Infanta D. Maria
Portugal
Pick 174
50 Escudos 1968
"Infanta, filha do rei D. Manuel e de sua terceira mulher, D. Leonor, irmã de Carlos V.
Nasceu em Lisboa no paço da Ribeira, a 8 de Junho de 1521, sendo baptizada no dia 17 pelo arcebispo de Lisboa D. Martinho Vaz da Costa, escolhendo o rei seu pai para padrinho, em nome de Carlos III, duque de Sabóia, o barão de S. Germano, senhor de Balaison, enviado então por embaixador a este reino para solicitar o casamento da infanta D. Beatriz; e madrinhas esta infanta e D. Isabel, sua irmã. Fal. no seu paço de Santos, então extramuros da cidade de Lisboa, a 10 de Outubro de 1577.
A infanta D. Maria, pelas amplíssimas heranças que lhe deixaram seu pai e sua mãe, foi a princesa mais rica que, abaixo das rainhas, houve no seu tempo na Europa. Foi senhora de grande número de cidades, vilas e outras terras, juros e jurisdições em França, Espanha e Portugal, e de riquíssimas jóias, baixelas, armações, e tapeçarias da rainha sua mãe.
Edificou à sua custa em 1575 a igreja e a capela-mor do convento de Nossa Senhora da Luz, da ordem de Cristo, situado no largo da Luz. Também fundou no lado fronteiro, um hospital, que se concluiu em 1618, já muito de pois do falecimento da infanta, e para o qual deixara avultados rendimentos. Os seguintes conventos foram igualmente fundados pela infanta D. Maria: o de Santa Helena do Calvário em Évora; o de Nossa Senhora dos Anjos, de capuchos arrábidos, junto a Torres Vedras, em cuja vila também teve um palácio; o de S. Bruno, e o de Santo Cristo dos Milagres, de Santarém, e deixou em seu testamento com que se edificasse um mosteiro para as comendadeiras da ordem de S. Bento de Avis, que se construiu em Lisboa com a invocação, que ela ordenara, de Nossa Senhora da Encarnação, que ainda hoje existe. Fundou mais a igreja paroquial de Santa Engrácia, de Lisboa, e fez muitas obras piedosas em outras casas religiosas, como no convento da Graça, da ordem de Santo Agostinho, onde mandou construir uma capela dedicada a Nossa Senhora, cuja imagem foi primorosamente coberta de prata lavrada; no mosteiro de S. Bento, que estava em construção, mandou fazer uma grande imagem deste santo, que foi colocada no altar-mor, adornando também a sua capela e a de outros altares. Por intervenção do embaixador de Portugal na Cúria Romana obteve uma relíquia do mesmo santo, que era uma parte da que existia no mosteiro de S. Paulo, de Roma."
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