Nome: José Leite de Vasconcelos Cardoso Pereira de Melo
Nacionalidade: Portuguesa
Ucanha, 7 de Julho de 1858
Lisboa, 17 de Maio de 1941
Estudos:
1876: Liceu no Porto, com 17 anos
1879-1881: Curso de Ciências Naturais da Academia Politécnica
1886: Medicina na Escola Médico-Cirúrgica do Porto
1901: Curso de Letras na Universidade de Paris
Faculdade (s) em que Leccionou:
Professor da Cadeira de Numismática e do Curso de Bibliotecário Arquivista
Liceu Central de Lisboa
Academia de Estudos Livres
Regência de um curso gratuito de Filologia
Professor Extraordinário do grupo de Filologia Clássica da Universidade de Lisboa da Faculdade de Letras de Lisboa
Professor Extraordinário do grupo de Filologia Românica da Universidade de Lisboa da Faculdade de Letras de Lisboa
Da sua vastíssima obra salientamos:
Poema da Alma, 1879;
Cancioneiro português, 1879-80;
Portugal Prehistórico, 1881
Fragmentos de mitologia popular portuguesa, 1881;
Tradições populares de Portugal, 1882;
Portugal pré-histórico, 1885;
Contribuições para o estudo da dialectologia portuguesa, 24 opúsculos,
O livro de Esopo, texto medieval descoberto em Viena de Áustria, 1906;
Poesia e Numismática, 1906;
Religiões da Lusitânia, 3 vol., 1897, 1905 e 1913
Opúsculos, 7 vol.;
Etnografia Portuguesa, 3 vol., 1933, 1936 e 1942
Signum Salomonis,1918;
Origem do Povo Português, 1923;
Hierologia Lusitânica – Novos aditamentos às Religiões da Lusitânia, 1920;
A Figa, 1926
De Terra em Terra, 2 vol., 1927;
Antroponímia Portuguesa, 1928;
Resenha Histórica:
Oriundo de Mondim da Beira, local de natural inspiração para a sua curiosidade pela observação, valorização e estudo das terras e gentes, Leite de Vasconcelos cedo se prendeu ao estudo do povo, às tradições populares, à linguagem, aos dialectos, à poesia ou aos costumes. Enquanto desenvolvia os seus estudos preparatórios no Porto, a sua incessante curiosidade e não descurou a reunião de materiais para a sua contínua investigação etnográfica, chegando mesmo em 1878 a desenvolver um pequeno estudo sobre uma freguesia minhota.
Prosseguindo os estudos de Ciências exactas que à época interessavam habitualmente os maiores investigadores, manteve os hábitos de estudo rigoroso e meticuloso na investigação que veio a desenvolver na área das Letras. Completou o curso de Ciências Naturais e Medicina no Porto, mantendo os seus interesses pela Poesia, pela Etnologia e pela Filosofia. Viveu na Vila do Cadaval, onde foi Delegado de Saúde. Meses depois do início destas funções era nomeado Conservador da Biblioteca Nacional, dedicando-se definitivamente à continuação dos seus estudos etnológicos e filológicos.
Em 1887 fundou a Revista Lusitana, um dos mais completos arquivos de trabalhos de etnologia e filologia portuguesas, em que colaboraram eminentes figuras da ciência nacional e internacional. Professor da Cadeira de Numismática e do Curso de Bibliotecário Arquivista, leccionou também no Liceu Central de Lisboa e na Academia de Estudos Livres.
Em 1893, fundou o Museu Etnográfico Português, de que foi o primeiro director e que mais tarde veio a receber o seu nome (actualmente Museu Nacional de Arqueologia). Com esta instituição projectou, em 1895, a revista O Arqueólogo Português, órgão máximo de divulgação da cultura desse instituto e da produção de trabalhos arqueológicos que, por todo o país, ainda hoje se desenvolve.
Em 1901 concluiu o Curso de Letras na Universidade de Paris, tendo apresentado como tese uma Esquisse d’une Dialectologie Portugaise, alcançando o grau de Doutor com distinção. Regressando a Lisboa, assumiu a regência de um curso gratuito de Filologia, prosseguindo incansavelmente o seu labor literário e científico. Em 1903 passou a reger, na Biblioteca Nacional de Lisboa, um curso gratuito de Filologia.
Fundada a Faculdade de Letras de Lisboa, em 1911, foi nomeado Professor Extraordinário do grupo de Filologia Clássica, sendo transferido, em 1914, para o grupo de Filologia Românica da mesma Faculdade. Regeu também as cadeiras de Língua e Literatura Francesa, Arqueologia e Epigrafia.
A projecção internacional dos seus estudos foi reconhecida desde sempre, com a participação em vários congressos científicos internacionais em Atenas, Roma ou Cairo. Em 1924 acompanhou a missão jornalística que visitou os Açores, aproveitando essa digressão para recolher preciosas notas etnológicas, glotológicas e folclóricas, reunidas no estudo de etnografia açoriana intitulado Mês de Sonho.
Em 1937 foi homenageado no Museu Etnográfico, condecorado com a Grã-Cruz da Ordem de Santiago e a Medalha de Ouro de Mérito Municipal de Lisboa. O Seminar für romanische Sprachen und Kultur da Universidade Hanseática de Hamburgo consagrou-lhe os n.os I e II da sua revista, numa extensão de mais de 200 páginas em que colaboraram numerosos investigadores alemães.
Aos 80 anos Leite de Vasconcelos procedia os seus estudos linguísticos e etnográficos, era Presidente Honorário da Associação dos Arqueólogos Portugueses, sócio da Academia das Ciências de Lisboa e membro de várias Academias, numerosos jornais e revistas de Filologia e Linguística, Literatura, Etnografia, Numismática, Arqueologia, etc.
Uma das grandes figuras da Cultura Portuguesa dos séculos XIX e XX, destacou-se desde sempre pela diversidade e pioneirismo da sua obra. Os seus estudos sobre Cultura Portuguesa e os títulos publicados a propósito das suas deslocações pelo País, testemunhando as suas descrições arqueológicas e etnográficas e os inúmeros contactos nacionais e internacionais que manteve, são apenas algumas dentre as diversas facetas da sua actividade académica. O seu último grande projecto, Etnografia Portuguesa, representa a súmula das suas ambições de compreender o “Homem Português” nas suas múltiplas vertentes, desde as remotas identidades do território e da sua representação material às tradições populares, à religiosidade ou à Filologia.
[Instituto Prometheus]