nem sequer chega a ser retórica é mesmo ao nível da discussão clubística!!! Mas eu alguma vez disse que o conto não serve de prova?!! O conto é neste momento o elemento central da discussão, mas é preciso discuti-lo, não atirar areia para os olhos!!!
O selo tem o mesmo valor que o conto, é um exemplo, com a diferença que o selo é certamente oficial e o conto não sabemos... Agora vem a parte chata de ter de pesquisar e depois consoante as resposta teorizar nos caminhos possíveis, porque da mesma maneira que vem aqui dar o conto por certo, eu posso vir para aqui dá-lo como feito por um extraterrestre e sem interesse na discussão, se é para inventar teorias isso é fácil e cada um inventa à medida dos desejos.. O conto valida, por agora e a meu ver, a existência de outros tipos de coroa além da habitual, daí a validar o leal vai um longo caminho..
LeandroM Escreveu:Os exemplos são excepções? Seriam precisos aparecer quantos para creditar a argumentação? 3? 20? 500? 1.000?
Lembre-se... basta um exemplo noutra moeda ou num conto para o Leal deixar de ser único... ou até num outro documento qualquer da época...


Ou seja, temos 10 características e todas configuram um desvio à normalidade e isso passa a ser válido por existir um exemplo de cada uma das dez características individualmente! OK, não é certamente a minha visão..
LeandroM Escreveu:Se entretanto encontrarem-se 20 documentos medievais, com Cristo sem "H", não vão contar porque não são moeda? Mas estão a contar como prova os documentos em que Cristo aparece com "H" e não são moeda...
As palavras são suas, não minhas, pois nunca disse tal coisa... Nem percebo de onde é que vem essa conversa...
LeandroM Escreveu:Já agora, na minha opinião, respondendo à sua pergunta, considero o Leais Bes, o Pinto Magalhães, o apresentado no F. Numismática e o da Numisma (embora as imagens destes últimos dois não sejam conclusivas.
Ok por esta não esperava eu!!! Então ficou com mais tipos de letras para defender, mais separadores idiotas para defender, mais escudos estranhíssimos para defender.. É que os exemplares que dá como bons são tão diferentes do do BES que eu não consigo sequer conceber que possam todos ser bons, mas com um pouco de imaginação pode ser que arranje argumentos para defender isso..

Terminando não o post, mas a minha participação quero agradecer a quem leu, a quem comentou e a quem acrescentou, pois num sentido ou noutro toda a informação ajuda a tirar conclusões. Pela minha parte daqui em diante seguirei o meu trabalho e a minha análise a um outro ritmo e a seu tempo será escrito o artigo com toda a informação pertinente. Neste momento penso que discussão está a tomar uma forma repetitiva e a ir por caminhos de retórica discutível para os quais não tenho paciência nem vontade.

Cumprimentos

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Re: O LEAL DE D. DUARTE

Mensagem por LeandroM » 02 mar 15 23:12:20

Concordo Pedro,

Com todo o respeito,

Para começar a tese do "Leal Verdadeiro" não é minha. Embora aceite por exemplo o Leal Bes tenho dúvidas. O Pedro é que já concluiu tudo o que havia para concluir.

Já ninguém se entende... Parece que eu não o entendo a si o o Pedro não entende a mim... :) Aí estamos quites!
Mas isso eu já reparei à uma semana a trás quando começaram a aparecer coisas que ao Pedro não interessa...

Repare: quando apresentou a sua tese havia pouco ou NADA a contrariá-la.
Daí para cá, o que tem aparecido são elementos que a contrariam (são poucos? vamos andando...) Mas o Pedro descarta tudo...
No sentido de apoiá-la é que eu não vi mais nenhum dado concreto...

As minhas invenções serão tão válidas como as suas... não desmereça o trabalho dos outros e principalmente de quem não concorda consigo porque é na compreensão dos pontos de vista dos outros que evoluímos.
Se tudo o que eu, o Rui, e todos os que estão em desacordo consigo disseram se resume a vento então não compreendo porque colocou aqui a sua tese. Não era para ser debatida? Era só para concordar com ela?

De qualquer forma, parece-me que caso aparecesse um achado recente de um Leal, que aparecessem mais 20 cruzes, mais 20 exemplares com "U" o Pedro não ía fazer caso.... (mais uma vez, repito, com todo o respeito)

Pedro quando diz que "as palavras são suas não são minhas"... ora bem... aqui entra o "subentende-se" como é evidente.

Exemplos. O Pedro disse:
A representação do escudo nacional é transversal e não se altera consoante a arte. -Isto não quer dizer que tem de se comparar o escudo da moeda com ar armas/selo do rei nos documentos?????

Quanto aos Leais que me parecem bons serem todos diferentes, à partida, a diferença de cunho já é uma vantagem...

O Galileu também veio com uma "novidade" que contrariou tudo o que até então vigorava. Essa novidade era falsa?

Cumprimentos

Rui
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Re: O LEAL DE D. DUARTE

Mensagem por Rui » 02 mar 15 23:41:13

Uma boa discussão à antiga é isto mesmo, faz relembrar os momentos áureos dos fóruns já lá vão 10 anos! Isto não tem que ter um vencedor, o maior dom é fazer-nos investigar...

Deixei de pensar nas moedas em si e fiquei centrado no conto, acho que me apaixonei pelo conto. Só precisava de ver uma fotos a cores para confirmar 2 ou 3 coisas...

Quanto ao resto, como já disse, para mim é uma moeda de cisão e por aqui me fico :brinde:

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Re: O LEAL DE D. DUARTE

Mensagem por petercoin » 03 mar 15 0:47:55

Lá passo por "mentiroso", mas afinal ainda tenho que fazer mais um post! :)
LeandroM Escreveu:De qualquer forma, parece-me que caso aparecesse um achado recente de um Leal, que aparecessem mais 20 cruzes, mais 20 exemplares com "U" o Pedro não ía fazer caso.... (mais uma vez, repito, com todo o respeito)
Eu mais que de numismática gosto de retórica e a sua é do melhor que tenho tido a oportunidade de lidar!!! A infantilização do interlocutor é fabulosa, com todo o respeito!! Adoro como pensa que diz as coisas nas entrelinhas, com todo o respeito, e pensa que ninguém as entende, com todo o respeito!!! Com todo o respeito está a chamar-me idiota, e eu com todo o respeito, fico-me por aqui respeitosamente, pois com todo o respeito não tenho mais nada a acrescentar. Com todo o respeito...

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Re: O LEAL DE D. DUARTE

Mensagem por Rui » 03 mar 15 0:55:43

O chamado meio real atípico do Porto também tem o "U", assim como o real cruzado de João I, o começo de tudo, a segunda génese deste tipo de letra serifado + semi-uncial, encontra-se no real cruzado: http://www.forum-numismatica.com/viewto ... 3&t=105652" onclick="window.open(this.href);return false;

Estilo epigráfico:
Génese: João I
Coevo: (real preto pequeno, conto)
Posterior: Real de prata, Ceitis, principalmente grupo 9.

O estilo epigráfico de alguns Leais tem génese, evolução e continuação. A cisão epigráfica que nos conduz, dá-se no meio real de 10 soldos de João I, segue pelo chamado meio real atípico e continua pelo real cruzado de João I. Entre 1415 e 1433 este estilo parece não vingar, aparecendo de novo com o real preto grande e pequeno, com o Leal e possivelmente o Escudo de Duarte. Toda a escrita uncial de Afonso V não está suspensa no ar, a sua génese passa por Duarte e João I, como demonstrado.
Quanto ao estilo das letras, está demonstrado que este argumento não vinga.

Quanto à coroa, temos um conto para contar coevo que coloca esta coroa neste reinado, temos contos com a cora de frente em João I. Caso os conto não sirvam ainda poderemos ter um real branco com o ramo esquerdo de frente e o desenho de um Leal com o ramo direito antigo, se não for suficiente estou convicto que com tempo, mais se conseguirá...

Quanto ao escudo com bordadura, aparece em selos pendentes e em contos de João I anteriores. Há nova definição artística monetária, baseada em elemento já conhecido, não vejo como não é possível. Se não se considerar a nova definição no Leal de Duarte, terá que se considerar no Leal de Afonso V, meia dúzia de anos depois, não entendo qual o choque, em Duarte não pode, mas em Afonso V já pode, não me parece argumento que vingue.

Quanto ao número de castelos, o mesmo é variável de 4 nas moedas, a 8 no livro das Horas.

Quanto aos separadores, temos um conto coevo com os mesmos separadores.

Quanto à legenda "Crus Cristes Salva Nos", o Pedro tem toda a razão, é atípica.

Como se pode ver aqui toda a gente tem razão.

Agora vem a crença e a conclusão, fugindo do facciosismo, só vejo um detalhe profundamente atípico, somando as partes, não tenho dúvidas que esta moeda teria sido possível à época, se foi ou não? Creio que o estudo do conto será a prova.
Última edição por Rui em 03 mar 15 4:07:41, editado 1 vez no total.

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Re: O LEAL DE D. DUARTE

Mensagem por LeandroM » 03 mar 15 2:05:44

Pedro, quando digo "com todo o respeito" é mesmo assim... não precisa "gozar" que eu sou um tipo honesto PÁ!!!!...

Não estou a chamar ninguém idiota - nem poderia - não o conheço de parte alguma!
Não digo nada nas entrelinhas - não sei fazer isso!

Ao contrário de si eu não estou a impingir nada aos leitores do tópico, só exponho...

A minha exposição, que abriu o tópico, é meramente demonstrativa.
O Pedro quis obrigar as pessoas a fazer da sua tese lei... mas a sua tese a par de aspectos correctamente fundamentados tem outros errados - aprenda a viver com isso.
O pior (para a sua tese) é que o tempo passa e só aparecem elementos que a contradizem.

Eu sei que para si foi chato o aparecimento do "U"... eu sei que foi chato o aparecimento da coroa... eu sei que foi chato o aparecimento das letras... eu sei que foi chato o aparecimento do conto... e por aí em diante! :D

Rui
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Re: O LEAL DE D. DUARTE

Mensagem por Rui » 03 mar 15 2:28:47

Há que seguir com as moedinhas, isto é o Numismatas :brinde:

A linguagem escrita é sempre muito diferente da oral, por isso, uso muitas carantonhas tipo :D :sad: :brinde: :roll: para ajudar a transmitir a expressão facial, a ironia, o sarcasmo, a afirmação, etc.

Tenho-vos acompanhado desde que começaram a participar e acho que é a vossa primeira grande discussão épica sobre moedinhas. Para ser sincero, quando eu comecei a vir aos fóruns, ao fim do 4º post, o pessoal tratava-se de burro para cima, pois era novidade e ninguém estava habituado à comunicação escrita, durante muito tempo não se fez nada na net por isso mesmo, entretanto isso passou de moda com a invenção da moderação que trazia sempre palavras de acalmia. Passada a discussão, continuávamos e continuamos todos amigos após tanto tempo! Não se vão enrolar ao fim de 5 páginas deixando uma mancha num dos melhores tópicos da história!!!!
:nope: :nope: :nope:

Estão a ser grandes muito grandes, e estão dar tanto a aprender e a conhecer que nem imaginam! Obrigado é o que tenho a dizer! :alah: :alah: :alah:

Pessoal, peço-vos por favor que siga a festa numismática... :brinde: :brinde:

Entretando, vou pedir ao MNP para ir ver o conto ao vivo e tirar fotos HD, vamos ver se o pedido é aceite...

Voltando ao assunto, curiosamente o único Leal que tem os castelos conforme o livro das Horas de Duarte é o do Porto, o que nos parece mais estranho, tal para mim já tinha sucedido na legenda, é o único que tem a legenda colocada correctamente.
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palves
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Re: O LEAL DE D. DUARTE

Mensagem por palves » 03 mar 15 13:08:16

Serão fotos da moeda do BES? Não sei algumas diferenças que noto são meramente diferenças na resolução das fotos.

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Museu da Moeda - http://www.museumoeda.com

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Re: O LEAL DE D. DUARTE

Mensagem por Destrans » 03 mar 15 14:14:09

Esta última foto é minha. Tirei em 2010 para a eleição das 7 maravilhas da numismática.
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Se não estou enganado, é do livro História da moeda em Portugal do Javier Salgado

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Re: O LEAL DE D. DUARTE

Mensagem por palves » 03 mar 15 18:23:55

Correto, o lapso é meu que me esqueci de colocar a fonte.

Penso ser a do BES, mas não sei.
Museu da Moeda - http://www.museumoeda.com

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Re: O LEAL DE D. DUARTE

Mensagem por Toninhomantorras » 11 mar 15 22:03:19

Boa noite caros amigos,

vejo que a discussão sobre este tema esta entusiasmante.
Quando fiz o video MOEDA - A Máquina do Tempo - História da Moeda em Portugal,
tive no Museu Numismático Português, a possibilidade de ter em mão e filmar moedas
da mais alta raridade.
Uma delas por acaso foi o Leal de D. Duarte do Porto.
Assim deixo-vos um pequeno video com imagens originais em video do anverso e reverso desta moeda.
A camara de filmar dá uma perspectiva completamente diferente da camara fotografica. Espero que possa ajudar!

Se por acaso o livro não for para a frente à sempre a possibilidade de fazer um video/documentário. :hahaha: :hahaha: :hahaha:



Um abraço,
João Dias

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Re: O LEAL DE D. DUARTE

Mensagem por JPSAV » 22 mar 15 15:03:52

Adquiri recentemente um livro de seu nome "Colecção Numismática do Banco Mello - História e Património", onde no catálogo consta um Leal do qual apresento foto abaixo.

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Re: O LEAL DE D. DUARTE

Mensagem por Destrans » 23 mar 15 20:32:59

O Banco Mello também conta com uma boa colecção.
Infelizmente está tudo guardado.
Sobre essa colecção ver: http://www.academia.edu/9810080/Colec%C ... anco_Mello" onclick="window.open(this.href);return false;

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Re: O LEAL DE D. DUARTE

Mensagem por Bandadolopes » 23 mar 15 22:21:26

Actualmente Colecção Millenium.
Esta colecção já passou por diversos nomes "bancários".
Cumprimentos,

Alberto Praça

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Re: O LEAL DE D. DUARTE

Mensagem por rikardo » 24 mar 15 19:18:27

Excelente trabalho,obrigado pela partilha.
:claps:

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